A má impressão que Flávio deixou no Republicanos ao cortejar Daniella Marques para vice
Para ela ocupar o posto de vice, as duas legendas precisariam se coligar
Parte do Republicanos vê com maus olhos o cortejo de Flávio Bolsonaro (PL) para ter Daniella Marques como vice em sua chapa à Presidência. É que a coordenadora da área econômica da sua campanha se filiou ao partido ligado à Igreja Universal na data limite para o vínculo, o que faz crescer na legenda a impressão de que tratou-se de uma manobra do filho de Jair Bolsonaro para obrigar o Republicanos a se coligar ao PL.
Para ela ocupar o posto de vice, as duas legendas precisariam se coligar. Outra possibilidade, que seria uma uma migração partidária, não é mais possível, já que o prazo para trocas de legendas expirou no dia 4 de abril.
Apesar disto, Flávio vai fazer novas investidas para atrair o Republicanos para a coligação que encabeça. Ele e o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, pedirão novas reuniões com o deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), que comanda o partido vinculado à Igreja Universal, na próxima semana. O esforço de Flávio a poucos dias da data limite para definição da chapa, no próximo dia 5, tem motivos: em um cenário em que pode ficar sem o apoio da federação União-PP, o senador precisa do acordo com o Republicanos para ter a economista Daniella Marques como sua vice. Além disso, sabe da necessidade do tempo de propaganda em rádio e TV que cabe às siglas aliadas.
Distante dos partidos do Centrão, Flávio se vê em julho deste ano, em um contexto desenhado em dezembro do ano passado. Na época, depois de ter sido escolhido pelo pai para representá-lo nas urnas, o parlamentar viu as principais lideranças de Centro se afastarem, diante do lançamento do seu nome sem qualquer diálogo prévio com nomes com Pereira, Ciro Nogueira (PP-PI) e Antônio de Rueda (União-RJ).
O PL realizará a convenção que vai oficializar o nome de Flávio como candidato ao Palácio do Planalto no próximo sábado (25), sem ter escolhido o vice. Enquanto faz novos acenos ao Republicanos e sonha ter Daniella Marques na vaga, Flávio precisou lidar com o desdém da senadora Tereza Cristina (PP-MS), que negou qualquer possibilidade de ser a vice-candidata, de acordo com Valdemar Costa Neto.
Aos correligionários, Flávio externou que Daniella, além de ser associada ao economista Paulo Guedes, que foi ministro da Fazenda durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), apresenta um perfil “mais combativo” do que o de Teresa Cristina.
Para o filho do ex-mandatário, o agro, que seria naturalmente atraído pela presença de Tereza Cristina na chapa, já está suficientemente consolidado em sua empreitada, o que não faria da presença da sua colega de Senado uma urgência. Daniella Marques, por outro lado, atrairia novos apoios do mercado financeiro.







