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Abel Galinha, primeiro a votar no domingo: ‘Serei simples e impactante’

Por Eduardo Gonçalves, de Brasília - 16 Apr 2016, 18h03

A decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de iniciar a votação do processo de impeachment por Roraima caiu como uma luva para o deputado de primeiro mandato Abel Mesquita Júnior (DEM-RR), mais conhecido como Abel Galinha. No ano em que se lançará candidato à prefeitura de Boa Vista, o parlamentar, que é dono de uma rede de combustíveis, vai ter uma oportunidade única de ganhar holofotes neste domingo – e já anunciou: votará pelo impeachment. Em conversa com o site de VEJA, afirma que pretende citar em seu voto os problemas estruturais de Roraima, que, segundo ele, é Estado um “isolado” do Brasil. Aliás, a sua atuação no parlamento consiste basicamente em fazer com que o Estado seja abastecido pelo Sistema Nacional de Energia. Segundo ele, uma área indígena impede que as redes de transmissão cheguem a a Roraima, abastecida atualmente pela Venezuela.

O apelido se deve à época do colégio, quando vendia galinhas vivas na feira. “Minha vida é uma novela”, afirma. Em menos de cinco anos na vida política, trocou de partido duas vezes – começou no PSD, transferiu-se para o Partido da Mulher Brasileira (PMB) e, na janela partidária deste ano, filiou-se ao DEM, que apoia em peso o impeachment da presidente Dilma. Foi vereador de Boa Vista por dois anos e se elegeu deputado federal nas eleições do ano retrasado com o número 1234. Uma matéria feita pelo Fantástico, da TV Globo, de março de 2015, mostra que, enquanto vereador, Galinha abastecia os carros de seu gabinete na sua própria rede de combustíveis. Assim, dedicou a cota parlamentar 80.000 reais a ele mesmo. “E eu ia comprar de quem?”, questiona.

Como será o seu voto? Eu vou proferir um voto bem simples e espero que seja pequeno e impactante. Me inspirei no meu Estado. O destino quis que eu fosse o primeiro.

O que o senhor acha do governo Dilma? Eu acho que o governo Dilma se desgastou nos últimos anos pois ela não deu confiança nem credibilidade para os investidores . A não governabilidade foi o que mais atrapalhou o governo dela.

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O senhor ficou sabendo de algum esquema de compra de votos na Câmara dos Deputados? Não, eu não me envolvo com isso. Eu sou de um dos menores estados do Brasil e mais pobre. Não concordo. Eu acho que cada voto tem as suas convicções do que é melhor para o Brasil e o seu Estado.

Como assim se inspirou no seu Estado na hora de fazer o voto? Roraima é um Estado acorrentado e totalmente isolado. É um direito nosso ter energia. Já conversei com todo mundo [do governo] que você possa imaginar para fazer isso. Falta de energia para o investidor poder entra lá e investir. É o básico. Nós já não temos terra.

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