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Times históricos: Vélez Sarsfield de 1994

Time de terceira divisão? Acho que não...

O primeiro trabalho do famoso e campeoníssimo Carlos Bianchi não poderia ser de forma diferente. Com um time até então pequeno na Argentina, com apenas um campeonato nacional até a chegada do treinador, o clube virou uma das maiores equipes do mundo.

Com uma defesa consistente e com chances para os jovens que surgiam no clube, o Vélez. Mas, no gol, surgia o maior ídolo e craque da equipe. O goleiro paraguaio Chilavert, além de ir muito bem embaixo das traves, era um goleiro-artilheiro, em cobranças de faltas e pênaltis.

Chilavert, símbolo do Vélez, campeão da Libertadores de 1994 – RICARDO CORREA

Trotta, o capitão do time, era a força da zaga. Um tanto quanto violento, teve 17 expulsões na carreira no futebol argentino. Ao seu lado, Sotomayor completava um paredão quase intransponível.

Na esquerda, o time tinha Cardozo, um dos maiores jogadores da história do Vélez, que ajudou muito nas conquistas da equipe. Já no meio, Basualdo era o homem forte da marcação. Gómez era uma espécie de segundo volante, que ia muito bem naquele time. Já Bassedas era o meia ofensivo da equipe. Revelação do time, ajudou nas conquistas e depois foi para o futebol europeu. Já Pompei era um jogador de mais experiência, que dava grande qualidade ao meio de campo da equipe.

Defesa que sofria poucos gols, em cima de Müller – Nelson Coelho

No ataque, Flores e Asad eram os responsáveis pelos gols do time. Flores fez gols decisivos importantes, enquanto Asad, o El Turco, foi artilheiro do time na Libertadores de 1994 e fez o gol do título Mundial da equipe.

Campeão do torneio Clausura de 1993, o time se classificou para a Copa Libertadores de 1994. O primeiro campeonato do ano, junto com a Copa Libertadores, era o torneio Clausura de 1994. Neste, o Vélez foi mal. Em 19 jogos, foram quatro vitórias, sete empates e oito derrotas, com 23 gols pró e 31 contra, além da 18ª, a antepenúltima posição.

Vélez Sarsfield, campeão mundial de 1994 – Trotta, Gómez, Sotomayor, Almandoz, Chilavert e Basualdo; Bassedas, Asad, Turu Flores, Pomepi e Cardozo – Site oficial do Vélez Sarsfield

A concentração estava na Copa Libertadores. Naquele ano, por azar, os argentinos foram sorteados para jogar contra os brasileiros na primeira fase. Ou seja, além do Vélez, Palmeiras, Cruzeiro e Boca Júniors faziam parte da chave. Contudo, três se classificavam.

A final contra o São Paulo, no Morumbi – RICARDO CORREA

Na estreia, em casa, contra o Boca, empate por 1 x 1, com gol de Flores. Fora, contra o Cruzeiro, novo empate por 1 x 1, com gol de Asad. Em casa, contra o Palmeiras, que vinha de suas vitórias, triunfo de 1 x 0, gol de Asad e vice-liderança na chave. Contra o Boca, fora, com gols de Asad e Basualdo, a vitória por 2 x 1 deixou o time muito perto da vaga. Contra o Cruzeiro, em casa, ela foi confirmada com trinfo de 2 x 0, com gols de Trotta e Asad. Restava o Palmeiras, em São Paulo. E com derrota de 1 x 4, com gol de Pompei, o time terminou a primeira fase em primeiro.

Nas oitavas, contra o Defensor Sporting, do Uruguai, empate em 1 x 1 na casa do rival, com gol de Almandoz. Já em casa, com empate em 0 x 0, a decisão foi para os pênaltis, com triunfo do Vélez, por 4 x 2.

Time comemora a conquista da Libertadores – Site oficial do Vélez Sarsfield

Nas quartas, um adversário mais fácil, o Minervén, da Venezuela. Após empate sem gols fora de casa, o Vélez foi campeão com 2 x 0 em casa, gols de Flores e Asad, a dupla mortal de ataque.

Na semifinal, o rival seria o Junior de Barranquilla, da Colômbia. No primeiro jogo, da Colômbia, derrota por 1 x 2, com gol de Flores para o time argentino. Em casa, com gols de Bassedas e Flores, o Vélez repetiu o 2 x 1 e levou o jogo para os pênaltis. E novamente o time argentino brilhou, garantindo vaga na final, contra o atual bicampeão, São Paulo, que também tinha passado pelos pênaltis duas vezes nas fases anteriores. Chilavert brilhou nos pênaltis, levando o Vélez para a decisão.

Chilavert brilhou na disputa de pênaltis, no Morumbi – RICARDO CORREA

No primeiro jogo, em Buenos Aires, vitória por 1 x 0, com gol de Asad, aos 35 do primeiro tempo. Já na volta, no Morumbi, aos 33 do primeiro, Müller, de pênalti, fez o gol da vitória são-paulina por 1 x 0. Nessa ocasião, novamente, o jogo foi para os pênaltis. Palhinha perdeu a primeira cobrança são paulina, com defesa de Chilavert, enquanto Trotta, Chilavert, Zandoná, Almandoz e Pompei converteram para o Vélez, que sagrou-se campeão.

No torneio Apertura do Campeonato Argentina de 1994, no segundo semestre, sem a Copa Libertadores, o Vélez fez boa campanha e foi terceiro colocado, com nove vitórias, seis empates e quatro derrotas, com 28 gols pró e 16 gols contra. Asad, com sete gols, novamente foi artilheiro do time.

Asad comemora o segundo gol na final do Mundial diante do Milan – Site oficial do Vélez Sarsfield

Restava no entanto, o campeonato mais importante até aquele momento, o Mundial de Clubes, contra o Milan de Fábio Capello, que chamara o Vélez de clube de terceira divisão. Contudo, o que se viu foi um time que funcionava muito bem e era muito campeão. Com gol de Trotta, aos 5 do segundo tempo, de pênalti, e gol de Asad aos 12, o Vélez fez 2 x 0 no Milan e conquistou o título Mundial daquele ano.

Vélez Sarsfield, campeão da Libertadores de 1994 – Trotta, Gómez, Pellegrino, Almandoz, Chilavert, Zandoná e Basualdo; Bassedas, Turu Flores, Omar Asad e Cardozo  -Site oficial do Vélez Sarsfield