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#TBT: O fim do jejum do São Paulo de Laudo Natel, o ‘pai do Morumbi’

Reportagem detalhava as razões para o título do Paulistão de 1970; não por coincidência, o Tricolor saiu da fila no mesmo ano em que finalizou seu estádio

Por Danilo Monteiro - 21 Maio 2020, 08h52

“Agora, já posso pendurar as chuteiras e dar meu lugar a dirigentes novos”. Foi assim que Laudo Natel se despediu da presidência do São Paulo após a conquista do Campeonato Paulista de 1970. Foram 12 longos anos de jejum para o tricolor paulista, 11 deles sob o comando do dirigente de São Manuel, pequeno município do interior do estado. A justificativa? Natel preferiu dedicar todo seu esforço na construção do estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi, que por muito tempo foi o maior estádio particular do mundo.

Há 50 anos, em uma rápida entrevista a PLACAR após o título, o futuro governador de São Paulo – ele assumiria o cargo pela segunda vez no ano seguinte – profetizou em sua saída: “Este título será o começo de nova fase na vida do São Paulo”. A reportagem “Deu São Paulo, eis os motivos”, assinada por Pio Pinheiro em 18 de setembro de 1970 (clique aqui para ler a edição na íntegra), traz à tona os principais fatores que colocaram o São Paulo de volta ao caminho dos títulos. Entre os destaques, a pouca quantidade de craques em comparação ao Santos de Pelé e ao Palmeiras, mas união, entendimento tático e organização do clube como uma forma de compensação ao então pouco espaço para sonhos mais ambiciosos. A reportagem abre espaço para o trabalho do psicólogo João Carvalhaes na preparação dos jogadores para o campeonato.

A capa do número 27 de PLACAR, de 18 de setembro de 1970 Reprodução/Placar

A profecia de Natel a PLACAR estava certa e o ex-presidente abriu caminho para as maiores conquistas da história do São Paulo – a maioria delas tendo o Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi, como palco. Do primeiro título brasileiro, em 1977, passando pela conquista inédita da Copa Libertadores, em 1992, ao tricampeonato da América em 2005, o Morumbi está cravado na história como um dos estádios mais importantes do futebol brasileiro. O pontapé inicial para o surgimento do estádio, entretanto, foi dado a duras penas pela economia de Natel na compra de jogadores, que privou o clube de bater de frente contra o Santos de Pelé e o elenco de craques do Palmeiras.

Foram campanhas modestas do São Paulo até o fim do jejum em 1970, como diz a reportagem de Pio Pinheiro, mas a economia, desde o início da obra em 1952, valeu a pena. Natel participou de campanhas publicitárias de uma fabricante de pregos e parafusos, arrecadando dinheiro e milhares de unidades para a obra do estádio. A principal fonte de renda para a construção, porém, foi a aproximação de jogadores aos torcedores, com objetivo de vender cadeiras cativas. À época, o goleiro, ídolo e futuro técnico José Poy batia de porta em porta para tentar vender – com sucesso – as cativas.

Sócio do São Paulo em 1946, quando se mudou para a capital, Laudo Natel precisou de 12 anos para assumir a presidência do clube, depois de ter tido sucesso à frente da direção de finanças do time (1952-1958). A construção do Morumbi sempre foi seu principal objetivo e ele o cumpriu entregando o estádio ao clube sem nenhuma dívida. O “pai do Morumbi” e patrono do São Paulo morreu na última segunda-feira 18, por causas não divulgadas, quatro meses de completar 100 anos de idade.

Reprodução/Placar
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