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À espera do Supremo, mensaleiros se preparam para prisão

Advogados de Valério, Dirceu e Pedro Corrêa afirmam que seus clientes aguardam apenas expedição de mandados para se entregar à polícia

Por Da Redação 14 nov 2013, 10h58

No dia seguinte à sessão em que o Supremo Tribunal Federal determinou a prisão imediata do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e da cúpula do mensalão, os réus afetados pela decisão da Corte já se preparam para entregar-se à polícia assim que os pedidos de prisão forem expedidos pelo STF. Dessa forma, pretendem se antecipar a ações policiais para o cumprimento dos mandados, como explicou ao site de VEJA Marcelo Leonardo, o advogado do operador do esquema, Marcos Valério, condenado a 40 anos e 4 meses de prisão. “Valério se entregará assim que o mandado de prisão for expedido”, disse o defensor, que evitou falar sobre a preparação psicológica do réu. “Não comento sobre o estado de espírito do meu cliente.”

Condenado por comandar o esquema criminoso, Dirceu já voltou da Bahia, onde descansava, para São Paulo. E aguarda a decisão do Supremo. Segundo afirmou seu advogado, José Luís de Oliveira Lima, à Rádio Estadão, o ex-ministro aguarda a expedição do mandado de prisão para apresentar-se à polícia. Também de acordo com Lima, os dois terão uma reunião ao longo do dia para acertar os trâmites. “Ainda não está claro onde será cumprido o regime semiaberto, se será no Distrito Federal ou no domicílio. Ele mora e trabalha em São Paulo. Vamos aguardar o dia de hoje para que a gente possa ter uma linha mais clara”, disse. “Às 16 ou 17 horas a curiosidade de todos será atendida.”

A redação da sentença definitiva, com o cálculo da pena inicial de cada réu, será proferida pelo presidente da Corte, ministro Joaquim Barbosa, nesta quinta-feira. A tendência é que Dirceu comece a cumprir sete anos e onze meses de prisão em regime semiaberto. Esse tempo ainda poderá subir para dez anos e dez meses, o que fará com que ele migre para o regime fechado, se a Corte rejeitar seu embargo contestando a prática do crime de formação de quadrilha. O ex-presidente do PT na época do escândalo, deputado José Genoino (SP), e o ex-tesoureiro Delúbio Soares também vão começar a cumprir pena em regime semiaberto. Já Valério seguirá para regime fechado.

Condenado pelo Supremo a sete anos e dois meses de prisão no regime semiaberto pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva no processo do mensalão, o ex-presidente nacional do PP, Pedro Corrêa também aguarda a expedição do mandado de prisão para se entregar à Justiça. Ele se encontra na sua fazenda, Boa Esperança, no município de Brejo da Madre de Deus, no agreste pernambucano. “Ele já esperava a condenação e assim que for intimado vai cumprir o que a justiça determinar”, informou seu filho, o advogado Fábio Corrêa, provável candidato a deputado federal, em entrevista, nesta quinta-feira, no calçadão da praia de Boa Viagem, no Recife, defronte do prédio onde ele e o pai moram. De acordo com o advogado, o pai não está tranquilo porque “ninguém fica tranquilo para ser preso”, mas embora tenha brigado judicialmente pela sua liberdade, vai fazer o que for determinado pela justiça. “Ele não vai fugir, já entregou o passaporte”, adiantou. A Polícia Federal em Pernambuco aguarda o mandado de prisão do ex-deputado.

Já o ex-deputado Roberto Jefferson, delator do esquema criminoso, comentou a decisão da Suprema Corte em seu blog. Sob o título “Nem tudo está perdido”, o texto publicado às 9h56 desta quinta-feira diz: “Há oito anos denunciei ao país o maior escândalo que jamais presenciei no Planalto Central desde que me tornei deputado. Tudo realizado por quem, por décadas, apontou o dedo para muitos, acusando-os de corruptos, dando início à nefasta judicialização da política brasileira. Fui cassado e tive meus direitos suspensos por 10 anos; ontem [quarta-feira], a Corte Suprema do meu país decretou minha prisão. Estou satisfeito com a decisão? Mentiria se dissesse que sim; conforta-me, porém, a crença de que a política brasileira, daqui para a frente, pode ser melhor”. Às 9h58, Jefferson mudou de assunto. Numa postagem breve, de título “Voltamos quando Deus quiser”, disse: “Amanhã o Brasil comemora a Proclamação da República. Um bom feriado a todos. E não esqueçam: se forem dirigir, não bebam.”

Ex-diretor do BB – Condenado no processo do mensalão a 12 anos e sete meses de prisão, o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato estaria há pelo menos dois meses longe de seu apartamento, uma cobertura na rua Domingos Ferreira, em Copacabana, na zona sul do Rio. Helena Godoy, 76 anos, mora no 4º andar do mesmo prédio desde a infância. Diz que Pizzolato é “bom vizinho” e que se dá bem com a mulher dele, mas afirma que ele pessoalmente não é visto há algum tempo e que provavelmente estaria em propriedades da família em Santa Catarina.

Helena afirma que Pizzolato vinha fazendo nos últimos meses um trabalho pessoal de relações públicas, para melhorar sua imagem perante os vizinhos. Ele distribuiu para os condôminos um exemplar da revista “Retrato do Brasil”, cujo título da edição de março e abril é “A construção do mensalão” – uma coleção de reportagens e artigos contrários à sentença do Supremo Tribunal Federal (STF) que condenou os réus envolvidos no escândalo. Uma das reportagens trata diretamente do caso do Banco do Brasil, intitulado “Não viu quem não quis: os R$ 73,8 milhões do BB foram gastos à vista de todo o País”. Helena não acredita nem desacredita da versão do vizinho. “Ele distribuiu um outro lado da história. São argumentos válidos, mas no final a gente fica sem saber a verdade”, afirma.

Vizinhos e funcionários do condomínio dão versões desencontradas sobre os últimos meses de Pizzolato. Alguns afirmam que ele parecia muito bem, alternando períodos no Rio e em Santa Catarina. Outros dizem que ele teria perdido peso e que estaria passando por depressão profunda.

(Com Estadão Conteúdo)

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