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Xico Sá lança primeiro livro de crônicas sobre futebol

Veja, na íntegra, uma crônica inédita, escrita sobre o Doutor Sócrates

O jornalista e escrito Xico Sá, que participa do programa Redação Sportv, falando de futebol, lançou seu primeiro livro de crônicas sobre futebol, com conteúdo inédito.

O livro ainda está em pré-venda, pois participa de um financiamento coletivo para ser produzido. É o primeiro teste do tipo da Editora Realejo, que faz o projeto com o jornalista.

Com o título de “A Pátria
em Sandálias da Humildade”, o livro traz as melhores crônicas escritas por Xico Sá, incluindo conteúdo inédito, como uma sobre o Doutor Sócrates, que você pode ler abaixo.

O lançamento do livro está previsto para setembro e a colaboração pode ser de 15 a 140 reais pelo sistema de colaboração escolhido pela editora e escritor. As recompensas incluem desde o recebimento do PDF do livro, um livro autografado, outro livros de futebol, como “Causos da Bola”, de
Michel Laurence, e “Juízo Torcida Brasileira”, de Vladir Lemos, até convites para o evento de lançamento, em São Paulo, ainda sem data definida. 
 

Carta
ao doutor

16.09

Amigo torcedor, amigo secador, como
estou longe de SP, peço licença para enviar esta missiva aberta ao craque
Sócrates -ex uma ova!-, a quem sempre conto alguma besteira e de quem, de
volta, recebo sábias palavras ou risonhos desaforos.

Magrones,
caminhava solenemente rumo a uma boate azul, aquela onde se cura a dor de amor,
e um tiozinho me pega pelo braço, aqui em Foz do Iguaçu, na tríplice fronteira,
e sacode: “Você não é aquele que trabalha com o doutor no ‘Cartão
Verde’?”.

Sim,
senhor, eu mesmo, às suas ordens. “Pois diga ao doutor que não é por falta
de fígado que ele vai passar necessidade nesse mundo de meu Deus”,
prossegue. Sim, senhor, mas ele se recupera bem, respira sem aparelhos e está
mais consciente do que no período da Democracia Grecorintiana.

“Meu filho, fale pro doutor que o
meu fígado é dele na hora em que for preciso, palavra de homem”, diz.
“Fiz meus estragos, mas faz tempo que não pratico”.

Seu Laércio Firmino, 67, é uma figura,
mas fala sério. Mesmo. Escuta aí, Magrão: “Não é só uma parte não, se
precisar, o fígado inteiro é dele. Eu me viro lá em cima com o homem e com a
minha velhinha amada, que também já partiu desta”.

Na contramão dos abutres que nada doam e
apenas sugam o drama como pauta oportunista, seu Laércio, torcedor do Vasco, é
um dos milhões de cidadãos do mundo que bebem ou já beberam.

Porque, meu bem, como diz a letra do
clássico ultrarromântico do brega, ninguém é perfeito e a vida é assim. Porque,
para o bem ou para o mal, se bebe, se faz a coisa certa, se faz a coisa errada,
se pratica de tudo nessa passagem, porque o grande clássico da humanidade, o
Fla x Flu, é virtude x vício.

O árbitro desse jogo, claro, é o sr.
Falso Moralismo. É o juiz que mais chuta. Se é difícil julgar em campo, imagina
na vara da existência.

Quer alguém mais virtuoso, em caráter e em espírito, do que o doutor Sócrates
Brasileiro? Quem dera a maioria dos abstêmios tivesse um segundo da sua
sobriedade.

Um beijo, Magrones, espero que não tenha
visto até o fim Argentina x Brasil, sei que não tem paciência para jogos de tal
quilate. Como foi melancólico. Noves fora o chapéu mexicano do Leandro Damião,
a jogada mais repetida na várzea e no futsal, haja tédio, camarada, haja.

Olha, doutor, tenho novidades sobre o Mazinho.
Quando você ficar melhor eu conto, pois é de morrer de rir, aguarde, breve na
área.