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‘A greve de professores acabou na prática’, afirma Paes

Assembleia realizada nesta terça decidiu manter paralisação dos educadores, mas prefeito do Rio afirma que índice de falta de profissionais é de apenas 4%

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, afirmou nesta terça-feira que a rede municipal de ensino voltou a funcionar normalmente – apesar de uma nova assembleia decidir manter a paralisação iniciada em 8 de agosto. “Não temos escolas fechadas”, frisou ele, informando que o índice de falta entre os profissionais registrado nesta manhã ficou entre 3% e 4%. “A greve acabou na prática. Estamos com um nível de ausência muito irrelevante.O ideal é que o sindicato também saia do seu estilo beligerante”, declarou, após fazer uma apresentação no Fórum Exame de Infraestrutura, no Rio de Janeiro.

O Sindicato Estadual de Profissionais da Educação (Sepe), que também representa o município, iniciou a paralisação há 76 dias, levando de volta às ruas cariocas os protestos que vinham perdendo força. A principal reivindicação é pelo fim do plano de cargos e salários proposto pela prefeitura, aprovado na Câmara e sancionado pelo prefeito. Engrossada por uma fileira de vândalos mascarados, a marcha dos educadores por melhores condições de trabalho ganhou peso e colocou pela primeira vez a gestão de Eduardo Paes na berlinda.

Claudia Costin: “Estão fazendo uma leitura errada do Plano de Cargos e Salários”

Para Paes, a decisão do sindicato de anunciar a continuação da greve comprova que a questão passou a ser tratada como “luta política”, liderada por integrantes do Sepe, em parte filiados ao PSOL. “O objetivo deles não é trazer benefícios para a categoria, mas desgastar o prefeito. Vamos em frente, porque não podemos prejudicar as crianças”, disse, acrescentando que chegou ao limite do que poderia oferecer aos educadores. Entre as medidas propostas por ele no plano, consta um aumento de 15%, o que acredita ter agradado à maioria dos profissionais. “Meu grau de preocupação diminui, porque muitos professores voltaram.”

Conciliação – Luiz Fux, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), convocou uma reunião de conciliação em Brasília, nesta terça, com representantes do Sepe, da prefeitura e do governo do estado (que enfrenta a mesma greve) para tentar solucionar o impasse. Paes será representado pela secretária municipal de Educação, Cláudia Costin, e pelo procurador-geral do município, Fernando dos Santos Dionísio, enquanto Sérgio Cabral enviou em seu lugar os secretários da Casa Civil, Regis Fichtner, e de Educação, Wilson Risolia, e a procuradora-geral do estado, Lucia Léa Guimarães Tavares.

A prefeitura levará ao STF as atas das reuniões com o Sepe – todas assinadas por representantes do sindicato. Nos últimos três meses, representantes do governo afirmam ter promovido dez encontros, alguns deles com a presença do prefeito. O processo de negociação incluiu encontros e acordos firmados entre as duas partes, garante Paes. “Infelizmente, houve radicalização por parte do Sepe, que achou que ganharia tudo. Talvez por excessiva doçura minha, ao ter dado tanta coisa.”

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