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Tite nega influência política: ‘Técnico tem de estar alinhado com futebol’

Treinador da seleção negou que tivesse sido ameaçado de demissão por Rogério Caboclo e disse estar "em paz" com a sequência do trabalho

Por Alexandre Senechal Atualizado em 7 jun 2021, 16h13 - Publicado em 7 jun 2021, 16h05

O técnico Tite concedeu entrevista coletiva em Porto Alegre (RS) nesta segunda-feira, 7, véspera da partida entre a seleção brasileira e o Paraguai, em Assunção, pelas Eliminatórias, em meio a um cenário de enorme turbulência nos bastidores. O treinador, porém, a seu estilo, desviou dos temas mais espinhosos, como o afastamento do presidente da CBF, Rogério Caboclo, acusado de assédio moral e sexual por uma funcionária da entidade, e o manifesto que os atletas devem divulgar sobre a realização da Copa América.

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Tite, que antes da partida contra o Equador foi flagrado em um animado papo com Rogério Caboclo, não quis comentar as denúncias contra o mandatário. “Eu compreendo, sim, a dimensão e a gravidade do caso, temos consciência. Agora existe um Comitê que toma as devidas providência, essa alçada e responsabilidade. Sabemos da gravidade, mas não é da nossa alçada e sim do Comitê de Ética.”

Ele, no entanto, negou de forma veemente que tivesse sido ameaçado de demissão por Caboclo e disse que as conversas entre comissão e direção passam pelo gerente de futebol, Juninho Paulista. “Toda comunicação diretiva é com o Juninho, ele é o porta-voz, existe uma hierarquia e um respeito. Ele é o comando da CBF, depois vem a comissão técnica. Estamos constantemente, diariamente tomando café, trabalhando e todas as questões que são do futebol, que são de cunho diretivo, o Juninho está full-time com a gente.”

O técnico também desconversou sobre as críticas que vem recebendo, especialmente de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, incluindo o vice-presidente Hamilton Mourão e o senador Flávio Bolsonaro, que o chamou de “hipócrita” e “puxa-saco de Lula”. “Eu vou falar sobre o meu juízo, minha escala de valores, educação, valores, aquilo que o Sr. Agenor e a Dona Ivone gostariam de ouvir do seu filho. Tenho muito respeito ao trabalho, à seleção, a esse momento de Copa do Mundo e a melhor forma de retribuir essa confiança dos que estão a favor e contra é fazer o meu melhor trabalho possível. Essa é a minha atribuição, esse é o meu lugar de fala e é a isso que vou me ater.”

  • O treinador manteve o discurso de que o posicionamento dos atletas em relação à participação na Copa América será revelada após o jogo contra o o Paraguai. A Copa América está marcada para começar dia 13, em Brasília, com a partida entre Brasil e Venezuela. “O Casemiro foi muito feliz quando externou publicamente, reiteramos essa situação de posicionamento enquanto atletas profissionais ligados ao futebol e no momento que terminar a data Fifa, a comissão técnica e atletas, com muito discernimento vão esclarecer, às pessoas. No nosso tempo. Assim como respeitamos os outros, respeitem o que é o nosso tempo e o nosso trabalho.”

    O técnico admitiu que as pressões e polêmicas têm prejudicado o grupo, mas ressaltou a força mental do grupo, que menteve 100% de aproveitamento em cinco rodadas nas Eliminatórias. “Tem sido bastante difícil, sim, pelo momento social. As pessoas acham que devemos ter opinião para tudo. Nos aprofundamos dentro do futebol, isso fazemos com muita paixão. Temos tido tido uma inteligencia emocional, que é o termo da moda, muito grande. Temos discernimento, sensatez para deixar as provocações do jeito que são. Agora é claro que de alguma forma atrapalham sim. A capacidade emocional que tivemos contra o Equador me enche de orgulho”.

    Ao longo da conversa virtual com jornalistas, Tite manteve tom sereno. “Eu estou em paz. Sinto muita, muita paz pelas pessoas que tenho em volta, pelo nível de pessoas que estão me energizando, olho para quem está próximo. A vezes eu perco e vem alguém da família e retransmite energia. Estamos em um momento de muito discernimento, muita sensatez na conduta do nosso trabalho”, afirmou.

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