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‘​Não vamos impedir a apuração com vistas à moralidade pública’, diz Temer

Presidente interino repetiu a posição após Romero Jucá ser exonerado do ministério do Planejamento por ter falado em estancar a sangria da Lava Jato em conversas gravadas

Por Da Redação 24 Maio 2016, 10h59

Um dia depois de ter seu primeiro ministro derrubado por áudios em que falava em estancar a sangria da Operação Lava Jato, o presidente da República interino, Michel Temer, afirmou que um poder não deve invadir a competência de outro e que “não há nada que o governo possa interferir” na investigação. Ele fez um pronunciamento inicial durante reunião com senadores e deputados de sua base aliada no Palácio do Planalto, em Brasília.

O presidente interino afirmou que não vai “criar dificuldade ou tentar eliminar” qualquer investigação ​Ele defendeu o direito de defesa dos investigados.​ “​Não vamos impedir a apuração com vistas a moralidade pública e administrativa​, ao contrário, vamos sempre incentivar​”, disse Temer. “Ve​​​jo que​ muitas vezes sai uma ou outra notícia de que tem um esquema para fazer isso ou aquilo. Não temos isso não.”

O presidente interino afirmou que não vai “criar dificuldade ou tentar eliminar” qualquer investigação. “​Não vamos impedir a apuração com vistas à moralidade pública e administrativa”, disse Temer.

O presidente interino afirmou que resolveu fazer o pronunciamento por causa das acusações de que seu governo chegou ao poder para tentar um pacto e barrar a investigação. A tese ganhou força depois que o jornal Folha de S. Paulo revelou a conversa sobre “delimitar” a Lava Jato do agora ex-ministro do Planejamento, senador Romero Jucá (PMDB-RR), com o ex-dirigente da Transpetro Sérgio Machado. Temer fez questão de mostrar discordância do ministro.

“​Há um dado momento que não dá para silenciar. Se você silencia, você concorda e eu não quero concordar”, disse Temer.​

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O vice afirmou que respeita o papel da oposição (PT, PCdoB e PDT) e os protestos contra ele, mas disse que eles precisam ocorrer dentro da ordem constitucional. Ele disse que se considera “vítima de agressões” e que vai ficar atento aos recados, mas seguirá preocupado apenas com o governo. Segundo o peemedebista, é preciso mostrar que o todos no governo estão “exercendo regularmente suas funções”.

“Eu sou uma consequência da constituição. Quero refutar aqueles que a todo instante pretendem dizer que houve um rompimento da constituição. Isso é coisa de quem não lê a constituição.”

Meta fiscal – Temer também fez um apelo para que os deputados e senadores se esforcem para votar nesta terça-feira a alteração da meta fiscal para 170,5 bilhões de reais. Ele lembrou que o projeto original foi enviado pelo governo Dilma Rousseff ao Congresso, criticou a posição dos partidos que a apoiam e disse que era indispensável votar nesta terça-feira para dar “tranquilidade governamental”. Em afago aos parlamentares, afirmou: “Estamos governando juntos. Escuto, e isso me conforta, que estou implantando uma espécie de semiparlamentarismo. Estamos reinstitucionalizando o país”.

​”​No dia de hoje especialmente temos votação de uma matéria ​importante par o governo, a ampliação da meta. ​Será o primeiro teste de um lado do governo e de outro do legislativo para mostrar aos brasileiros que estamos trabalhando. Se não fosse o clima não seria de uma gravidade absoluta a transferência da votação. ​Lamento dizer que muitos que lá atrás propuseram a modificação da meta hoje anunciam que vão tentar tumultuar os trabalhos para impedir a votação.”

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