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Tite revela arrependimento: ter feito tantos comerciais antes da Copa

Treinador da seleção acredita que tamanha exposição pública prejudicou sua imagem. Ele também lamentou não ter mexido no time titular na Rússia

O técnico Tite já tem suas atenções voltadas para o próximo objetivo da seleção brasileira, a Copa América de 2019 em casa, e refletiu sobre os erros cometidos no ano da decepção da equipe na Copa do Mundo da Rússia, que, segundo ele, serviram de aprendizado. E além das decisões tomadas em campo, o treinador gaúcho revelou um arrependimento: ter sido o principal garoto-propaganda do país antes e depois do Mundial.

“Eu faria diferente: exposição pública. Não faria os comerciais que eu fiz. Sabe por quê? Porque foram sempre em dezembro. E vocês sabem, vocês são da mídia. Eles ficam sempre em tempo integral, passando toda hora. Isso enche o saco”, afirmou Tite, em entrevista ao site Gazeta Esportiva.

Tite tomou o cuidado em não deixar que as gravações interferissem em sua agenda com a seleção brasileira, evitou marcas concorrentes aos patrocinadores da CBF e vetou qualquer negociação com bebidas alcoólicas. Mesmo assim, firmou vínculo com quatro empresas e teve seu rosto exposto na tela por mais tempo que Neymar no período.

“A profissão não exige. É minha opção. Eu pegaria e faria um ou dois comerciais, no máximo. Foi muito menos do que eu tinha de proposta, mas eu faria menos.”

Erro em campo: demora para mexer

Em uma espécie de autoanálise sobre os equívocos cometidos à beira do gramado na Rússia, Tite não citou nenhum atleta específico, mas considerou que suas escalações deveriam ser diferentes. “Copa do Mundo e principalmente nos mata-matas, em situações que são muito específicas, pontuais e rápidas, as substituições para início de jogo têm de ser mais rápidas do que eu fiz. Durante o jogo foi normal, mas para início de jogo ela tem de ser mais rápida”, admitiu.

Tite disse que só aceitou permanecer no cargo depois da eliminação nas quartas de final da Copa do Mundo, pois havia iniciado o trabalho “pela metade”, em 2016, após demissão de Dunga. Por isso, gostaria de ter um ciclo completo para o Mundial do Catar, em 2022.

“Apressei todos os processos que podia para chegar na Copa. (…) A partir de agora é aprender e passar as etapas que eu não tive anteriormente. Não é justificativa, mas se eu tivesse feito os quatro anos, eu teria dito ‘olha, passou minha etapa’. Tem outros grandes profissionais para fazer. Não gosto de reeleição. Tchau. Palavra de honra, não ficaria, não”, concluiu.