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‘Acordão’ no Senado tenta preservar direitos políticos de Dilma

Senadores contrários e favoráveis ao impeachment articulam para que Dilma possa voltar a exercer funções públicas

Por Marcela Mattos, Laryssa Borges Atualizado em 31 ago 2016, 16h03 - Publicado em 31 ago 2016, 13h30

Com o fatiamento da votação do impeachment de Dilma Rousseff em duas, uma para afastar definitivamente ou não a presidente e outra para definir sua inabilitação a ocupar funções públicas em um prazo de oito anos, está em curso nos bastidores do Senado um acordo entre senadores da base aliada do presidente interino, Michel Temer (PMDB), e apoiadores de Dilma na Casa. O “acordão” condenaria a petista por crimes de responsabilidade, resultado esperado há tempos até mesmo por dilmistas, mas preservaria os direitos políticos de Dilma Rousseff.

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“Para alguns, diminui o peso na consciência. Ameniza a traição”, diz um senador. Embora um alto assessor do PMDB reclamasse da possibilidade de acordo, um senador petista disse ao site de VEJA que os aliados da presidente afastada contam até mesmo com votos de peemedebistas para que Dilma Rousseff possa, por exemplo, dar aulas em alguma universidade.

A senadora Rose de Freitas (PMDB-ES) é um deles. A peemedebista capixaba tem dúvidas sobre a suspensão dos direitos políticos da petista. “Eu não quero mais que ela (Dilma) governe o Brasil. A Dilma não volta mais à atividade política. Mas é discutível se é correto tirarmos dois anos de seu governo e impedi-la de exercer qualquer atividade por mais seis. Não vejo problemas se ela quiser dar aulas, por exemplo”, diz Rose de Freitas.

Apesar do acordo entre os senadores, é provável que o fatiamento da votação do impeachment chegue ao Supremo Tribunal Federal (STF), como sinalizou Ricardo Lewandowski, que preside a Corte e a sessão do julgamento de Dilma no Senado. Não se sabe, no entanto, se o STF pode intervir no mérito de um processo de impeachment, como é o caso da suspensão dos direitos políticos de Dilma Rousseff.

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