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De treinos extras, a golaço e xodó de Guardiola: a trajetória de Ederson

Comprado pelo Manchester City por 143 milhões de reais, goleiro precisou superar pressão na Inglaterra; agora, chega na final com carreira consolidada

Por Klaus Richmond, Guilherme Azevedo Atualizado em 29 Maio 2021, 12h54 - Publicado em 29 Maio 2021, 12h46

Bastaram poucos dias na Inglaterra, em julho de 2017, para Ederson, 27 anos, sentir o tamanho do desafio que teria pela frente. Recém-comprado pelo Manchester City por 34,6 milhões de libras (143 milhões de reais à época), um dos maiores valores envolvendo goleiros, foi alvejado pela imprensa britânica após uma falha cometida contra o arquirrival United, logo na estreia, em uma derrota por 2 a 0, confronto válido por um torneio amistoso disputado em Houston, nos Estados Unidos.

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Ao final da partida, questionado sobre o lance, o técnico espanhol Pep Guardiola surpreendeu ao responder com um elogio: “fiquei muito impressionado com ele. Foi excelente, nesta temporada vai nos ajudar muito”, disse.

A declaração do treinador causou estranheza, mas serviu para externar o tamanho da convicção de Guardiola sobre o seu novo comandado. Quatro anos depois, a decisão do espanhol se mostrou acertada. Ederson chega como uma das principais referências do City para a decisão da Liga dos Campeões deste sábado, às 16h, contra o Chelsea, no estádio do Dragão, no Porto.

  • “Guardiola depositou toda a sua fé em Claudio Bravo [goleiro chileno, hoje no Bétis, contratado em 2016], mas foi um grande fracasso. Ederson precisava ter sucesso e o treinador tinha muita certeza que o faria”, explica a PLACAR o jornalista Paul Hirts, setorista do City pelo The Times.

    A redenção de Ederson naquela temporada foi construída com 45 partidas como titular e um enorme leque de defesas incríveis, além de outros passes espetaculares, a principal característica que carrega. “Ele ganhou a Golden Glove [Luvas de Ouro] pelo maior número de jogos sem sofrer gols nas últimas duas temporadas. Seus reflexos são admirados por todos, mas o melhor atributo que possui é a habilidade de passe. Ederson é um dos melhores do elenco. Guardiola uma vez brincou que poderia jogar contra ele no meio de campo e sugeriu a ‘Eddy’, como é conhecido no vestiário, sobre a hipótese de cobrar pênaltis”, conta Hirts.

    Ederson tem história curiosa. Chegou ao São Paulo com 15 anos, em 2008, mas deixou o clube pouco mais de um ano depois para seguir a formação no Benfica. Saiu para jogar em clubes como GD Ribeirão, onde ficou por uma temporada, e Rio Ave, clube onde, curiosamente, foi reserva de Jan Oblak, esloveno do Atletico de Madrid, uma das referências na posição.

    Ainda tímido e com dificuldades foi aconselhado no Benfica a realizar jornadas duplas de treinamento. Pela manhã, com o sub-19, e a tarde, com o sub-17. “Na formação do Benfica já tínhamos um departamento muito bem estruturado. Ele era acompanhado diariamente e precisava não só potencializar a facilidade de jogar com os pés, mas trabalhar alguns detalhes para que pudesse ser mais completo. Se treinássemos de manhã, ele fazia treinamentos também a tarde, com o sub-17, as vezes trabalhos específicos. De manhã com o sub-19, a tarde com o sub-17”, explica João Tralhão a PLACAR, então auxiliar técnico do sub-19 do clube português.

    Ederson na passagem pelo Benfica, onde ficou até 2017 -
    Ederson na passagem pelo Benfica, onde ficou até 2017 – Bruno Barros/DPI/Getty Images

    “Ele tinha facilidade no convívio, mas era muito tímido. A sua adaptação foi gradual. Os jovens não são lineares, tem muitos altos e baixos mesmo. Alguns com mais expectativa não chegam, por exemplo. O mais importante é que o Ederson sempre foi muito focado naquilo que tinha que fazer. Trabalhou muito para evoluir nas questões técnicas como goleiro e se via que passo a passo ia chegar a ser um profissional”, completa.

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    Tralhão trabalhou com formação de jogadores no clube por 18 anos. Depois, saiu para ser um dos assistentes de Thierry Henry na curta passagem do ex-atacante francês como treinador do Monaco, em 2019. Henry ficou por 104 dias no cargo e acabou demitido mesmo sendo um ídolo local.

    Ficou marcada na memória do ex-auxiliar um jogo contra o Sporting Braga em que, após uma bola recuada, Ederson chutou de sua área direto para o gol rival, marcando para os benfiquistas. “A bola teve uma trajetória perfeita. E não foi um chutão, não, foi com a intenção de acertar a área adversária para chegar aos nossos jogadores. Ficamos surpresos, pois foi um gol diferente, mas sabíamos que ele era capaz de fazer aquilo. Em treinos ele era muito habilidoso com os pés, nunca queria ficar o gol”, lembra.

    No City, Ederson tem a admiração de Guardiola pelo fato de oscilar pouco, principalmente após cometer algum erro dentro da partida. “Quando Ederson comete um erro sua confiança não diminui e quando faz uma excelente defesa, ele se acalma imediatamente”, explica o jornalista inglês.

    Foi marcante um chute na cara que sofreu em bola disputada pelo alto com Sadio Mané, do Liverpool, em 2017. Os Citzens venceram por 5 a 0, mas o goleiro precisou ser substituído. Quatro dias depois, com bandagens e muitos pontos no rosto, estava em campo novamente contra o Feynoord, pela Liga dos Campeões. “Ele é um personagem incrível. Jogar logo após esse acidente”, elogiou Guardiola.

    Com tantas provas vencidas e já apontado como o melhor goleiro da história do clube, ele quer se consolidar de vez. O City busca um inédito título em sua história, enquanto o Chelsea, campeão em 2012, tenta aumentar a sua posição entre os grandes europeus. A equipe de Manchester já ganhou dois títulos nesta temporada: o da Premier League, o Campeonato Inglês, e o da Copa da Liga Inglesa.

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