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#TBT: Quando o império de Adriano começou a ruir

Reportagem de PLACAR de agosto de 2007 destacava a decadência do artilheiro – que ainda teria bons momentos até a aposentadoria precoce e triste

Por Luiz Felipe Castro - Atualizado em 27 Feb 2020, 14h53 - Publicado em 20 Feb 2020, 10h16

O ex-atacante Adriano, o antigo “Imperador” de Milão e atual “Didico” para seus milhões de seguidores, completou 38 anos na última segunda-feira 18. Celebrou como mais gosta: descamisado, entre amigos e parentes, e distribuindo bordões ininteligíveis nas postagens em suas redes sociais. O maior orgulho da favela de Vila Cruzeiro, no Rio, reencontrou a felicidade nos hábitos mais simples, longe da badalada vida que levava como estrela da seleção brasileira e da Inter. Adriano está longe do futebol de elite há pelo menos seis anos. Há 13, PLACAR já destacava o início de sua ruína.

A reportagem de capa da edição de agosto de 2007, intitulada “A queda do Imperador” e assinada pelo jornalista Gian Oddi, destacava como a morte do pai e outros problemas pessoais influenciaram na derrocada do atacante, que na época tinha apenas 25 anos. “Em cinco anos ele saiu da favela e virou Imperador de Milão. Eu via as coisas e pensava: isso não é vida normal, é Disneylândia para gente grande! Junte isso à falta de estrutura social dele. O cara passou a ter tudo que queria”, contou Flávio Pinto, amigo e então integrante do staff de Adriano.

Tudo corria perfeitamente bem até a morte de Almir Leite Ribeiro, pai do craque, no dia 3 de agosto de 2004, semanas depois de Adriano marcar o gol mais recordado de sua carreira, nos acréscimos da final da Copa América diante da Argentina. Ele ainda teria temporadas de gols e sucesso, mas a saudade do pai já começava a sufocá-lo. O astro da Inter, então, buscou refúgio no álcool e começou a exagerar na noite milanesa.

“Não tem jeito, já falei muito sobre isso com ele. Ele sai mesmo. Sabe que prejudica sua imagem, mas garantiu que vai melhorar”, contou Gimar Rinaldi, então seu agente, que dizia ter com Adriano uma relação de “pai e filho”. O nascimento de Adriano Júnior, o caçula do atleta, em junho de 2006, às vésperas da Copa do Mundo da Alemanha, foi o segundo grande baque. Ele já estava separado de Daniele Carvalho, a mãe do garoto. “O Adriano está sem rumo e um dos motivos, creio, é ter sido pai muito jovem. Essa responsabilidade para uma pessoa que não é madura pode desestabilizar a vida”, afirmou o jornalista italiano Nicola Cecere.

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Depois daquela reportagem, Adriano ainda teria bons momentos na carreira. Meses depois, se destacaria em seu retorno ao Brasil, pelo São Paulo. Em 2009, foi uma das estrelas do título brasileiro do Flamengo. Depois acumulou passagens curtas e ruins por Roma, Corinthians (no clube paulista, fez um gol importantíssimo, contra o Atlético-MG, na campanha do título nacional em 2011, mas pouco jogou) e Atlético-PR. Se mantivesse o foco e não tivesse sofrido com lesões, certamente teria sido o camisa 9 da seleção nas Copas da África do Sul e do Brasil. Desde 2014, o Imperador só atua em partidas festivas, como a do ídolo Zico, e sempre recebe enorme carinho dos fãs.

Adriano hoje vive em um luxuoso condomínio na Barra da Tijuca, mas vira e mexe retorna à Vila Cruzeiro para rever os amigos. Desconfiado e tímido, concede raras entrevistas. Numa delas, admitiu ao apresentador Pedro Bial que poderia ter ido bem mais longe. “Não consegui completar a minha carreira por inteiro. Aconteceram algumas coisas que me afastaram do futebol. Posso dizer que ficou na metade”, reconheceu, em 2017. Como adiantou VEJA, a vida de Adriano deve ser contada, com suas decepções e glórias, nos cinemas em 2020.

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