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A ‘lição’ que Lula está aprendendo em meio à nova surpresa de Donald Trump

Tarifaço reforça movimentos da política externa de Donald Trump

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 jun 2026, 13h35
A ‘lição’ que Lula está aprendendo em meio à nova surpresa de Donald Trump Priorizar nos meus resultados Google

A nova rodada de tarifas anunciada pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros ampliou a tensão diplomática entre Brasília e Washington e abriu uma nova frente de disputa política entre o governo Lula e o bolsonarismo. O tema dominou o debate do programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, com análises do editor de Política de VEJA José Benedito da Silva e do mestre em Relações Internacionais Uriã Fancelli (este texto é um resumo do vídeo acima).

Além da tarifa de 12,5% anunciada pelos americanos sob a justificativa de “trabalho forçado” no Brasil, a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos passou a citar práticas brasileiras relacionadas ao Pix, comércio digital, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. O debate ganhou ainda mais peso político após o secretário de Estado americano, Marco Rubio, excluir o Brasil da lista de aliados prioritários dos Estados Unidos na América Latina.

O que está por trás do novo tarifaço dos Estados Unidos?

Segundo Fancelli, a nova ofensiva tarifária de Trump tem forte componente político e ideológico, especialmente diante das eleições legislativas americanas de meio de mandato. “Ele oferece todo esse pacote ideológico”, afirmou o especialista, ao comentar a atuação de Rubio e da ala trumpista da política externa americana.

Para Uriã, a política econômica de tarifas promovida por Trump vem apresentando resultados negativos inclusive dentro dos próprios Estados Unidos. “As empresas e os consumidores americanos absorveram mais de 96% do custo dessas tarifas”, disse. “Aquilo que o Trump vendia como cobrança contra os outros virou basicamente um imposto sobre os próprios americanos.”

Na avaliação do analista, a retórica ideológica contra governos de esquerda e a pressão comercial sobre parceiros internacionais passaram a funcionar também como instrumento eleitoral interno para o trumpismo.

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Por que Lula demonstrou frustração com Trump?

Durante o programa, Laísa reproduziu uma declaração de Lula na qual o presidente reclamou publicamente da postura americana após negociações diplomáticas entre os dois países. “Não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil”, afirmou o presidente.

Segundo José Benedito, Lula esperava um ambiente de negociação mais previsível após conversas recentes com Trump. “O Lula parece muito frustrado mesmo com o Trump. E ele está aprendendo uma dura lição: não dá muito para confiar no Trump”, afirmou o editor de Política de VEJA.

Na avaliação dele, a política externa do republicano é marcada por mudanças bruscas e movimentos imprevisíveis. “A política do Trump é feita de avanços e recuos o tempo todo. Quem era aliado deixa de ser aliado. Quem era inimigo vira aliado”, disse.

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Como o Pix virou alvo da disputa política?

Outro ponto central do debate foi a inclusão do Pix nas críticas feitas pelo governo americano. Os Estados Unidos alegam que o sistema brasileiro cria concorrência desleal contra empresas americanas de pagamento eletrônico. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reagiu afirmando que o Pix “é o símbolo maior da soberania financeira brasileira” e está fora de qualquer negociação com Washington.

A partir daí, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a lembrar que o sistema foi criado durante o governo anterior. Segundo José Benedito, a estratégia busca reduzir o desgaste do bolsonarismo diante da narrativa construída pelo governo Lula. “O Flávio Bolsonaro percebeu que a questão do tarifaço e da ameaça ao Pix começou a pegar muito mal pra ele”, afirmou.

O editor avaliou que o cenário tende a se transformar em uma disputa de comunicação política. “O que vai ter agora é um duelo de narrativas”, disse. “O Flávio tentou mudar o foco para dizer que quem tem mais condição de defender o Pix são eles.”

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Marco Rubio tenta se projetar politicamente?

Durante a análise, José Benedito afirmou que Marco Rubio também busca fortalecimento político interno ao endurecer o discurso contra governos de esquerda da América Latina. “O sonho dele é ser apontado lá na frente como a pessoa que vai disputar a eleição quando Trump não puder mais disputar”, afirmou.

Segundo o editor, Rubio tenta se apresentar ao eleitorado conservador americano como liderança internacional influente, especialmente diante das comunidades latinas nos Estados Unidos.

O bolsonarismo conseguirá se descolar do tarifaço?

Na reta final do debate, Fancelli avaliou que o governo Lula deve manter uma postura institucional de diálogo, enquanto o bolsonarismo tentará deslocar a discussão para temas de segurança pública, como a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos. “O presidente Lula fica na defensiva, enquanto os diálogos institucionais continuam acontecendo”, afirmou.

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Para os participantes do programa, a crise comercial entre Brasil e Estados Unidos deixou de ser apenas diplomática e passou a integrar diretamente a disputa narrativa que antecede a eleição presidencial de 2026.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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