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41% das obras da Copa de 2014 sequer saíram do papel

A cerca de dois anos do Mundial, só 5% dos projetos foram concluídos. Nada que sirva para desanimar o ministro Rebelo: 'É preciso valorizar obra no papel'

Por Da Redação
23 Maio 2012, 13h20

A cerca de dois anos para o início da Copa do Mundo de 2014, 41% das obras previstas para o Mundial ainda não saíram do papel. É o que mostra balanço do governo federal divulgado nesta quarta-feira. Os dados foram atualizados até abril deste ano. Segundo o ministro do Esporte, Aldo Rebelo – o mesmo que afirmou no mês passado que os atrasos eram apenas “impressão” -, dos 101 empreendimentos previstos, apenas 5% foram concluídos. Outros 32% estão em fase licitação ou em estágio mais incipiente, na fase de elaboração de projetos.

Nem os fatos ou a pressão da Fifa, porém, tiram o otimismo de Rebelo. O ministro afirmou que o baixo desembolso de recursos para as obras já iniciadas não indica que o governo tenha de falar em “milagre” para conseguir concluir os projetos a tempo. “Podemos dispensar os serviços dos santos para que eles possam socorrer causas mais necessitadas”, ironizou o ministro. De acordo com ele, dificuldades burocráticas consomem boa parte do tempo das obras.

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Ao tentar justificar o ritmo lento das obras, Rebelo saiu-se com essa: “Não sei por que o preconceito com as obras no papel. Vamos tratar com mais generosidade com o que está no papel. Estar no papel não significa necessariamente atraso. Sabemos que no Brasil, pela complexidade de sua estrutura democrática e institucional, é preciso atender um grande número de requisitos e exigências legais, leis, portarias, decretos, instruções normativas”. O ministro ainda garantiu que o governo está bastante otimista com o quadro e confia na possibilidade de superar todos os desafios até a realização da Copa. “Não trabalhamos com o conceito e a ideia do atraso. Temos um olho no estágio atual das obras e outro olho na conclusão das obras. Acreditamos que as obras estarão prontas antes do prazo de entrega”, completou.

Apesar do alto porcentual de obras do Mundial não iniciadas, o governo projeta que 84% dos empreendimentos estarão concluídos até 2013, ano que o Brasil também sediará a Copa das Confederações. Pelas estimativas do governo, 69% das obras serão entregues apenas no próximo ano, quando o país abrigará o campeonato esportivo que antecede o Mundial.

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O balanço do governo federal divulgado também registra que oito das 12 cidades-sede da Copa ainda não executaram sequer metade das obras previstas em seus estádios. A cidade de Recife, que deve concluir a Arena Pernambuco até a Copa das Confederações, só executou 33% das obras no estádio – três pontos porcentuais abaixo da projeção inicial. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ainda analisa se vai conceder financiamento – no valor total de 758 milhões de reais – aos estádios do Itaquerão, em São Paulo, Beira Rio, em Porto Alegre, e Arena da Baixada, em Curitiba.

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Na avaliação do ministro Rebelo, a análise sobre o andamento das obras da Copa do Mundo de 2014 comporta diferentes interpretações. Segundo ele, a Fifa, que fez frequentes críticas à organização do Mundial, e o governo brasileiro avaliam de maneira diferente o grau de andamento dos projetos. “A Fifa dava um peso muito pequeno à demolição, terraplanagem, fundações, estaqueamento. Considero que a fase de planejamento, elaboração de projeto e realização de licitações são uma parte importante dentro do prazo da obra”, afirmou. Rebelo ainda minimizou a mais recente rodada de críticas do presidente da entidade máxima do futebol, Joseph Blatter. “Estamos abertos a recepcionar críticas dos nacionais e por que não dos estrangeiros? Não somos donos da verdade e nem temos pretensão da perfeição. O pessimismo e o otimismo são culturais e podem contaminar dirigentes estrangeiros, como o Joseph Blatter”, ironizou.

Quando analisadas as obras de mobilidade urbana nas cidades-sede, 45% delas também não saíram do papel. O ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, explicou que os impasses nas obras têm as mais diferentes causas: problemas ambientais, atrasos em assentamentos e questionamentos do Ministério Público. “Temos gargalos diferentes e a ideia é que possamos avançar e ter em um período rápido esses problemas já superados”, resumiu.

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