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Abastecimento em SP só voltará ao normal na terça-feira

Em reunião com governador, sindicalistas se comprometeram a trabalhar por 24 horas, inclusive sábado e domingo, para normalizar fornecimento de combustível. Consumidor ainda sofre para conseguir encher o tanque

Por Renato Jakitas - 8 mar 2012, 14h50

O presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), Alísio Vaz, informou nesta quinta-feira que os caminhoneiros devem trabalhar neste final de semana para normalizar o fornecimento de combustíveis na Grande São Paulo. Habitualmente, disse o representante de categoria, não é realizado o trabalho de abastecimento aos domingos. Leia também: Entregas de combustíveis já são feitas sem escolta da PM Petrobras: reabastecimento em SP será gradual Homem é baleado e morre em posto de gasolina em SP Prefeitura nega trégua na restrição a caminhões Nove gerentes são detidos por aumento abusivo de preços O presidente participou de uma reunião com o governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e com o comandante da Polícia Militar, Álvaro Camilo, no início desta tarde no Palácio dos Bandeirantes. Na saída do encontro, o governo reiterou que a PM está à disposição dos caminhoneiros, mesmo após a ressalva do Sindicom de que, como não há mais piquetes nos locais de distribuição, a atuação da polícia não é mais necessária. “Vai acontecer distribuição também ao longo de todo o domingo, o que normalmente não acontece. E vamos operar 24 horas por dia. Esperamos que no máximo até segunda-feira ou terça-feira o consumidor possa encontrar combustível em todos os postos da Grande São Paulo”. Polícia – De acordo com Geraldo Alckmin, a PM vai manter seu efetivo estacionado em frente aos pontos de distribuição da Grande São Paulo até a normalização do abastecimento. “Atualmente, estão mobilizados 1.134 homens que integram a Força Tática e a Tropa de Choque, além de 604 viaturas e dois helicópteros. Até agora, foram realizadas 127 escoltas a 276 caminhões”, disse o governador. Na madrugada e na manhã desta quinta, a polícia escoltou motoristas. Mas, segundo o Sindicom, como não havia mais piquetes nos locais de distribuição, a atuação da polícia não é mais necessária. “As associadas estão operando normalmente em todas as bases de distribuição da Grande São Paulo. Embora a Polícia Militar ainda continue disponibilizando escoltas, as entregas de combustíveis estão sendo feitas sem proteção policial”, informou o presidente do Sindicom, Alísio Vaz, em nota. O sindicato e a PM vão monitorar as entregas durante todo o dia. A estimativa é que o abastecimento volte ao normal em um prazo de três a seis dias, de acordo com o Sindicom e o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), que representa os postos de gasolina. Há 2 100 postos só na capital. O Ministério Público abriu inquérito na noite de quarta-feira para apurar eventuais irregularidades na paralisação. O promotor Fabrício Tosta de Freitas é o responsável pelo caso. Ele vai encaminhar nesta quinta-feira ofícios para a prefeitura e para os sindicatos solicitando informações. Na prática, portanto, a investigação começa nesta quinta. O Procon recebeu mais 22 denúncias de abuso de preço devido à escassez de produtos. Na quarta, o órgão contabilizou 178 denúncias de consumidores. Dificuldade – Os consumidores ainda enfrentam dificuldade para abastecer mesmo com o fim da greve. O presidente do Sincopetro, José Alberto Gouveia, está fazendo uma ronda nos postos desde cedo. “Os caminhões já começaram a sair das distribuidoras, mas o processo é muito vagaroso. O produto, quando chega no posto, acaba em duas ou três horas”, disse ao site de VEJA. Na manhã desta quinta, a reportagem percorreu quatro postos nas zonas norte e oeste de São Paulo. Em apenas um dos locais visitados, um posto na Avenida Braz Leme, na zona norte, havia gasolina. O posto recebeu 15 000 litros de gasolina e 15 000 litros de álcool às 5 horas. A média de vendas é de 600 litros de combustível por hora. Nesta quarta, o número saltou para 1 000 litros por hora. “Tem cliente vindo da Bela Vista para comprar gasolina aqui”, disse o gerente André Moreira. Foi caso do diretor comercial Sidnei Teixeira Leite. Ele mora na região da Avenida Paulista e dirigiu até a zona norte em busca de combustível. “Passei por uns quatro postos que conheço e este era o único com gasolina”. Em um posto na Avenida Pacaembu, na zona oeste, o estoque de 50 000 litros de gasolina acabou em duas horas. “Eu trabalho há 25 anos nessa área e nunca tinha visto uma crise desse tamanho”, disse o gerente Adeildo Severino Barbosa. A administradora de empresas Alessandra Bigio, com o tanque na reserva, não teve sorte. Com três carros em casa, ela tomou uma medida drástica: “A ordem lá em casa é fazer tudo a pé. Os motoristas só podem pegar o carro para levar e buscar as crianças na escola”. Um outro posto na Barra Funda visitado pela reportagem também não era uma boa opção nesta manhã. “Não tenho nem gasolina nem álcool há dois dias, só diesel. Acabei de falar com a distribuidora e não nos deram previsão de entrega de combustível. Acho que para nós hoje não chega”, disse, resignada, a gerente Regina Soares. Já o posto da Avenida Alfredo Pujol, em Santana, onde um gerente foi preso na quarta, baixou os preços nesta quinta após uma operação da Polícia Civil. O preço do litro da gasolina comum chegou a 4,499 reais na quarta e baixou para 2,699 reais nesta quinta. A gasolina aditivada, que chegou a ser vendida a 4,999 reais o litro, voltou aos 2,799 reais. Preço regularizado, mas combustível em falta pela manhã. “Não tem gasolina e nem álcool, mas está tudo normalizado no preço”, disse o frentista Lourival Pedro Martins, que trabalha no local há cinco anos. Melhora – Durante a tarde, a situação em alguns postos da zona oeste percorridos pela reportagem era um pouco melhor. Havia combustível em três dos cinco postos visitados: três no bairro de Pinheiros e dois na Vila Madalena. Os gerentes dos estabelecimentos relatavam que a procura por parte dos consumidores era de duas a três vezes maior do que a média do dia. Na Rua Teodoro Sampaio, 1.230, o gerente Alan Forteza contou ter recebido 20 000 litros de gasolina às 6 horas desta quinta-feira, volume de combustível suficiente para três dias de operação. No entanto, dada a procura, a estimativa era de bomba seca até o fim do dia. “O nosso movimento está até três vezes maiores do que nos dias normais”, afirma. Perto dali, na Rua Paes Leme, 251, a previsão era de que se uma nova remessa de combustível não chegasse durante a madrugada, o posto passaria esta sexta-feira fechado. “Para ficar sem combustível, nem adianta abrir”, afirma Wellington Araújo, responsável pelo posto. Não houve alta significativa de preço nos postos visitados. Os valores praticados variavam de 2,644 reais a 2,899 reais o litro da gasolina comum na tarde desta quinta. Segundo o delegado Fernando Schmidt, titular da Divisão de Investigações sobre Infrações contra o Consumidor do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), a ação encampada pelo polícia que resultou em uma série de detenções em toda a capital, coibiu o aumento de preços ao longo do dia. “Ontem nós realizamos onze detenções. Foram nove durante o dia e outras duas pela noite. Hoje não recebemos nenhuma reclamação por parte dos consumidores”, declarou o delegado.

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