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Times históricos: Paraná de 2006

O time campeão paranaense foi reforçado no 2° semestre e fez história

Por Redação PLACAR Atualizado em 8 mar 2017, 14h49 - Publicado em 17 fev 2017, 18h23

Esse talvez tenha sido o melhor ano da história do Paraná Clube e, com certeza, nunca sairá da cabeça do torcedor paranista. Comandado por Caio Júnior, o time mostrou qualidade de jogo com um time sem craques, mas com peças muito bem distribuídas em um 3-6-1 que funcionou muito bem no Campeonato Brasileiro.

No gol, o time tinha o experiente goleiro Flávio, após deixar o rival Atlético-PR, que fazia sua terceiro temporada na equipe e vivia seu melhor momento.

A experiência de Flávio dava segurança ao gol do Paraná – EDISON VARA

Os três zagueiros misturavam experiência, técnica e força. A experiência vinha com Émerson, zagueiro que fez sucesso na Portuguesa e tinha passagens por São Paulo e Botafogo. No Paraná, era uma espécie de líbero. O outro titular era o jovem Gustavo, de Campinas, que tinha passado pelos rivais Guarani e Ponte Preta, além de ter atuado no futebol europeu. Ao final do ano, seria levado ao Palmeiras por Caio Júnior, assim como o terceiro zagueiro do time, o responsável pela raça: Edmílson, o canhão do pantanal, também conhecido como Dubinha, que tinha um chute potente que, muitas vezes, se transformava em gols.

Nesse time, outro jogador de destaque, que também foi ao Palmeiras após essa temporada era o volante Pierre, que foi ganhando espaço no time e mostrando muita qualidade no desarme. Era um cão de guarda da equipe, que mais na frente tinha um jovem Maicosuel, que mostrava muita técnica com a bola nos pés.

Pierre era um carregador de piano no time – RENATO PIZZUTTO

No ataque, Cristiano e Leonardo eram os principais nomes do time. Leonardo, que chegara do Vitória, era o principal. Já Cristiano, sergipano com passagens por diversos clubes do estado, era outra boa opção. Ele foi outro jogador levado por Caio Júnior para o Palmeiras no ano seguinte.

E o primeiro campeonato do ano seria o Paranaense. O Paraná caiu no grupo B, junto com Coritiba, Londrina, Adap, Roma, Paranavaí, União Bandeirante e Toledo. Após jogos de ida e volta dentro da chave, o clube acabou em primeiro, com sete vitórias, cinco empates e duas derrotas, com 24 gols pró e 13 contra. As únicas derrotas foram o Londrina, fora, e o Roma, também fora. No clássico contra o Coritiba, empate por 1 x 1 e vitória por 3 x 0, o que ajudou a deixar o Tricolor um ponto à frente do Alviverde nesta fase.

Émerson trazia experiência à zaga do Paraná – RENATO PIZZUTTO

Nas quartas de final, o rival seria o Iraty, quarto colocado do grupo A. Na ida, vitória de 1 x 0 do Paraná como visitante. Na volta, em casa, empate em 1 x 1 que levou o time à semifinal, mostrando que o time de Caio Júnior seria competitivo neste ano. O Atlético-PR fora eliminado pelo Adap, que eliminaria o Coritiba, nos pênaltis, na semifinal. Na outra, o Paraná não deu espaço para a zebra. Venceu o Rio Branco, fora de casa, por 2 x 1, e em casa, por 3 x 0, chegando à decisão.

E o primeiro jogo seria em Maringá, contra o Adap. E, de cara, o Paraná mostrou que teria força no ano, vencendo por 3 x 0, gols de Maicosuel e Leonardo (2). Na volta, no Pinheirão, o Paraná manteve o controle da situação e foi campeão com empate por 1 x 1. Até saiu atrás, mas empatou com Marcelinho aos 20 do segundo tempo.

Leonardo era o principal centroavante do Paraná – GILSON ABREU

Com nove gols, Leonardo foi o artilheiro da equipe naquele campeonato. Foi o sétimo título estadual do Paraná, que dominou as conquistas na década de 1990, o primeiro em oito anos.

Por ter ido mal no estadual em 2005, o time não se classificou e não disputou a Copa do Brasil de 2006. 

Restava para o clube, naquele ano, a disputa da Copa Sul-americana e do Campeonato Brasileiro. Por ter sido sétimo colocado no torneio de 2005, uma campanha já incrível, o Paraná se classificou para a Copa Sul-americana, com Borges, Thiago Neves, Vicente e Daniel Marques, que deixaram o time no fim do ano.

Maicosuel surgia como revelação do clube – GILSON ABREU

E no torneio, o adversário da primeira fase foi logo um clássico, contra o experiente Atlético-PR, vice-campeão da Libertadores um ano antes. No jogo de ida, em casa, Cristiano até abriu o placar para o Paraná, mas o Atlético-PR virou o jogo e venceu por 3 x 1 fora de casa. Como mandante, o Furacão voltou a vencer com triunfo de 1 x 0, eliminando o Paraná.

Em contrapartida, no Brasileiro daquele ano, o Paraná mostrou uma consistência incrível, especialmente jogando em casa. Na estreia, perdeu para o Juventude fora de casa (0 x 1), e na estreia em casa, não saiu do 0 com o Botafogo. Contudo, no jogo seguinte, o time mostrou que teria muita força em casa. Contra o Grêmio, venceu por 5 x 2. Fora, perdeu para o Fluminense (1 x 2), e, novamente em casa, teve um dos raros tropeços, perdendo para o Corinthians (1 x 2), mas se acertaria umas rodadas para frente.

Na sequência, empatou dois jogos: Fortaleza, fora por 1 x 1 e Figueirense, em casa, por 0 x 0. Contudo, o time engrenaria com duas vitórias muito convincentes naquele ano: 5 x 2 na Ponte Preta, fora de casa, e com 3 x 0 diante do Santa Cruz, em casa, com dois gols de Leonardo.

Na partida seguinte, contra o Goiás, virou o jogo após os 30 do segundo tempo, com dois gols em vitória de 2 x 1. A quarta vitória seguida foi uma goleada de 4 x 1 contra o Flamengo, em Volta Redonda, com dois gols do zagueiro Edmílson.

Edmílson, o Canhão do Panatanal – RENATO PIZZUTTO

A quinta vitória seguida viria no clássico contra o Atlético-PR, com mando do Paraná, por 2 x 1. No jogo seguinte, também em casa, o Paraná venceu o Cruzeiro por 1 x 0, com gol de Maicosuel. 

Após seis vitórias seguidas, o Paraná mostrou que viria com força no torneio. No jogo seguinte, em São Paulo, contra o Palmeiras, derrota por 2 x 4. A recuperação viria na rodada seguinte, novamente em casa, com vitória por 2 x 1 contra o Vasco. Contra o Santos, também em casa, no entanto, empate por 1 x 1.

Apesar da derrota para o Palmeiras, em São Paulo, o Paraná mostrou bom futebol e devolveria o placar em casa – Renato Pizzuto

Na penúltima rodada do turno, vitória de 1 x 0 contra o São Caetano com gol de Edmílson aos 49 do segundo tempo. Na última rodada, contra o líder São Paulo, no Morumbi, derrota por 2 x 3 em jogo duro, no qual o Paraná chegou a estar vencendo por 1 x 0 e por 2 x 1.

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Paraná fez jogo muito bons contra o São Paulo – RENATO PIZZUTTO

A derrota de 2 x 3 para o Inter, no Beira-Rio, foi um jogo atrasado, que aconteceu apenas um mês depois da 17ª rodada, por conta dos compromissos do Colorado na Copa Libertadores.

Ao fim do primeiro turno, o Paraná chegou em quarto, com 31 pontos, um a menos que o terceiro colocado Santos, três a menos que o segundo Inter e sete a menos que o líder São Paulo, clube que poderia ter alcançado após a última rodada.

Todavia, por conta do jogo atrasado contra o Inter, o Paraná virou o turno em terceiro, com esse jogo a menos.

Caio Júnior fez um grande trabalho no Paraná – EDISON VARA

O Paraná ficou marcado no primeiro turno por ter marcado sete gols após os 40 minutos de jogo e pela ótima campanha em casa, com dez jogos, seis vitórias, três empates e apenas uma derrota.

No returno, no entanto, o time começou com um tropeço sério. Contra o Juventude, perdeu por 0 x 1 em casa. Contra o Botafogo, no Rio, uma goleada de 0 x 4 dava a impressão de que o time cairia muito na tabela. Contra o Grêmio, no Sul, uma derrota por 1 x 2 foi a quarta seguida no torneio. 

A recuperação veio contra o Fluminense, em casa, na rodada seguinte, com 1 x 0, gol de Cristiano. Depois disso, derrota para o Corinthians, em São Paulo, por 0 x 1. Mas, novamente em casa, contra o Fortaleza, uma vitória de 2 x 0 colocou o Paraná nos trilhos, na quinta colocação, última da zona de classificação para a Libertadores.

Contra o Figueirense, em Florianópolis, a vitória de 1 x 0, com gol de Batista colocou com vantagem na quinta colocação. Antes do jogo contra a Ponte, o time fez o jogo atrasado contra o Inter e perdeu, permanecendo no mesmo lugar.

Contra o Inter, Paraná fez jogos lutando por vaga nas primeiras colocações – EDISON VARA

Contra a Ponte, no entanto, em casa, a vitória por 2 x 1, com gols de Batista e Eltinho fez o time abrir três pontos do sexto colocado Cruzeiro e ficar a um do quarto, Internacional.

Contra o Santa Cruz, no Recife, com dois de Cristiano, uma vitória de 3 x 1 fez o Paraná abrir cinco pontos de frente para Cruzeiro e Vasco, além de manter o time na briga para, pelo menos, o vice-campeonato nacional.

Contra o Goiás, em casa, Henrique fez o que o Paraná estava acostumado naquele torneio: uma vitória com gol no fim. Aos 42 do segundo tempo, o jogador marcou para o triunfo do Paraná por 1 x 0. 

Com isso, o Paraná passou o Santos e foi para o quarto lugar na tabela. Contudo, na rodada seguinte, novamente em casa, uma derrota de 0 x 2 para o Flamengo deixou o time ameaçado, em quinto, a apenas dois pontos do sexto Vasco. 

No clássico contra o Atlético, na 31ª rodada uma goleada por 0 x 4 poderia por tudo a perder. O Paraná caiu para sexto, ficando a um ponto do quinto Vasco. Os cariocas perderam na rodada segunda e o Paraná, jogando fora, contra o Cruzeiro, empatou em 2 x 2, com dois de Sandro. O time esteve vencendo por 1 x 0 e depois por 2 x 1, com um gol aos 42 do segundo tempo, mas sofreu do próprio castigo, tomando o empate aos 45 da segunda etapa. Mesmo assim, o time voltou ao quinto lugar, com o mesmo número de pontos que o Vasco.

Contra o Palmeiras, em casa, o Paraná deu show e devolveu o 4 x 2 do primeiro turno, novamente com dois gols de Sandro. Com isso, o Paraná abriu três pontos do Vasco e ainda ficou a dois de Santos e Grêmio, que perderam os clássicos para São Paulo e Internacional, que disparavam nos primeiros lugares.

Batista se tornou muito importante para o time do Paraná durante o Brasileiro – RENATO PIZZUTTO

Na 34ª rodada, confronto direto pela quinta vaga na Libertadores. No Rio, contra o Vasco, derrota por 1 x 3. Mesmo assim, o Paraná se manteve em quinto. Os clubes tinha o mesmo número de pontos, mas o Paraná tinha duas vitórias a mais.

Na rodada seguinte, derrota para o Santos, na Vila, por 0 x 1. Com um empate em casa com o Juventude, o Vasco abriu um ponto do Tricolor. Para piorar, o Figueirense aparecia a apenas três pontos do time de Curitiba, faltando três rodadas para o término do torneio.

Na antepenúltima rodada, contra o Internacional, em casa, vitória por 1 x 0, com gol de Leonardo. Mas o Vasco também vencia, o São Caetano, fora, por 1 x 0, mantendo a vantagem de um ponto, faltando duas rodadas.

E a penúltima rodada era contra o praticamente rebaixado São Caetano, fora de casa. E o Paraná fez 2 x 0, com um gol contra de Thiago e outro de Joelson, aos 43 do segundo tempo. Com o empate do Vasco em São Januário por 1 x 1, o Paraná abriu um ponto da equipe carioca. 

Tudo ficou para a última rodada. O Figueirense estava três pontos atrás, mas tinha três vitórias a menos e não era ameaça. O Paraná recebia em casa o já campeão São Paulo e teria que fazer, ao menos, o mesmo placar que o Vasco, que enfrentava o Figueirense fora. O Vasco ficou no 0 x 0 e o Paraná também, garantindo vaga na Copa Libertadores de 2007 e encerrando o ano com chave de ouro.

Paraná, campeão paranaense de 2006 – Émerson, João Vitor, João Paulo, Sandro, Serginho, Gustavo, Elton, Beto, Marcos Leandro e Flávio; Vandinho, Marcelinho, Leonardo, Rafael Muçamba, Edinho, Eder, Goiano e Rodrigo Alvim – Gilson Abreu
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