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#TBT: Quando Marinho encantou no Bangu e recebeu a Bola de Ouro da PLACAR

Reportagem de capa contava a história do craque do Brasileirão de 1985, que esteve a um apito do título nacional inédito pelo clube carioca

Por Danilo Monteiro - Atualizado em 18 Jun 2020, 17h32 - Publicado em 18 Jun 2020, 13h18

“O maior craque da Taça”, destacava PLACAR na capa carioca do dia 9 agosto de 1985. Era Marinho, o ponta do Bangu, eleito o Bola de Ouro pela revista naquele ano. A reportagem de Tim Lopes, célebre repórter investigativo e que foi morto em 2002, contava a história do mineiro engraxate que marcou 16 gols e levou o Bangu à final do Campeonato Brasileiro, ainda chamado de Taça Ouro. “Ele já foi engraxate, agora quer ser Garrincha”, dizia a matéria de capa para o Rio (para o restante do país, circulou a capa do Coritiba campeão).

O talento de Marinho pelas pontas chegou a lembrar os de Garrincha, com dribles desconcertantes e grandes jogadas individuais. A consagração que o mineiro de 28 anos, queria, porém, lhe foi tirada de uma das formas mais dolorosas no futebol. Em 1985, Coritiba e Bangu decidiam a Taça Ouro no Maracanã e empatavam em 1 a 1. No segundo tempo, Marinho fez das suas, invadiu área, driblou o goleiro e colocou a bola entre as pernas do zagueiro do Coxa, golaço do Bangu. Era o gol do título, se o bandeirinha não tivesse assinalado o impedimento. Nos pênaltis, o drama foi ainda maior quando o time carioca deixou escapar a maior chance de sua história nas cobranças alternadas.

Reprodução/Placar

À época, nem a Bola de Ouro da PLACAR conseguiu elevar os ânimos de Marinho. “Aquele gol ia me consagrar pelo resto da minha vida”, desabafou na reportagem. O ponta, entretanto, não contava que própria campanha do Bangu em 1985, quando foi finalista do Campeonato Carioca e do Brasileirão, seria lembrada como a melhor da história do time carioca. O prêmio de craque que ele recebeu, inclusive, se tornaria uma raridade para um jogador de times modestos. Revelado pelo Atlético-MG, Marinho contou que caminhava por duas horas para treinar no clube quando garoto. “Eu sofri, passei maus bocados na vida e sei que é barra pesada”, disse, justificando as ajudas que dava a quem precisasse.

Reprodução/Placar

O sucesso de 1985 fez Marinho ser um dos principais nomes na lista de Telê Santana para o ano seguinte. Ele chegou a ser convocado para os jogos de preparação para a Copa do México, mas foi cortado. A idolatria por Garrincha foi um dos motivos para Marinho ir ao Botafogo em 1988, mas ele não conseguiu repetir o sucesso de seu ano de ouro até 1996, quando se aposentou. Marinho tentou ser treinador em 2009 no próprio Bangu, mas não seguiu a profissão. O craque de 85 morreu na última segunda-feira 15, em Belo Horizonte, devido a uma infecção no pâncreas.

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