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Times históricos: Vasco de 1997

Edmundo, o melhor jogador do mundo?

Por Redação PLACAR Atualizado em 8 mar 2017, 14h19 - Publicado em 15 fev 2017, 17h29

Que time formou o Vasco em 1997. Comandados pelo delegado Antônio Lopes, o Cruz-maltino criou uma seleção, e seria campeão brasileiro após oito anos. Na época, Edmundo, principal jogo do time, era apontado por muitos como o melhor jogador do mundo naquele ano, esquecido pela Fifa em sua premiação de melhor do ano.

E Edmundo tinha ao seu lado ninguém menos que Evair, seu companheiro do Palmeiras de 1993 e 1994, bicampeão paulista e brasileiro, que deram muitos sorrisos para os torcedores alviverdes. Contudo, em 1997, Edmundo usou a camisa 10, deixando a 7 para o volante pegador Nasa, o carregador de pianos do time ao lado de Luisinho. No banco do ataque, o time ainda tinha o experiente Sorato e o jovem Luis Cláudio.

No gol, ninguém menos que Carlos Germano, goleiro de nível de seleção brasileira e que dava muita segurança à equipe. Nas laterais, a qualidade de César Prates, cobrador de falta exímio e excelente no apoio pelo lado direito. Na esquerda, o habilidoso Felipe, um craque com a bola nos pés.

Edmundo, ídolo do Vasco, foi muito bem em 1997 – ALEXANDRE BATTIBUGLI

Já no miolo de zaga, a mistura da raça com a técnica. Odvan era o chamado zagueiro-zagueiro pelo treinador Luxemburgo, que anos mais tarde o chamaria para a seleção brasileira. Ao seu lado jogava o experiente e muito técnico Mauro Galvão, um veterano com muita qualidade.

Já na meia, o “lugar dos craques”, segundo música do Skank, Juninho Pernambucano jogava com a oito e era o organizador dessa máquina além de também ser um craque nas bolas paradas. Ao seu lado jogava o também muito técnico Ramón. E o time ainda tinha uma jovem revelação no banco, chamado Pedrinho…

E o ano começou com as disputas do Campeonato Carioca e do Torneio-Rio-São Paulo. No estadual, o primeiro turno seria a Copa Guanabara. O Vasco fez onze jogos, contra todas as 12 equipes do torneio, vencendo oito, empatando uma e perdendo duas. Com 25 pontos, um a mais que o Flamengo, o clube foi para a decisão com o Botafogo, que vencera as onze partidas naquela Taça Guanabara e jogava muito. Na final, o Botafogo, que podia até empatar, venceu por 1 x 0, gol de Gonçalves.

Nesse período, o Vasco havia sido eliminado na primeira fase do Rio-São Paulo para o Santos. Houve empate em 2 x 2 na Vila Belmiro, com dois de Ramón, e 3 x 3 em São Januário, com dois de Ramón e um de Juninho. Nos pênaltis, o Vasco caiu por 3 x 4.

No estadual, o segundo turno, a Taça Rio, seria disputado pelos oito primeiros da Taça Guanabara, novamente com todos contra todos, com o primeiro colocado ficando com a taça. Com três vitórias, um empate e três derrotas, o Vasco foi apenas quarto colocado, com dez pontos. Novamente o Botafogo venceu o turno.

Para o terceiro turno, os seis melhores na Taça Rio jogariam todos contra todos, classificando o campeão para a final, na qual já estava o Botafogo. Com três vitórias e dois empates, com dez gols pró e três contra, o Vasco venceu o terceiro turno, superando o Fluminense no saldo de gols, por três.

A disputa do título seria entre Botafogo e Vasco. Venceria quem alcançasse seis pontos primeiro. Contudo, por ter vencido dois turnos, o Botafogo entraria com quatro pontos de bônus. Na primeira partida, vitória do Vasco pro 1 x 0. Vencendo o segundo jogo, o Cruz-maltino conquistaria o título. Empate levaria a decisão para a terceira partida, com vantagem de empate para o Fogão. 

Contudo, no Maracanã, com um público baixo, o Botafogo venceu por 1 x 0 e conquistou a taça. Ramón foi vice-artilheiro do torneio, com 14 gols.

Naquele primeiro semestre, o Vasco ainda jogou a Copa do Brasil e iniciou a disputa da Supercopa. Na Copa do Brasil, o Vasco passou pelo Sergipe, na primeira fase, logo no primeiro jogo, com triunfo de 5 x 3. Na segunda fase, no entanto, o time caiu para o Atlético-PR. Perdeu fora por 3 x 1 e, em casa, venceu por apenas 4 x 3, ficando sem a vaga.

Na Supercopa, o Vasco começou a jogar no primeiro semestre pois disputaria uma das duas vagas na fase preliminar com Nacional e Peñarol do Uruguai. Em casa, venceu o Peñarol por 3 x 1 e o Nacional por 1 x 0. Fora, empatou com o Peñarol por 1 x 1 e perdeu para o Nacional por 0 x 2, ficando em primeiro da chave, classificando-se para o grupo 3, com River Plate, Santos e Racing.

Na estreia, já com Evair, que chegara após primeiro semestre no Atlético-MG, venceu o Santos por 2 x 1, em casa, com gols de Evair e Jean (contra). Novamente em casa, contra o Racing, empate por 1 x 1 em casa,com gol de Edmundo.

O maior revés do clube no ano aconteceu na partida seguinte, contra o forte River em Buenos Aires, com triunfo dos argentinos por 1 x 5. Edmundo marcou o único do Vasco.

Contudo, nos dois jogos seguintes, como visitante, duas vitórias do Vasco. Contra o Santos, 2 x 1, com gols de Odvan e Luiz Cláudio, jovem centroavante da base. Já na Argentina, contra o Racing, triunfo por 3 x 2, gols de Ramón, Nasa e Luiz Cláudio.

A vaga seria definida contra o River, no Rio de Janeiro, no dia 30 de outubro. O River vinha de quatro vitórias e uma derrota (para o Santos, fora) e liderava com 12 pontos. O Vasco, com dez, dependia de uma vitória para levar a vaga. Contudo, o River abriu 2 x 0, com gols de Gallardo e Salas. Aos 25 do segundo tempo, o jogo foi interrompido após a torcida do Vasco jogar uma pedra na cabeça do bandeirinha.

A concentração do Vasco naquele ano, por isso, ficou no Campeonato Brasileiro. E o Cruz-maltino fez bonito.

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Contudo, com diversos compromissos no ano, o Vasco estreou no Brasileiro apenas na quarta rodada, contra o Corinthians no Pacaembu, com derrota de 1 x 2, com gol de Edmundo. Por isso, nesta rodada, o clube apareceu na vice-lanterna na tabela geral.

Na quinta rodada, empate em 3 x 3 com o Juventude, com gols de Brenner, Mauro Galvão e Maricá, e lanterna para o Vasco, com jogos a menos.

Em seguida, triunfos importantes, vitória de 2 x 1 sobre o São Paulo, em casa, e 1 x 0 no Flamengo, no Maracanã, com gol do jovem Pedrinho. Com 2 x 0 no Goiás, em São Januário, o time entrou no G8, ainda com jogos a menos.

Na nona rodada, o Vasco fez seu sexto jogo, vencendo o Fluminense no Maracanã por 3 x 1, com gols de Edmundo, Ramón e Pedrinho. Sem jogar por duas rodadas para disputar o torneio Teresa Herrera, na Espanha, o Vasco fez 3 x 0 no Bragantino, em São Januário, com gols de Ramón, Edmundo e Válber. Com cinco vitórias seguidas no torneio, o Vasco ficou em quinto, com muitos jogos a menos que seus rivais.

Na 13ª rodada, empate sem gols contra o América-RN, em Natal e na 14ª derrota para o Santos, na Vila, por 1 x 3. Com riscos de perder lugar no G8, o time teve que se recuperar na 15ª rodada e fez com estilo, vencendo o Sport, na Ilha do Retiro, por 3 x 2, com dois de Edmundo, que começava a brilhar mais, e um de Felipe.

Na 16ª rodada, novo revés. Dessa vez, no Olímpico, derrota de 1 x 3 para o Grêmio. Na 17ª rodada, no entanto, um resultado mudou a história do Vasco no torneio. 6 x 0 contra o União São João, em São Januário, com seis gols de Edmundo, até hoje um recorde no torneio. 

Mas, fora de casa, o time ainda não engrenava. No Barradão, derrota de 2 x 4 para o Vitória. Mas São Januário ajudava o time carioca a se recuperar e se manter no G8. Vitória de 2 x 1 sobre o Internacional e 4 x 1 no Paraná, com dois de Edmundo, ajudou o Vasco a alcançar o terceiro lugar e ficar a oito pontos da incrível Portuguesa, que liderava com um jogo a mais, mas com onze vitórias, quatro empates e apenas uma derrota.

E a virada do Vasco se deu logo contra a própria Lusa, no Canindé. O time da casa saiu na frente com gol de Rodrigo Fabri, mas o Vasco virou com gols de  Edmundo, então artilheiro do torneio, com 15 gols, e Luiz Cláudio, no último minuto. Com isso, o Vasco, ainda em terceiro, diminuiu a diferença para a líder para cinco pontos, com um jogo a menos.

Vasco decidiu o Brasileiro com o Palmeiras – ALEXANDRE BATTIBUGLI

Em seguida, em jogo com gramado encharcado, o Vasco venceu o Palmeiras em São Januário por 2 x 1, com gols de Edmundo e Juninho Pernambucano, ficando a dois gols da segunda colocada Portuguesa, com um jogo a menos, e a três do Inter, com dois jogos a menos, ou seja, um virtual líder.

Com vitória de 2 x 1 sobre o Atlético-PR, em casa, o Vasco passou a Portuguesa, com o mesmo número de pontos (38), mas uma vitória a mais, ficando a um do líder Inter, que ainda tinha dois jogos a mais.

Em jogo atrasado, o empate sem gols com o Cruzeiro, no Mineirão, levou o Vasco para a liderança, que não perderia mais, faltando seis jogos para o clube.

Vieram vitórias de 3 x 2 sobre o Coritiba, fora, 1 x 0 sobre o Botafogo, no clássico do Maracanã, com gol de Evair, 4 x 3 sobre o Criciúma fora (com dois de Ramón e dois de Edmundo), 3 x 1 sobre o Bahia em São Januário, com dois de Edmundo e um de Sorato e 2 x 0 no Atlético-MG, no Maracanã, com dois de Evair. Com isso, o Vasco já chegou na última rodada já classificado em primeiro. Até perdeu (2 x 3) na última rodada para o Guarani, que escapou do rebaixamento, em Campinas.

Ao fim da primeira fase, foram 17 vitórias, três empates e cinco derrotas, com 54 pontos, três a mais que o segundo Inter. Foram 55 gols pró (melhor ataque) e 32 gols contra.

Na estreia da fase semifinal, enfrentou o Juventude no Olímpico e logo fez 3 x 0, com gols de Juninho Pernambuco e Edmundo, além de um de Adilson contra. Na sequência, no Maracanã, empate em 1 x 1 com o Flamengo, com gol de Mauro Galvão. A vaga ficou mais perto com triunfo de 2 x 1 sobre a Portuguesa, no Maracanã, com gols de Juninho Pernambucano e Edmundo.

O Vasco abriu três pontos de vantagem para o segundo colocado, o rival Flamengo, com vantagem para o Vasco em caso de empate no número de pontos, pela campanha na primeira fase. No Morumbi, contra a Portuguesa, nova vitória, dessa vez por 3 x 1. Evair, Ramón e Branco (contra), fizeram os gols do time carioca, que agora dependia de um empate contra o Flamengo, no Maracanã, para chegar à final.

Todavia, o Vasco fez muito mais que isso. Deu um show, com goleada de 4 x 1 e show de Edmundo, que marcou três gols. Maricá ainda marcou o outro. Na última rodada, no Maracanã, o Vasco ainda empatou com o Juventude em 1 x 1, com um time de reservas, com gol de Pedrinho.

Edmundo foi eleito o melhor jogador do Brasileiro de 1997 – Arquivo Placar

A decisão seria contra o Palmeiras, que também fizera campanha fantástica na outra chave. Pela melhor campanha com as fases somadas, o Vasco decidiria em casa e tinha vantagem dos resultados iguais. No Morumbi, empate por 0 x 0. Contudo, o craque do Vasco, Edmundo foi expulso e perderia o jogo da volta. Contudo, sem suspensão automática e com sua expulsão sendo julgada apenas depois de um tempo, o atacante foi liberado para a partida de volta, que também ficou empatada em 0 x 0, dando o título ao Vasco.

Edmundo foi artilheiro do Campeonato Brasileiro, com 29 gols, sendo um recordista, quebrando a marca de Reinaldo, do Atlético-MG, em 1977.

Dos 76 jogos disputados no ano, o Vasco venceu 42, empatou 16 e perdeu 18, com 138 gols pró e 97 gols contra.

Vasco, campeão brasileiro de 1997 – Sorato, Márcio, Carlos Germano, Alex, Mauro Galvão, Válber, Nélson e Odvan; Edmundo, Maricá, Felipe, Pedrinho, Ramón, Mauricinho, Nasa, Juninho Pernambucano e Luisinho – ALEXANDRE BATTIBUGLI
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