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VAR: em cinco perguntas, tire as dúvidas sobre o árbitro de vídeo

Consultamos a Fifa sobre o assunto mais polêmico da Copa. E que fique claro: o árbitro de vídeo está atuando mesmo quando o juiz do gramado não revê o lance

Por Alexandre Salvador - Atualizado em 19 jun 2018, 09h22 - Publicado em 18 jun 2018, 13h34

O lance decisivo do primeiro jogo da seleção brasileira foi, para muitos, o gol suíço, em que o meia Steven Zuber usa os braços sobre as costas do zagueiro Miranda antes de cabecear a bola com força para o fundo da rede. O árbitro mexicano César Ramos não marcou falta no brasileiro e discordaram dele a maioria dos torcedores brasileiros, narradores e comentaristas, e o técnico Tite, embora ele se sinta incomodado em colocar sobre o lance duvidoso a explicação para o resultado. “Gostaria de responder uma pergunta sobre desempenho, porque, caso contrário, fica parecendo que quero dar uma desculpa. Não estou justificando o resultado, mas o lance do Miranda foi muito claro”, disse o treinador logo após o fim da partida.

Galvão Bueno chegou a pôr a culpa numa suposta falta de força política da CBF, hoje presidida pelo coronel Antonio Carlos Nunes, pivô de uma gafe atrás da outra desde que pisou em solo russo. O comentário foi tão deslocado, coisa de mau perdedor, que o locutor da Globo apressou-se em pedir desculpas.

Na ânsia de encontrar um culpado para o empate, jornalistas e torcedores se perderam na novidade e misturaram as bolas. O principal erro de interpretação, pai de todas as outras confusões: o árbitro de vídeo participou, sim, da decisão do lance do gol marcado pela Suíça. Os três juízes na cabine viram e reviram o lance e o consideraram normal. VEJA consultou especialistas no assunto, inclusive da própria Fifa, para trazer respostas claras para as principais dúvidas que surgiram depois de quatro dias de Copa do Mundo.

Antes de ir aos tópicos, é necessário dizer que o sistema do árbitro de vídeo implantado pela Fifa está longe de ser perfeito, não é uma panaceia para todos os lances duvidosos, embora a entidade diga oficialmente que “está muito satisfeita” com sua aplicação. A falta de transparência, inclusive, é o principal gerador de dúvidas entre todos os envolvidos. Fosse igual no basquete, no futebol americano ou no rúgbi, modalidade nas quais o público é informado claramente da tomada de decisão do árbitro, certamente haveria menos questionamentos ou como no vôlei ou no tênis, esportes nos quais existe a possibilidade de pedir o chamado “desafio”.

1) Se o árbitro não vai ao monitor à beira do gramado, isso significa que o VAR não atuou no lance?

Não. Apesar de o gesto com as mãos (imitando uma tela de televisão) e a conferência dos replays das jogadas no monitor serem os símbolos mais marcantes do VAR, essas não são as únicas evidências de que árbitro de vídeo foi usado. Ele é, sim, acionado em todos os lances de gol das partidas, além de faltas violentas passíveis de cartão vermelho ou em caso de erro de identidade de um jogador punido. 

Em resumo, se a equipe do VAR entende que a marcação do gramado foi correta, ela tem duas opções: a primeira é manter-se em silêncio, sem se comunicar com o juiz pelo fone de ouvido. A segunda é fazer um comentário positivo sobre a chamada: “Segue o jogo”, por exemplo. É exatamente isso o que aconteceu no lance do gol suíço: o juiz do gramado validou o gol, o árbitro de vídeo não questionou a marcação e o jogo seguiu.

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2) O juiz em campo pode acionar o VAR?

Em tese, sim. Mas até agora foi o árbitro de vídeo quem abordou o juiz em campo, não o contrário. Essa não é uma abordagem acintosa, com uma bronca. O tom é de sugestão. Em caso de suspeita de irregularidade, o árbitro de vídeo recomenda ao juiz que retarde o reinício de jogo e, ainda com a bola parada, o VAR pergunta ao dono do apito se ele não gostaria de rever o lance. A decisão definitiva é sempre do juiz no gramado.

3) O árbitro em campo pode ignorar uma chamada do VAR?

Sim. Mas é pouco provável que isso ocorra. A comunicação entre o árbitro de vídeo e o juiz da partida é gravada e monitorada pela Fifa. Uma negativa do árbitro principal geraria descontentamento e crise. 

4) Se o juiz põe a mão sobre o ouvido, isso significa que ele está se comunicando com o VAR?

Não necessariamente. Mas isso aconteceu no jogo entre Espanha e Portugal, quando o juiz italiano Gianluca Rocchi demorou alguns instantes antes de reiniciar a partida depois do gol marcado pelo atacante espanhol Diego Costa. Para quem estava no estádio, a impressão que ficou foi de uma conversa entre o VAR e Rocchi, mas a Fifa não confirmou com quem o italiano estava falando naquele momento. A entidade limita-se a dizer que ambos os árbitros, o do gramado e o de vídeo, chegaram à conclusão de que não houve falta na jogada o zagueiro português Pepe reclamou de uma falta na disputa com Costa. 

5) Os jogadores podem chamar o VAR?

No futebol, insista-se, não existe a regra do desafio, comum em outras modalidades que já utilizam há mais tempo as imagens de televisão na arbitragem. Aliás, existe a orientação de punir o jogador que for agressivo na reclamação em casos avaliados pelo árbitro de vídeo, mas ela ainda não foi posta em prática na Copa da Rússia.

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