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‘YNWA’: a origem da música que virou hino do Liverpool

A canção "You'll Never Walk Alone", composta para um musical em 1945, foi o combustível do clube inglês em várias conquistas e viradas históricas

O Liverpool enfrenta o Tottenham neste sábado, 1º, em busca do hexacampeonato na Liga dos Campeões, e, além do elenco repleto de estrelas, também contará com o apoio de sua torcida, conhecida por empurrar o time ativamente, sempre com uma canção na ponta da língua: You’ll Never Walk Alone (Você Nunca Andará Sozinho, em inglês). A música é entoada pelos fãs do clube há décadas e se tornou hino e fonte de inspiração para os jogadores. Mas não teve origem no esporte e já foi cantada até por Frank Sinatra.

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“YNWA”, como é tratada pelos torcedores dos “Reds” nas redes sociais, foi escrita nos Estados Unidos pelos compositores Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II para o musical Carousel, em 1945. A partir daí, You’ll Never Walk Alone foi regravada por artistas de vários estilos, incluindo o cantor americano Frank Sinatra. O sucesso da música atravessou o oceano e chegou à Inglaterra na década de 60, quando a banda Gerry and the Pacemakers, de Liverpool, lançou a música em versão pop, dando o primeiro passo para ela entrar na  história do clube inglês.

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O Liverpool foi um dos primeiros times a inovar no entretenimento e contratou um DJ para comandar as atrações antes do início das partidas. Ele ficava encarregado de envolver o público com as 10 músicas mais tocadas da época. A torcida do clube adotou a ideia e cantava os sucessos da década de 60 no Anfield. As canções dos Beatles, banda que se tornou febre mundial, eram as mais cantadas pelos torcedores, até pela identificação com o grupo, nascido em Liverpool.

A música favorita, entretanto, foi consagrada na final da Copa da Inglaterra de 1965, quando cerca de 100.000 pessoas presenciaram a vitória do Liverpool sobre o Leeds United, por 2 a 1, em Wembley. O lado vermelho do estádio, metade do público, cantava alto durante a partida o refrão de You’ll Never Walk Alone, que, nas vozes do narrador da BBC, Kenneth Wolstenholme, ficou conhecida como ‘a sintonia de assinatura do Liverpool’.

O clube inglês criou moda e influenciou torcedores de outros times, como o Celtic, da Escócia, e o Borussia Dortmund, da Alemanha, a cantarem a clássica música no ritmo pop do grupo Gerry and the Pacemakers. O som atravessou os anos e empurrou o Liverpool em vitórias históricas, como quando levantaram a taça de campeões da Liga dos Campeões de 2005, depois de irem para o intervalo, em Istambul, perdendo por 3 a 0 para o estrelado time do Milan. No retorno para o segundo tempo, os torcedores da equipe acreditaram em uma provável virada e cantaram a música, surpreendendo os próprios jogadores e servindo como combustível para a vitória, fato confirmado por Rafa Benítez, treinador da equipe à época.

O Liverpool conseguiu outra virada para entrar em sua história, 14 anos depois, ao bater o Barcelona, na semifinal da Liga dos Campeões, depois de perder a ida, na Catalunha, por 3 a 0. Os torcedores fizeram a diferença na volta e, em sintonia com o time, congelaram os jogadores do time espanhol e os golearam por 4 a 0. O resultado gerou uma grande festa ao final da partida em Anfield, com toda a equipe abraçada no gramado e cantando “YNWA” junto dos torcedores. Às vésperas da final desta edição da Champions, o Liverpool novamente terá de se apoiar na força de sua torcida e de seu hino para superar o Tottenham neste sábado, 1º, em Madri, às 16h (de Brasília).