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Última final entre Brasil e Espanha teve Maracanã lotado e euforia

Sob gritos de "o campeão voltou", a seleção brasileira aplicou 3 a 0 na badalada 'Roja' de Xavi e Iniesta na final da Copa das Confederações de 2013

Por Guilherme Azevedo Atualizado em 5 ago 2021, 11h44 - Publicado em 5 ago 2021, 10h54

Brasil e Espanha se enfrentam no próximo sábado valendo o ouro olímpico nos Jogos de Tóquio, oito anos depois do último encontro valendo taça entre as equipes. O palco do jogo histórico não poderia ser melhor: o Maracanã recém-reformado para a realização da Copa do Mundo no ano seguinte. A seleção brasileira não empolgava a população e a realização da Copa das Confederações muito menos, tanto que manifestações populares contra a realização do evento foram rotina naquele mês de junho de 2013. O duelo, no entanto, terminou em catarse.

A tensão política foi arrefecendo ao longo da competição. Dentro dos estádios, as novas arenas, os torcedores, foram entrando em sintonia com o time dirigido por Luiz Felipe Scolari e liderado por um jovem Neymar, então com 21 anos. O Brasil chegou à final e enfrentou a Espanha, que à época era a campeã mundial e bicampeã europeia, repleta de craques como Iker Casillas, Xavi Hernández e Andrés Iniesta. Quando a bola rolou, um time encaixado, empurrado por 70.000 vozes, surpreendentemente não deu chances para La Roja e em atuação marcante de Fred e Neymar, um 3 a 0 garantiu a taça para o time canarinho.

Era dia 30 de junho e no Rio de Janeiro não era um domingo comum. Após anos fechados para a reforma, o Maracanã receberia novamente um jogo grande e decisivo. A bola estava marcada para rolar às 19h e durante todo o dia as mesas de debate esportivo da televisão falaram sobre o jogo. Era inevitável, também, que a ótima fase da Espanha fosse citada, aliás, o time não perdia havia 29 jogos.

População protestou contra a realização da Copa das Confederações durante a partida
População protestou contra a realização da Copa das Confederações durante a partida Kim Badawi/Getty Images

O Brasil não era um time sem badalação, longe disso. Dani Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo viviam fase excelente, assim como os volantes Paulinho e Luiz Gustavo, que eram elogiados e responsáveis pelo equilíbrio da equipe. O meio-campista Oscar ainda era jovem, se consolidava no Chelsea e prometia explodir ainda mais. Na frente, Neymar estava prestes a alcançar o seu nível mais alto, com a ida ao Barcelona recém-concretizada. Como goleador, Felipão confiava em Fred, em seu auge no Fluminense.

O Brasil na Copa das Confederações
Fred e Neymar comemoram gol da seleção brasileira na final da Copa das Confederações em 2013 contra a Espanha, no Maracanã Rafael Ribeiro/CBF/Divulgação

Minutos antes de a bola rolar, quando o hino nacional foi tocado, a torcida brasileira demonstrou estar disposta a empurrar o time diante dos favoritos espanhóis. Mesmo quando a organização da Fifa cortou o som, a sequência foi cantada à capela, o que se tornaria um hábito no Mundial de 2014. E se o clima era de confiança antes, quando o árbitro Bjorn Kuipers apitou o início da partida tudo se intensificou, pois logo aos dois minutos de jogo, Hulk cruzou para a área e após rebatida, Fred, caído no chão, finalizou e abriu o placar. O Maracanã explodiu.

Minutos depois, antes mesmo da rede espanhola balançar, o Brasil fez outro “gol”, quando o atacante Pedro tocou na saída de Júlio César e David Luiz salvou de carrinho, sobre a linha. O zagueiro do Chelsea vivia a melhor fase da carreira e, após este jogo, foi alçado ao posto de ídolo nacional – condição que, como se sabe, seria arranhada no ano seguinte.

Para coroar o primeiro tempo, aos 44 minutos de jogo, Oscar achou Neymar, que ajeitou o corpo e finalizou forte com a perna esquerda, sem chances para Casillas. Para sacramentar o resultado, logo no início do segundo tempo, Fred ampliou em bonito chute. A Espanha ainda teve a chance de diminuir, mas Sergio Ramos desperdiçou uma penalidade, chutando para fora. Se tudo já estava encaminhado para a seleção brasileira, a certeza do título aumentou quando em questão de cinco minutos do pênalti perdido, Gerard Piqué foi expulso.

Neymar dribla Piqué
Neymar dribla Piqué e sofre falta AMA/Getty Images

O Brasil foi o campeão da Copa das Confederações, com Neymar eleito o melhor da competição. E como a linha do tempo não prevê futuro, a empolgação para a Copa do Mundo do ano seguinte, que também foi disputada no Brasil, era máxima. “O campeão voltou” foi o grito que ecoou naquele início de noite no Maraca. O sonho do hexa, no entanto, acabaria em vergonha, com a goleada por 7 a 1 diante da Alemanha, na semifinal no Mineirão.

Pouco mais de oito anos depois daquele 3 a 0, Brasil e Espanha voltam a se encontrar numa decisão. Desta vez, as seleções disputam o ouro na Olimpíada de Tóquio. O embate está marcado para o próximo sábado, 7, às 8h30 (de Brasília), no Estádio Internacional de Yokohama.

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