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Abalado por escândalos de corrupção, PP antecipa eleição de novo presidente

Cúpula do partido tentou dar sobrevida ao presidente da legenda, senador Ciro Nogueira, investigado por envolvimento no petrolão

Por Marcela Mattos 6 abr 2015, 19h50

Partido que se tornou um para-raios de escândalos e lidera a lista de envolvidos no escândalo do petrolão, o PP decidiu antecipar a convenção da legenda após figurar também entre os suspeitos no esquema de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Conforme decisão publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira, a eleição do diretório foi agendada para o dia 14 de abril.

Em reunião da Executiva no último dia 24, a cúpula do partido, contrariando o estatuto interno, que determina o encerramento do atual mandato no dia 15 de abril, estendeu o prazo para a convenção partidária por até seis meses. A manobra garantiria ao presidente da legenda, o senador Ciro Nogueira (PI) – investigado no escândalo no petrolão – mais tempo no cargo. Nos bastidores, ficou acordado um período de pelo menos dois meses para deliberar sobre o próximo comando.

O partido, porém, decidiu recuar da decisão após aparecer no centro de mais um escândalo de corrupção. Pai de Eduardo da Fonte (PE), líder do PP na Câmara, o conselheiro Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silvante é investigado na Operação Zelotes, da Polícia Federal, que apura um desvio de até 19 bilhões de reais do órgão ligado à Receita Federal. Eduardo da Fonte é braço-direito de Ciro Nogueira – e também é apontado como um beneficiários do petrolão, esquema que assaltou os cofres da Petrobras.

Adversários de Ciro Nogueira questionam a súbita mudança da data. “Ele estava no Vietnã na semana passada e já tinha mais seis meses garantido no cargo. Agora, com mais esse escândalo no Carf, quantos mais pepistas podem aparecer? O Ciro está se antecipando ao problema para evitar que a ampliação da crise o atinja”, diz um assessor do partido.

Também chama atenção a previsão de deliberar, no próximo dia 14, mudanças no estatuto. Conforme o regimento do partido, é proibida a reeleição para o mesmo cargo. A manobra é vista como uma forma de alterar a regra e garantir a permanência de Ciro Nogueira à frente do PP. Secretário Nacional da legenda, Aldo Rosa afirma que não há candidatos alternativos. E não nega a possibilidade de mudar esse trecho do regimento do partido: “O estatuto pode ser alterado pela convenção de qualquer maneira. A convenção é soberana”, afirmou.

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