A reação do governo Lula ao ‘novo tarifaço’ imposto pelos EUA a produtos brasileiros
Planalto demonstra indignação e lamenta atuação de sabotadores para atrapalhar negociações envolvendo os dois países ao longo dos últimos meses
Em reação à proposta do governo dos Estados Unidos de impor uma nova taxa a produtos brasileiros, o governo Lula emitiu uma nota na qual demonstra indignação com a iniciativa da gestão de Donald Trump e lamenta a atuação de sabotadores – em referência ao clã bolsonarista – para atrapalhar as negociações envolvendo os dois países ao longo dos últimos meses.
“O governo brasileiro manifesta indignação com a conclusão preliminar anunciada ontem pelo USTR relativa à investigação da Seção 301 contra alegadas práticas comerciais desleais do Brasil. Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais”, disse o governo brasileiro.
“É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos Presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares”, completou.
Ontem, os Estados Unidos concluíram uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que oneram ou restringem o comércio com os norte-americanos. Como resposta, o Escritório de Comércio dos Estados Unidos propôs a aplicação da tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras.
A decisão ocorre uma semana após Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à presidência da República, visitar Donald Trump na Casa Branca e se reunir com auxiliares do presidente norte-americano. Por isso, o petista vê a digital dos filhos de Bolsonaro na sanção imposta pelo governo Trump aos produtos brasileiros.
Em nota, o governo Lula alega não haver justificativa para essas medidas unilaterais contra o Brasil e cita dados para comprovar a sua teoria.
“Segundo estatísticas do Bureau of Economic Analysis, os Estados Unidos acumularam 424,5 bilhões de dólares em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos (2011-2025). Só no ano passado, o superávit comercial de bens dos EUA com o Brasil totalizou 14,46 bilhões de dólares. Considerando bens e serviços a cifra sobe a 40,52 bilhões de dólares. Em 2025, 76% das importações originárias dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagar imposto de importação. Oito dos dez principais produtos importados dos Estados Unidos pelo Brasil tiveram tarifa efetiva zero, incluindo petróleo e derivados, aeronaves, gás natural e carvão. A alíquota média efetivamente cobrada dos produtos norte-americanos no Brasil foi de apenas 3,1%”, menciona o comunicado.
A gestão petista argumenta ainda que os principais efeitos das medidas unilaterais são danos à economia brasileira e à geração de emprego e renda, além de diminuir o papel dos Estados Unidos como parceiro comercial.
“Conforme acordado pelos presidentes Lula e Trump por ocasião da reunião em Washington no dia 7 de maio, estão em curso negociações tarifárias entre os dois países em busca de soluções que resultem no encerramento da investigação da Seção 301, previsto para 15 de julho, sem imposição de medidas contra o Brasil. O governo brasileiro também dará continuidade ao diálogo com o setor privado com esse objetivo. O Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional”, pontua.
No documento, o governo reafirma a expectativa de que as recomendações não se convertam em tarifas efetivas, mas reitera que adotará toda e qualquer medida capaz de reduzir os danos que venham a ser causados à economia, aos empregos e à renda dos brasileiros. “É preciso estar atento aos traidores da pátria e trabalhar em defesa da nossa soberania e dos interesses do povo brasileiro”.







