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#TBT: em 2006, o corintiano Tevez abriu sua casa a PLACAR e foi ‘sincerão’

Já perto de trocar o clube paulista pela Europa, o atacante argentino deixou diplomacia de lado e culpou os dirigentes pela eliminação na Libertadores

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 2 jul 2020, 15h45 - Publicado em 2 jul 2020, 15h21

Carlitos Tevez. O nome do famoso atacante argentino de 36 anos voltou a ecoar pelo Brasil desde a semana passada, depois que o jogador do Boca Juniors revelou que cogita encerrar a carreira no Corinthians, clube pelo conquistou o Brasileirão de 2005. A declaração pareceu mais uma bravata para pressionar o clube argentino a renovar seu contrato até 2021, mas foi o suficiente para deixar corintianos animados com a possibilidade de rever o velho ídolo.

Naquele período em que a “Tevezmania” se espalhou pelo país, PLACAR esteve sempre na cola do então jovem craque. Tevez estampou algumas capas da revista, como a da edição que o coroou com a Bola de Ouro de 2005. O momento de maior intimidade aconteceu em junho do ano seguinte, às vésperas da Copa do Mundo da Alemanha e de sua ida para o futebol inglês, quando Tevez abriu sua casa em Buenos Aires para o repórter Gian Oddi. Em uma reveladora entrevista, o atacante detonou os dirigentes corintianos e, por diversas vezes, deixou a diplomacia de lado.

Reportagem de PLACAR de junho de 2006, na casa de Carlos Tevez
Tevez posou diante de sua piscina – com o escudo de sua maior paixão PLACAR/Reprodução

Carlitos, então com 22 anos, recebeu a reportagem em sua residência argentina, no bairro de Vila Devoto, onde viviam 11 pessoas e destacava-se uma piscina com o escudo do Boca Juniors, o time do coração dos Tevez. Parecia cansado e um pouco mau-humorado, mas posou para fotos com a Bola de Ouro da PLACAR e diante de um pôster de Ronaldo Fenômeno, seu “único ídolo”.

“Tevez não é de fazer média. Para o Brasil, não teve o menor pudor em dizer que Ronaldinho Gaúcho jamais chegará a ser o que foi Maradona; que, se a Argentina for eliminada na Copa, irá torcer por qualquer time africano. Também não viu problemas em afirmar que dificilmente algum clube ocupará o lugar do Boca Juniors em seu coração. Só quem Tevez parece fazer questão de agradar com declarações e afagos são seus familiares e amigos. Para os outros, ele sabe, basta seu ótimo futebol”, relatou Gian Oddi.

  • Na entrevista (clique aqui e confira a edição na íntegra), Tevez, que deixaria o Corinthians pouco depois da Copa, de forma tumultuada, foi bastante crítico ao que ocorria no Parque São Jorge. “A culpa é dos dirigentes. Se o Corinthians não ganhou (a Libertadores) não foi só pelos jogadores, mas por outras pessoas também”, disse, sobre a recente eliminação, em casa, diante do River Plate, que terminou em invasão de campo no Pacaembu. “Eu estou no clube há um ano e meio e acho que vi o (presidente do clube, Alberto) Dualib duas vezes. Acho que há outras pessoas por trás que fazem mal a coisa, e por isso o Corinthians não ganha a Libertadores.”

    Tevez não quis comentar sobre as constantes brigas no elenco estelar montado pela parceira MSI – “Não sei. Eu só vou ao clube para treinar e depois volto para casa” – disse ter presenciado cenas “terríveis” de violência na capital paulista e que levaria isso em conta na decisão de permanecer ou não no Brasil. Naquela época, ele dizia que se aposentaria aos 28 anos (mal sonhava que, aos 36, estaria cogitando retornar). “Nessa profissão, cada ano vivido é como quatro. Desse jeito, aos 40 anos não vou poder caminhar”, disse, à época.

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    Reportagem de PLACAR de junho de 2006, na casa de Carlos Tevez
    Reportagem de PLACAR de junho de 2006, na casa de Carlos Tevez PLACAR/Reprodução

    Possível volta ao Corinthians

    Jô e Tevez, em 2005 Alexandre Battibugli/Placar

    Desde que deixou o clube paulista em 2006, rumores de uma possível volta ocorreram em praticamente todas as janelas de transferências. Desta vez, no entanto, o nome do Corinthians saiu a boca do próprio Tevez, que ainda citou o West Ham, seu primeiro clube na Europa. “Queria renovar por um ano, mas me disseram que tinha de seis ser meses. Tá bem, vamos ver como estarei, e decidir se me aposento em dezembro ou se jogo mais seis meses pelo Corinthians ou pelo West Ham”, afirmou, em uma controversa entrevista à rádio argentina La Red. 

    “Deixo as portas abertas, não quero ser escravo de minhas palavras… Na Argentina só jogaria pelo Boca, sempre deixei claro. Na Europa, voltaria ao West Ham, mesmo que por seis meses, para que me aplaudam”, brincou, na mesma entrevista em que avisou que doaria seu salário de renovação do Boca a instituições de caridade. Suas palavras, no entanto, pegaram mal dentro da diretoria, que hoje é composta por ex-companheiros de Tevez, como Juan Román Riquelme e Jorge Bermúdez.

    De acordo com a imprensa argentina, as negociações pela renovação seguem travadas e existe até a possibilidade de Tevez antecipar sua aposentadoria. Em março, o veterano brilhou na conquista do título argentino do Boca, ao marcar o gol do título, nos minutos finais, diante do Gimnasia La Plata. Em dificuldades financeiras, o Corinthians não demonstra interesse oficial em Tevez até o momento. No clube paulista, ele poderia refazer dupla de ataque com Jô, recentemente apresentado como reforço, seu colega na campanha de 2005.

     

     

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