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A declaração de Lula que esquentou o debate sobre o seu herdeiro político

Presidente faz aceno a Haddad, percebe ato falho e lista outros prováveis nomes para representar o seu legado a partir de 2030

Por José Benedito da Silva Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 ago 2026, 14h51 | Atualizado em 3 ago 2026, 17h01
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao falar sobre quem poderia ser o herdeiro do seu legado político durante a convenção nacional do PT na zona norte de São Paulo no último domingo, 2, deixou mais dúvidas e desconfortos do que jogou luz sobre um dos assuntos que mais desafiam o futuro do petismo.

Durante o evento, Lula citou o ex-ministro Fernando Haddad primeiro como o seu sucessor. “Qual é o país do futuro que eu vou lhe entregar quando você, Haddad, depois de governar São Paulo por oito anos, quiser ser presidente da República? “, disse.

Tão logo percebeu o ato falho, Lula emendou, acenando para outros petistas presentes, como o governador do Piauí, Rafael Fonteles, e o ex-governador do Ceará Camilo Santana, também seu ex-ministro. “Ou você, Rafael? Quem sabe sai do Piauí o próximo? Ou quem sabe do Ceará. Ou quem sabe de Pernambuco. De algum lugar vai sair. E da Bahia? Essa eleição de agora é para definir que país a gente vai deixar do ponto de vista das coisas que ainda não fizemos”, afirmou.

Outros sinais também deixaram claro que Lula pode priorizar Haddad como seu herdeiro. O ex-ministro, pré-candidato ao governo de São Paulo, foi o único a se sentar na primeira fileira, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e do presidente do PT, Edinho Silva, além das primeiras-damas. Também foi o único a discursar além de Lula, Edinho, Alckmin e Janja.

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As polêmicas de Jair Bolsonaro na prisão domiciliar

Também soa positivamente para Haddad o fato de Lula ter escolhido São Paulo para lançar o seu nome não só uma, mas duas vezes — além da convenção do último domingo, ele fará no dia 16 de agosto o início da sua campanha no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, local histórico do município do Grande ABC onde ele liderou lotadas assembleias de operários que desafiaram a ditadura militar entre o final dos anos 1970 e início dos anos 1980.

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O aceno prioritário de Lula a Haddad tem, no entanto, um problema. Se Haddad vencer a eleição em São Paulo e ficar realmente os oito anos no cargo sugeridos pelo presidente, quem seria o candidato ao Palácio do Planalto em 2030, quando Lula não poderá mais ser candidato?

Se Haddad perder a eleição, no entanto — o que hoje parece mais provável, já que ele está bem atrás do atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos) –, aí sim ele poderia ser o candidato em 2030. Seria a segunda vez que Haddad tentaria o posto, já que ele foi escolhido por Lula para ser candidato em 2018 quando o então ex-presidente estava preso em Curitiba pela Operação Lava-Jato. Haddad conseguiu ir ao segundo turno, mas foi derrotado por Jair Bolsonaro.

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Outros nomes

Além de Camilo Santana e Rafael Fonteles, também citados por Lula, o PT tem outros nomes que correm por fora para ser o sucessor de Lula em 2030, como a deputada, ex-ministra e ex-presidente do partido, Gleisi Hoffmann — isso depende de ela sair ou não vitoriosa na eleição ao Senado pelo Paraná que irá disputar este ano. Outro nome que já foi cogitado é o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa, que em outubro também tentará uma vaga ao Senado pela Bahia.

Opção de fora do PT para suceder Lula?

Para 2030, caso Haddad tenha sido eleito em São Paulo, outra probabilidade aventada nos bastidores é Geraldo Alckmin, que virou um fiel escudeiro de Lula no governo, vem ganhando bastante protagonismo no relacionamento com o setor produtivo durante a crise do tarifaço e tem o apoio do PSB, hoje o maior partido aliado ao petismo.

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