Clique e assine a partir de 8,90/mês

A ‘marolinha’ de Dilma: “Queda do PIB é momentânea”

Presidente-candidata seguiu discurso do ministro da Fazenda e atribuiu mau resultado à Copa e ao cenário externo. Em agenda eleitoral na Bahia, foi além: disse que o terceiro trimestre será de "grande recuperação"

Por Gabriel Castro, de Salvador - 29 ago 2014, 17h42

No dia em que os indicadores registraram oficialmente que a economia brasileira vive seu pior momento nos últimos anos, a presidente-candidata lançou mão de um discurso que faz lembrar a “marolinha” do antecessor, o ex-presidente Lula – e que ela mesma admitiu ter sido um erro de avaliação. Para Dilma o Brasil vive apenas um quadro momentâneo de desaceleração. E o terceiro trimestre será de “grande recuperação”. Nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que houve retração de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no segundo trimestre – a queda, pelo segundo trimestre consecutivo, caracteriza recessão técnica.

Leia também:

Dilma faz uso perfeito do ‘dilmês’ no Jornal Nacional

Mantega usa tática do avestruz: ‘Brasil não está em recessão’

A presidente, que cumpre agenda eleitoral em Salvador, seguiu o discurso adotado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega: atribuiu o recuo aos feriados ocasionados pela Copa do Mundo e à redução no preço das commodities no mercado internacional. “Acredito que esse resultado do PIB é momentâneo, é desse trimestre. Um dos motivos que explicam esse resultado é o número de feriados que nós tivemos. Nós, por causa da Copa do Mundo, tivemos o a maior quantidade de feriados em toda a história do Brasil dos últimos anos”, disse ela.

Leia também:

Segundo semestre não deve mostrar alívio

Continua após a publicidade

A fala de Dilma evidencia como o mau resultado na economia prejudicou duas bandeiras do governo: a continuidade do crescimento e os benefícios advindos da realização do Mundial. Ao invés de aquecer a economia, a Copa provocou perdas. “Eu acredito que no segundo semestre de 2014 nós teremos uma grande recuperação”, disse a presidente, que afirmou haver “todas as condições” para uma retomada do crescimento. Uma das soluções defendidas por Dilma para reverter o resultado negativo é a realização de uma reforma administrativa. “Nós precisamos levar a cabo uma grande reforma na estrutura de atuação do Estado. Temos de criar um Brasil sem burocracia”, afirmou. Ela também defendeu investimentos pesados em infraestrutura.

Marina – Na entrevista que concedeu, Dilma também classificou de “obscurantista”, “fantasiosa” e “irresponsável” a postura da adversária Marina Silva (PSB) que, em seu programa de governo, deixou em segundo plano o uso do petróleo do pré-sal.

A presidente afirmou que não há substituto viável para o petróleo e que, além disso, a extração do pré-sal trará mais recursos para a educação e movimentará uma cadeia industrial que inclui, por exemplo, a construção de plataformas e estaleiros. “Quem acha que o pré-sal tem de ser reduzido não tem uma verdadeira visão de Brasil. Isso é um retrocesso”, afirmou.

Dilma visitou uma unidade do Senai para gravar imagens que serão usadas na propaganda eleitoral. Ela permaneceu no local por mais de uma hora. A presidente conheceu laboratórios e salas de aula, além de ter tirado fotografias ao lado de estudantes beneficiados pelo Pronatec, o programa federal de ensino técnico. Dilma respondeu a apenas duas perguntas dos jornalistas após visitar uma unidade de ensino na capital baiana. Depois, ela seguiu para o Pelourinho, onde gravou novas imagens para o programa eleitoral.

Leia no blog de Reinaldo Azevedo:

O Brasil está em recessão técnica. Segundo o IBGE – que não é o PSDB, que não é Aécio Neves, viu, presidente Dilma? -, o PIB do segundo trimestre encolheu 0,6%. Como o Produto Interno Bruto revisado do primeiro trimestre havia caído 0,2%, então se tem esta chancela: recessão técnica. Por que esse nome? Porque, neste exato momento, o país já pode ter saído da recessão e voltado a crescer, mas o encolhimento da economia foi óbvio. Ainda que esteja aí a retomada da expansão, ela recomeça de um patamar, evidentemente, mesquinho.

E o que diz Guido Mantega, ministro da Fazenda? Segundo ele, trata-se de mero efeito estatístico, como se os números não estivessem assentados em dados da economia real. Parece piada! Nesta quinta, ele saiu atirando contra Armínio Fraga, que será ministro da Fazenda de Aécio caso o tucano seja eleito presidente. Mantega o desqualificou de modo bronco, afirmando que, sob o comando de Armínio, a economia poderia entrar em… recessão! Parece piada, não? Ele e Dilma, afinal, produziram o quê? Ocorre que, junto com a retração da economia, temos a paralisação dos investimentos, o descontrole dos gastos, inflação alta e juros estratosféricos.

Continua após a publicidade
Publicidade