Paulo Guedes deve desculpas aos brasileiros

Thomas Traumann analisa as recentes declarações do ministro da Economia

Por Da Redação - Atualizado em 26 nov 2019, 18h58 - Publicado em 26 nov 2019, 18h17

O ministro Paulo Guedes rebaixou o Brasil a uma republiqueta de terceira categoria. Em entrevista na segunda-feira, 25, em Washington, Guedes afirmou que as pessoas não devem se assustar com a ideia de alguém pedir um novo AI-5 diante da radicalização de possíveis protestos, como os que vêm ocorrendo no Chile. Ele fez referência ao Ato Institucional baixado pelo presidente Costa e Silva em dezembro de 1968 que aprofundou a repressão da ditadura militar.

Mesmo nos momentos mais turbulentos da história brasileira, nunca nenhuma autoridade falou em fechar o Congresso ou baixar medidas de exceção para combater manifestações. Por que? Porque democracia é assim. É barulhenta. As pessoas, quando estão zangadas, vão para as ruas sim. E se Guedes não fizer um bom trabalho, se o emprego não voltar, haverá manifestações. É parte do jogo. Assim como Bolsonaro fazia manifestações contra o PT, o PT vai fazer contra o atual governo.

Paulo Guedes é o ministro mais poderoso do Brasil. Sua função principal é fazer a economia do país voltar a crescer. E não é baixando medidas autoritárias que ele vai conseguir isso. Na verdade, a mensagem que ele passa é que o país anda instável e que o governo não consegue conviver com oposição, além de um ministro da economia que não conhece democracia. Só espanta os investidores estrangeiros.

Com democracia não se brinca.

Entenda neste episódio do podcast Traumann Traduz

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