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#TBT: Há 20 anos, Guga vencia em Paris e fazia PLACAR ‘esquecer’ futebol

O bicampeonato de Roland Garros em 2000 deu início ao melhor ano da carreira de Gustavo Kuerten, retratado em sete páginas da revista por Álvaro de Almeida

Por Danilo Monteiro - Atualizado em 11 jun 2020, 18h29 - Publicado em 11 jun 2020, 16h50

Há exatos 20 anos, em 11 de junho de 2000, Gustavo Kuerten entrou na quadra Philippe Chatrier, em Paris, para vencer o sueco Magnus Norman e provar que o título de Roland Garros de 1997 não foi uma exceção. Alguns meses mais tarde, PLACAR voltava a abrir mão da exclusividade da cobertura do futebol para dar grande espaço ao auge do maior tenista da história do Brasil. “Esqueça por um momento Zidanes, Romários e Figos: o craque do ano foi este homem (Guga)”, anunciava o editor Álvaro de Almeida na reportagem “O melhor do mundo”.

“O país do futebol se rendeu ao tênis. E a proclamação foi feita justamente pelo Rei Pelé, ao receber da Fifa o título de Jogador do Século: ‘Quero dividir esse prêmio com o Guga, que é o melhor tenista do mundo no momento’. Nada mais justo. Em 2000, nenhum brasileiro foi tão longe no esporte mundial”, dizia a reportagem – com razão, apesar da concorrência de uma geração de ouro de jogadores brasileiros no futebol.

A reprodução da matéria especial sobre o ano mágico de Gustavo Kuerten em 2000 Reprodução/Placar

Depois de passar em branco em 1998, Guga mudou a preparação para Roland Garros e se consolidou como um dos maiores nomes da história do torneio. “A mudança foi decisiva para esses anos de sucesso. Começou em 1999. Tínhamos um intervalo de mais ou menos duas semanas entre Hamburgo e Roland Garros. Ao invés de usar o intervalo para voltar ao Brasil, ficamos na França para repousar e recuperar os músculos. Depois desse intervalo, voltamos à Paris para treinar. Foi ideia do Larri (Passos), fui bastante reticente, porque queria voltar para casa, mas ele me convenceu e a preparação começou a fazer ‘estrago’, digamos assim”, explicou Guga, em videoconferência.

Na 33ª edição do Grand Slam francês na era aberta, o tenista catarinense passou a duras penas do russo Yevgeny Kafelnikov, nas quartas de final, e do espanhol Juan Carlos Ferrero, na semifinal. Guga esteve a poucos passos de voltar para casa nos dois jogos, mas conseguiu a vitória em ambos no quinto set, com grande desempenho. Na final, o desafio era contra Norman, o segundo melhor tenista daquele ano, atrás apenas de Guga.

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A partida contra Kafelnikov, campeão do torneio em 1996 e número 1 do mundo em 1999, e contra Ferrero, futuro campeão de Roland Garros e número 1 do mundo em 2003, deixaram Guga mais do que preparado para a final. Ele abriu 2 sets a 0 com facilidade por 6×2/6×3, mas viu o sueco reagir e faturar o terceiro por 6×2. A oscilação em um jogo entre dois tenistas de elite é comum, mas no duelo de solidez do quarto set, que durou 1 hora e 36 minutos, no catarinense foi superior e venceu no tie break por 8 a 6. O bicampeonato em Paris abriria caminho para o ano de ouro de Kuerten.

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A reportagem de Almeida destaca a ascensão meteórica de Guga no ranking, do título de Roland Garros em 1997, quando precisou recorrer aos CDs de Bob Marley para se acalmar e conseguir dormir antes das oitavas de final, à conquista da Masters Cup, torneio que reúne os oito melhores tenistas do ano, de 2000, em Lisboa, quando Guga bateu André Agassi na final. “Senti uma confiança incomum, podia bater de qualquer lugar. Era algo até sobrenatural”, explicou Kuerten a PLACAR.

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