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Tevez, Macri, Maradona, Gallardo… a final suspensa em 10 frases

O adiamento da final da Libertadores gerou vergonha e revolta na Argentina. Boca Juniors cogita vitória nos tribunais, enquanto River Plate protesta

O segundo jogo da final da Copa Libertadores entre River Plate e Boca Juniors, no Monumental de Nuñez, foi adiado duas vezes depois que torcedores da equipe anfitriã atiraram objetos no ônibus rival, machucando alguns jogadores boquenses, que não tiveram condição de realizar a partida no último sábado, 24. A Conmebol, então, resolveu marcar a partida para o dia seguinte, mas teve de cancelá-la novamente, a pedido de Daniel Angelici, presidente do Boca. Uma nova decisão será anunciada na próxima terça-feira, 27, na sede da entidade, no Paraguai, e ficam as dúvidas: haverá jogo? Quando e onde?

A confusão tem um antecedente histórico que pode pesar nos tribunais: em 2015, em clássico válido pelas oitavas de final, um torcedor do Boca lançou gás de pimenta no túnel por onde os jogadores do River tinham acesso ao gramado da Bombonera. O jogo foi cancelado e a Conmebol optou por eliminar o clube da casa. Neste ano, o Boca pede punições disciplinares ao River.  O conflito nos bastidores contribuiu com declarações fortes de jogadores, dirigentes e até do presidente argentino e ex-mandatário do Boca, Maurício Macri, que culpou a torcida organizada do River.

Macri: ‘A torcida do River organizou a agressão’

“Foi a barra (torcida organizada) do River que organizou esta agressão. Recebemos o presidente da Fifa (Gianni Infantino) e ele viveu uma experiência espantosa desde que saiu do carro e chegou ao estádio. Precisamos que as forças de segurança e cada um de nós trabalhe para terminar coma a violência. Não vou me resignar.”

Mauricio Macri, presidente da Argentina, em entrevista coletiva

D’Onofrio: ‘Dar o título ao Boca é traição’

“Não existe nenhuma possibilidade de darem o jogo por vencido ao Boca. Se acontecer será uma vergonha absoluta e total, uma das maiores traições que alguém pode fazer. A diferença entre este fato e o gás de pimenta na Bombonera é que naquela vez foi dentro do estádio e contra os jogadores no intervalo. Isso aconteceu fora do círculo do River.”

Rodolfo D’Onofrio, presidente do River Plate, em entrevista ao canal América

Angelici: ‘Devo este título à torcida do Boca’

“As partidas se ganham e se perdem dentro de campo, mas sou o presidente do Boca e não posso atuar a título pessoal, devo defender os interesses do clube. Nós devemos isso à torcida do Boca. Sei como eles se sentem com relação ao que aconteceu em 2015.”

Daniel Angelici, presidente do Boca Juniors, em entrevista coletiva

Schelotto: ‘Estávamos em desvantagem’

“Claramente estávamos em desvantagem desportiva, ontem e hoje (sábado e domingo). O melhor para o Bcoa era não ter jogado, porque não estávamos nas mesmas condições que o River. Nos sentimos em desvantagem, não estávamos preparados. Todos sabem e viram o que nos passou no ônibus.”

Guillermo Schelotto, técnico do Boca Juniors, em entrevista coletiva

Gallardo: ‘É o retrato da sociedade’

“O que era para ser uma festa de futebol, termina com esse embaraço, que mostra o que está acontecendo com a nossa sociedade. Outra vez nós fomos expostos.”

Marcelo Gallardo, técnico do River Plate, em entrevista à Fox Sports da Argentina

Tevez: ‘O que a Conmebol está fazendo é uma vergonha’

“O que a Conmebol faz é uma vergonha. Se fosse com o Boca, já estávamos fora. A Copa seria do River. Não foi assim em La Bombonera? Eliminaram o Boca em 2015. (…) Se tiver que jogar, vamos jogar, mas 

Carlos Tevez, atacante do Boca Juniors, em entrevista coletiva

Pérez: ‘Não vou jogar em um campo onde posso morrer’

“É uma vergonha o que passou. Não posso jogar em um campo onde não me dão segurança. O que aconteceria se jogássemos e ganhássemos? Quem iria me tirar de lá? Se as pessoas estavam loucas antes de entrar, imagina se ganhássemos. Iriam me matar. Não vou jogar em um campo onde posso morrer.”

Pablo Pérez, volante e capitão do Boca Juniors, em entrevista coletiva

Benedetto: ‘Que deem o título ao River’

“Que deem a taça ao River Plate, que tem tanto peso na Conmebol. Nunca acontece nada com eles.”

Darío Benedetto, atacante do Boca Juniors, em entrevista coletiva

Maradona: ‘Espero que a Conmebol dê o título ao Boca’

“Espero que a Conmebol atue de maneira séria e dê o Boca como campeão da Libertadores. Além do amor que sinto pelo clube, há um regulamento que precisa ser cumprido. As sanções são claras, assim como nos tiraram os pontos em 2015. Gosto de ganhar dentro de campo, mas as normas precisam ser respeitadas.”

Diego Maradona, ex-jogador do Boca Juniors, em suas redes sociais

Batistuta: ‘Mais uma vergonha enquanto o mundo nos observa’

“Preparado para ver a partida e tenho que viver outra vez, na frente dos meus filhos, a um espetáculo desagradável. Até quando? Mais uma oportunidade perdida diante do mundo inteiro que nos observa. Vergonhoso, lamentável.”

Gabriel Batistuta, ex-jogador de Boca e River, em suas redes sociais