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A contrariedade de Alexandre de Moraes com o ministro da Defesa

Relator de inquéritos sensíveis a Bolsonaro, ministro tem criticado comodidade em terceirizar para ele atribuições do Executivo em relação às Forças Armadas

Por Laryssa Borges Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 30 jan 2023, 10h11 - Publicado em 29 jan 2023, 11h35

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes nunca admitirá em público, mas tem externado a um número cada vez maior de interlocutores contrariedade com uma suposta postura do chefe da pasta da Defesa José Múcio Monteiro de terceirizar para o Judiciário o papel de bater de frente contra militares que, por omissão, negligência ou incentivo a bolsonaristas, são apontados como peça-chave nos atos de vandalismo que tomaram conta de Brasília no dia 8 de janeiro.

Na mais recente bronca, Moraes ficou ressabiado com a sugestão de que compartilhasse com o Executivo as investigações que envolvem o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro e investigado no STF por produção e divulgação de fake news. Cid havia sido indicado em maio passado para assumir a chefia do Batalhão de Ações e Comandos de Goiânia, mas seu nome encontrava forte resistência de integrantes do Supremo.

O magistrado também demonstrou incômodo com a hipótese, discutida reservadamente na sexta-feira 20, de que deveria partir dele uma espécie de atestado confirmando que Cid era, sim, alvo de um inquérito que investiga a participação de Bolsonaro e de auxiliares próximos, como o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, no endosso às fake news que afirmam que as urnas eletrônicas e as eleições brasileiras não são seguras. Para Alexandre, deveria partir de Múcio, e não dele, a reunião de elementos e a decisão política de impedir que o militar ligado ao ex-presidente assumisse um cargo tão estratégico para o Exército.

Conforme revelou VEJA, na caserna há o sentimento de que o magistrado do STF representa a “senha da indignação” dos militares em relação ao Judiciário, já que Moraes conduz processos sensíveis ao ex-presidente e recentemente determinou a prisão de mais de 1.200 pessoas que se aglomeravam em acampamentos diante de quartéis generais em protesto contra supostas fraudes eleitorais. Conhecido pelo perfil conciliador, José Múcio já havia recorrido a Alexandre no final do ano passado para explicar a indicação do nome de Júlio César Arruda como comandante do Exército e se responsabilizar pela escolha do general. Arruda acabou substituído poucas semanas depois de assumir o posto exatamente por resistir a cumprir uma ordem vinda de cima: defenestrar o bolsonarista Mauro Cid da chefia do batalhão de Goiânia.

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