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Times históricos: Ponte Preta de 1977

Foram sete jogos contra o Corinthians, com cinco vitórias; Mas nas duas derrotas...

Era uma máquina do interior. Mas a Ponte Preta deu azar naquele ano, por diversos motivos. O Corinthians também tinha um grande time e existia toda aquelas expectativa pelo fim da fila de um gigante. Isso jogou contra o time de Campinas, que mesmo assim foi valente até o fim.

Era um time formado por muitos jogadores que chegariam a seleção, e outros tantos outros que fariam história no clube de Campinas. Alguns, ainda virariam técnicos no futuro.

No gol, a experiência do goleiro Carlos, que em 1986 seria titular da seleção brasileira na Copa do Mundo no México. A zaga era formada pela dupla Oscar e Polozzi. Oscar foi outro jogador de muito sucesso, que também chegou à seleção brasileira. As laterais tinha Jair Picerni, na direita, hoje técnico de futebol, e Odirlei, que virou auxiliar técnico.

Carlos dava muita segurança no gol da Ponte Preta – JOSE PINTO

O meio de campo tinha Vanderlei Paiva e Marco Aurélio Moreira. Os dois viraram técnicos hoje. Mas Marco Aurélio era um dos grandes craques daquele incrível time, que ainda tinha Dicá, o Mestre, grande craque daquela equipe.

Dicá era o homem da bola parada na Ponte – JOSE PINTO

Na frente, o time ainda tinha Lúcio Bala, Rui Rei, que gerou grande polêmica naquele ano, ao ser vendido ao Corinthians pouco antes da decisão do estadual, e Tuta, além de Jorge Parraga, outro que virou treinador.

E o primeiro torneio do ano foi o Campeonato Paulista. O primeiro turno era a Taça Cidade de São Paulo. A Ponte caiu no grupo A com Palmeiras, São Bento, Ferroviária e Portuguesa Santista. Apesar de estar em um grupo, na primeira fase o time enfrentaria os outros 18 competidores do estadual. Naquele ano, vitória com diferença de três ou mais gols valia três pontos. Nessa fase, a Ponte foi o segundo time que mais vitórias do tipo conseguiu: três. Foram ainda duas vitórias simples (um ou dois gols de diferença). Aí veio o grande problema do time. Foram dez empates, além de três derrotas, com 29 gols pró e 21 contra. Com isso, o time foi segundo colocado da chave, com 23 pontos, contra 31 do líder Palmeiras.

Neste primeiro turno, a Ponte fez 4 x 0 no Corinthians, em casa; 3 x 1 no Guarani, em casa; empatou com o Palmeiras em 0 x 0, fora; empatou com o Santos por 1 x 1, em casa; e empatou com o São Paulo por 0 x 0, fora de casa. Mesmo com os bons resultados, o time não chegou à semifinal do turno, que acabou conquistado pelo Botafogo de Ribeirão Preto.

No segundo turno, a Taça Governador do Estado de São Paulo, a Ponte, nos mesmos moldes do primeiro, a Ponte esteve no grupo C, com Corinthians, Juventus, XV de Jaú e Portuguesa Santista. Também ficou em segundo na chave, com 29 pontos, mesma pontuação do Corinthians, mas com o saldo de um gol inferior ao Timão. A equipe teve uma vitória de três pontos, onze vitórias simples, quatro empates e duas derrotas, com 25 gols pró e nove contra. 

Ponte Preta teve um grande ano em 1977 – JOSE PINTO

Mesmo não indo para a semifinal do turno, o time se classificou para o terceiro turno como uma das seis melhores campanhas, somando os turnos (foi a quinta melhor somando tudo, inclusive os campeões de turno). No segundo turno, o time perdeu em casa para o Palmeiras por 3 x 4; venceu o Santos fora, por 1 x 0; empatou com o São Paulo, em casa, por 0 x 0; empatou com o Guarani fora por 0 x 0; e voltou a vencer o Corinthians, agora fora, por 2 x 1. Contudo, faltou um gol para chegar na semifinal do turno.

No terceiro turno, a Ponte esteve no grupo E, com Botafogo, Santos e Palmeiras. Apesar de estar em um grupo, novamente o time enfrentaria todos os times da disputa, ou seja, fariam sete jogos.

E a estreia seria logo contra o maior rival, Guarani, em casa, e com vitória de 2 x 0 sobre a Ponte. Na segunda partida, fora de casa, nova vitória sobre o Corinthians, agora por 1 x 0. Ou seja, em três jogos, foram três vitórias contra o Timão. Em casa, contra o Botafogo, uma vitória por 1 x 0 praticamente colocou a Ponte na final.

Em 1977, a Ponte passou pelo Guarani no Paulista – RONALDO KOTSCHO

A vaga foi garantida com vitórias contra Santos, fora, por 1 x 0, e São Paulo, em casa, por 3 x 1. Neste momento, com dez pontos, ninguém chegaria no time de Campinas. A Ponte ainda empatou fora com Portuguesa por 1 x 1 e com Palmeiras por 0 x 0. 

Com 12 pontos, a Ponte chegou à final com oito pontos de frente para Botafogo, Santos e Palmeiras. Palmeiras e Botafogo, no entanto, não fizeram o último jogo, em São Paulo, porque não faria diferença.

O rival na final seria o Corinthians, que não conquistava um título desde 1954. As três finais seriam no Morumbi. E logo no primeiro jogo, o Corinthians venceu por 1 x 0, com gol de Palhinha, para 65.806 torcedores. 

No jogo da volta, que poderia ser de título do Timão, recorde de público no Morumbi, com 138.032 pagantes. Dicá fez 1 x 0 para a Ponte, mas Vaguinho empatou para o Corinthians. Contudo, aos 38 do segundo tempo, Rui Rei fez o gol da vitória ponte-pretana por 2 x 1.

No segundo jogo da final do Paulista de 1977, a Ponte venceu o Corinthians – JOSE PINTO

A decisão seria em 13 de outubro de 1977. Para ser campeão, era necessário atingir quatro pontos. Ou seja, um empate forçaria um quarto jogo. Contudo, com um gol de Basílio aos 36 do segundo tempo tirou o Timão da fila, para 86.677 pagantes no Morumbi.

Contudo, o ano não estava terminado para Ponte, que disputaria o Campeonato Brasileiro. E o time caiu no grupo C, com ABC-RN, América-RN, Ceará, Corinthians, Flamengo-PI, Fortaleza, Guarani, Portuguesa, Ríver-PI e Sampaio Corrêa-MA.

A estreia foi fora de casa, contra o Flamengo do Piauí, com vitória de 2 x 1, com gols de Tuta e Parraga. No segundo jogo, no Maranhão, com o Sampaio Corrêa, empatou sem gols. Em Natal, perdeu para o América por 0 x 1, mas venceu o Ceará em Fortaleza por 3 x 1, com gols de Parraga e Jair Picerni.

Dulcídio Vanderley Boschilla expulsa Rui Rei em decisão do Paulista – JOSE PINTO

Em casa, voltou a vencer o Corinthians, dessa vez por 2 x 1, com gols de Zé Maria e Marco Aurélio. Contra o ABC, em casa, triunfo de 2 x 0, gols de Oscar e Dicá. Contra o Fortaleza, também em casa, fez 3 x 1, com gols de Marco Aurélio (2) e Dario. Fora, empatou sem gols com a Portuguesa e venceu o grande rival Guarani por 1 x 0, com gol de Dicá. Despediu-se dessa fase em casa, contra o Ríver, do Piauí, com vitória por 5 x 0, com gols de Dario (3), Tuta e Afrânio.

Com isso, a Ponte se classificou, com outros quatro clubes da chave, em primeiro lugar, com sete vitórias, dois empates  e apenas uma derrota, com 18 gols pró (melhor ataque do grupo) e cinco gols contra (melhor defesa do grupo). 

Na segunda fase, a Ponte se classificou no grupo I, com Vasco, Remo-PA, Joinville-SC e Confiança-SE. E novamente a Ponte ficou em primeiro, com duas vitórias por dois gols ou mais de diferença, um empate e uma derrota. Com essas vitórias com dois gols ou mais de diferença, a Ponte ficou em primeiro, pois elas valiam três pontos. Com isso, a Ponte ficou com sete, um à frente do Vasco.

A zaga da Ponte era muito forte com Polozzi e Oscar – LEMYR MARTINS

Nessa segunda fase, a Ponte estreou em casa contra o Confiança, com vitória por 3 x 0, com três gols de Lúcio. Fora, contra o Joinville, vitória por 2 x 0, com gols de Dario e Dicá. Em casa, contra o Vasco, empate por 0 x 0. Já classificada, a Ponte jogava a última rodada fora contra o Remo, que lutava pela terceira vaga, fora de casa, e perdeu por 0 x 1.

A terceira fase seria disputada em quatro grupos com seis times cada. Apenas o vencedor iria para a semifinal. A Ponte vinha de ser primeira em seus grupos na primeira e segunda fase e era uma das favoritas. Contudo, no grupo U, contra São Paulo, Grêmio, Botafogo-SP, Sport e XV de Piracicaba, o time foi apenas quarto colocada, atrás dos três tricolores.

A terceira fase começou a ser jogada já em janeiro de 1978. Na estreia a Ponte mostrou favoritismo ao fazer 4 x 1 no Botafogo de Ribeirão, com gols de Jair, Dario, Lúcio e Helinho. Contudo, no segundo jogo, em Campinas, perdeu para o São Paulo por 3 x 1. Tuta fez o gol da Ponte, mas Serginho Chulapa, com dois gols, ajudou o Tricolor a vencer.

Na terceira partida, no Rio Grande do Sul, derrota para o Grêmio, com gol de Oberdan. Praticamente eliminada, a Ponte venceu o XV de Piracicaba, em casa, por 1 x 0, gol de Helinho. Na despedida, no Recife, perdeu para o Sport por 0 x 1, gol de Roberto. Novamente a vitória por dois ou mais gols valia três pontos.

No fim, a Ponte encerrou aquele Brasileiro de 1977 no sétimo lugar, melhor posição da Ponte no torneio até então. Seria superado apenas em 1981, 1985, 1999 e 2001.

Ponte Preta, vice-campeã Paulista de 1977 – Odirlei, Jair Picerni, Vanderlei, Oscar, Carlos e Polozzi; Lúcio, Dicá, Rui Rei, Marco Aurélio e Tuta – Reprodução