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Times históricos: São Paulo de 1992

Tricolor conquistou três títulos oficiais e goleou Barcelona e Real Madrid, em ano maravilhoso

Atual campeão brasileiro, o São Paulo entrou em 1992 com tudo. Naquele ano, além de deixar o rival Palmeiras mais um ano na fila, conquistou sua primeira Libertadores e primeiro Mundial, com um elenco de dar inveja aos rivais e saudade aos tricolores.

Raí foi eleito o melhor jogador do Mundial em 1992 – RICARDO CORREA

No torneio que ajudou o São Paulo a ser um time memorável, dentre os 25 inscritos, o Tricolor tinha jogador fantásticos. O goleiro Zetti dava segurança e tranquilidade a uma zaga, que tinha a técnica e qualidade de Antônio Carlos e a força de Ronaldão. No segundo semestre, Adílson ganhou espaço no time. Cafu era o forte lateral direito, que cumpria o papel com qualidade e força. Na esquerda, o time tinha o já experiente Nelsinho Baptista, com Ronaldo Luiz como opção.

Zetti dava segurança ao gol e pegou pênalti decisivo na Libertadores – NELSON COELHO

Os volantes Sidney e Pintado eram os caras da marcação, que ainda tinha Suélio. Na meia estava o craque do time, Raí. Além dele, Palhinha trazia qualidade e técnica ao meio de campo do time, que ainda tinha uma ataque invejável. Müller, o camisa sete, era experiente de uma Copa e muito técnico. Macedo era o camisa 9, com grande qualidade e muitos gols. Elivélton era um jovem ponta-esquerda de 21 anos. A equipe ainda tinha Catê no banco.

Müller era um dos craques do Tricolor em 1992 – Shaun Botterill/Allsport

Para o segundo turno, o time ainda contratou reforços. Vítor veio para a lateral direita. Válber chegou do Botafogo, vice-campeão brasileiro, para reforçar a zaga, com a saída de Antônio Carlos. O experiente Toninho Cerezo chegou para trazer qualidade para o meio de campo, a volância do time. Além disso, o time trouxe o forte Dinho, para dar pegada a equipe após uma temporada no La Coruña-ESP. Nesse segundo semestre, Cafu jogava de meia e até atacante.

O time era comandado por Telê Santana, com a experiência de duas Copas do Mundo.

Telê Santana foi o comandante do São Paulo de 1992 – RICARDO CORREA

No primeiro semestre, o time começou jogando o Campeonato Brasileiro. Ficou em sexto na primeira fase, em todos contra todos. Venceu oito, empatou cinco e perdeu seis em 19 jogos, somando 21 pontos e ficando em sexto, classificando-se para a segunda fase. Nessa, ficou em terceiro de um grupo com Flamengo (que foi para a final), Vasco e Santos. Apesar da eliminação, o grupo foi equilibrado e o Tricolor saiu com duas vitórias, dois empates e duas derrotas.

Mas nesse primeiro semestre o time também jogou a Copa Libertadores. A final foi no período em que a segunda fase do Brasileiro acontecia. Com chave Brasil-Bolívia na primeira fase, o São Paulo foi segundo colocado em grupo com o campeão da Copa do Brasil, Criciúma, Bolívar-BOL e  San José-BOL. Em casa, venceu Bolívar (2 x 0), Criciúma (4 x 0) e San José (1 x 1). Fora de casa, empatou com o Bolívar (1 x 1), venceu o San José (3 x 0) e perdeu para o time catarinense (0 x 3).

Macedo, na Libertadores, contra o Criciúma – NELSON COELHO

Nas oitavas, contra o Nacional-URU, venceu em Montevidéu por 1 x 0 e no Morumbi por 2 x 0. Nas quartas o rival seria novamente o Criciúma, do interior catarinense. Venceu no Morumbi por 1 x 0 e empatou em Criciúma por 1 x 1, avançando. Contra o Barcelona-EQU, nas semifinais, venceu no Morumbi por 3 x 0 e em Guayaquil foi derrotado por 0 x 2.

Toninho Cerezo no Mundial de 1992, contra o Barcelona – Shaun Botterill/Allsport

Na decisão, no jogo da ida, na Argentina, perdeu para o Newell´s Old Boys por 1 x 0, gol de pênalti de Berizzo. No Morumbi, venceu por 1 x 0, gol de pênalti de Raí, aos 20 do segundo tempo. A decisão foi para os pênaltis, em que Zetti brilhou. Brizzo, que havia marcado na ida, chutou o primeiro pênalti no pé da trave. Raí cobrou para o São Paulo e fez. Zamora marcou para o Newell´s e Ivan para o Tricolor. Llop fez o segundo do time argentino e Ronaldão chutou na mão do goleiro Scoponi, dando a chance dos argentinos passarem à frente na cobrança seguinte. Mendoza bateu por cima do gol. Cafu cobrou para o São Paulo e fez, tirando de Scoponi, que quase pegou. Aí foi a vez de Gamboa, que tinha que marcar para manter o time na briga. Mas brilhou a estrela de Zetti, que pegou no seu canto esquerdo. Com 105.185 pagantes no Morumbi, esse é o maior público do São Paulo, em casa, na história da Libertadores.

Naquele ano, o time ainda jogou o Tereza Herrera. Na semifinal, empatou por 2 x 2 com o Peñarol em La Coruña. Na final, contra o Barcelona, na prévia do que seria o Mundial de Clubes, fez 4 x 1 no Barça, com dois gols de Raí.

Cafu foi importantíssimo para os títulos do São Paulo em 1992 – NELSON COELHO

Ainda naquele ano, o Tricolor jogou o Ramón de Carranza, em Cádiz, e venceu o Cádiz por 2 x 0. Na decisão, contra o Real Madrid, o Tricolor fez 4 x 0, com dois gols de Müller. O time jogou o Troféu Cidade de Barcelona e venceu o Espanyol por 2 x 1 e o Troféu Villa de Madri, perdendo para o Atlético de Madri por 0 x 2.

Na Supercopa Libertadores, enfrentou o Santos na primeira fase. Como visitante, no Palestra Itália, empatou em 1 x 1 com o Peixe no jogo da ida. Na volta, no Pacaembu, fez 4 x 1 no rival, classificando-se para as quartas de final. Perdeu no Morumbi para o Olimpia-PAR por 2 x 1. No jogo da volta, em Assunção, perdeu por 1 x 0.

No segundo semestre, em jogo contra a Portuguesa no Paulista – Adílson, Zetti, Ronaldão, Toninho Cerezo, Vítor, Ronaldo Luís e Pintado; Müller, Palhinha, Raí e Cafu. – RICARDO CORREA

No Paulista de 1992, no segundo semestre, o Tricolor liderou a primeira fase, com 14 vitórias em 26 jogos e três pontos de frente para o segundo colocado Palmeiras (vitória valia dois pontos). Na segunda fase, o Tricolor caiu em grupo com Portuguesa, Ponte Preta e Santos. Por ter vencido a primeira fase, o time já tinha um ponto extra. Nos seis jogos, foram cinco vitórias e um empate. Com o primeiro lugar, o time conseguiu vaga na final contra o Palmeiras, que venceu o outro grupo. Na decisão, no jogo da ida, o São Paulo venceu o Palmeiras por 4 x 2, com três gols de Raí. No jogo da volta, o Tricolor voltou a vencer. Fazia 2 x 0, com gols de Müller e Toninho Cerezo. O Palmeiras ainda descontou com Zinho no final. Esse jogo da volta, logo após o time vencer o Barcelona no Japão, com 110.887 torcedores, tem o quinto maior público da história do São Paulo.

Raí na final do Paulista contra o Palmeiras – RICARDO CORREA

No Mundial de Clubes, último torneio do ano, o Tricolor enfrentou o forte Barcelona de Cruyff, que tinha Zubizarreta, Koeman, Guardiola, Laudrup e Stoichkov. Mas, naquele dia, quem brilhou foi Raí. Stoichkov fez 1 x 0 para o Barcelona aos 12 do primeiro tempo. Raí empatou aos 27 da primeira etapa e aos 33 do segundo tempo, em cobrança perfeita de falta, deu o título ao Tricolor. 

São Paulo no Mundial de Clubes – RICARDO CORREA

No ano de 1992, o São Paulo fez 84 jogos, com 45 vitórias, 21 empates e 18 derrotas, com 133 gols pró e 73 gols contra.

O São Paulo de 1992 – Toninho Cerezo, Gilmar, Vítor, Palhinha, Ronaldo Luís, Macedo, Válber, Marcos Adriano e Carlos Alberto; Cuca, Maurício, Müller, Adílson, Ronaldão e Lula; Dinho, Suélio, Cafu, Elivélton, Rogério Ceni, Zetti, Marcos, Catê, Raí e Pintado – RICARDO CORREA