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#TBT: as altas (e frustradas) expectativas de PLACAR sobre Alexandre Pato

Reportagens de 2007, 2008, 2010 e 2013 tinham uma coincidência: elogios rasgados ao atacante, que hoje, aos 30 anos, deixa o São Paulo pela porta dos fundos

Por Danilo Monteiro Atualizado em 8 set 2020, 16h45 - Publicado em 20 ago 2020, 16h30

Alexandre Pato está encerrando sua segunda passagem pelo São Paulo. Desta vez, o atacante paranaense sai pela porta dos fundos do Morumbi, depois de alto investimento e fracos resultados dentro de campo. Ainda aos 30 anos, Pato parece bem mais veterano devido ao longo período em atividade, já que “explodiu” para o futebol profissional ainda na adolescência, quando foi destaque do Internacional na conquista do Mundial de Clubes de 2006, contra o Barcelona de Ronaldinho Gaúcho.

As expectativas sobre o garoto veloz, driblador e com ótima qualidade de finalização eram altíssimas, dignas até de comparações com o surgimento de Ronaldo Fenômeno. Assim com a maioria dos torcedores, PLACAR também apostou suas fichas em Pato. Desde o Mundial de 2006, a revista estampou o atacante em quatro capas, todas com elogios rasgados e confiança em suas passagens por Inter, Milan, Corinthians e seleção brasileira.

“Lá vem o Pato”, dizia a versão gaúcha da capa da edição de fevereiro de 2007 de PLACAR. A reportagem de Leandro Behs falava sobre o surgimento de uma estrela, ou melhor, de uma “ave rara” no Internacional, que deixou sua cidade, Pato Branco, no Paraná, aos 11 anos para ser jogador da base do Colorado, onde ganhou o apelido em homenagem à cidade natal e começou a trilhar uma ascensão meteórica na carreira. “Jamais pensei que iria ao Japão disputar o Mundial com o Inter. Mas, já que estava lá, pedi a camisa dele (Ronaldinho). E ganhei. Foi o dia mais feliz da minha vida, fui campeão e ganhei a camisa do Ronaldinho”, contou Pato, à época.

  • O começo arrebatador no Inter e o bom rendimento pelo clube no ano seguinte, quando marcou 10 gols em 24 jogos, despertaram o interesse de gigantes europeus. Pato escolheu o Milan em 2007, onde faria dupla de ataque com Ronaldo Fenômeno. PLACAR, inclusive alertou em edição daquele ano: “Te cuida, Ronaldo”, pois o garoto de 17 anos chegava com a pompa de ter potencial para ser melhor do mundo no futuro. As primeiras temporadas pelo Milan, repletas de altos e baixos e lesões, provaram que Pato não estava tão preparado assim, mas ele se mantinha como uma grande promessa.

    Capa de fevereiro de 2008 apontava possíveis 9 da seleção
    Capa da revista Placar, edição 1315, de Fevereiro de 2008. PLACAR/Reprodução

    Em capa em fevereiro de 2008, o jovem aparecia em destaque, ao lado de Adriano, Ronaldo, Nilmar e Luís Fabiano como potencial camisa 9 do Brasil na Copa do Mundo de 2010. Dunga, porém, só levou os dois últimos e acabou caindo para a Holanda nas quartas de final.

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    Capa da revista Placar, edição 1344 de julho de 2010.
    Capa da revista Placar, edição 1344 de julho de 2010. PLACAR/Reprodução

    “De Pato a Ganso” era a capa de julho de 2010, logo após a queda no Mundial. A reportagem de Arnaldo Ribeiro e Ricardo Perrone apontava os motivos do fiasco de Dunga e, entre outros fatores, a importância de apostar na nova geração, de Alexandre Pato, Paulo Henrique Ganso e Neymar, para a próxima edição da competição. “O Brasil entra na Copa de 2014 sem time, sem estádio, sem direção. A única certeza é que tudo começa pelos garotos”, dizia a matéria.

    Após 2010, Pato teve queda de rendimento no Milan e sofreu com diversas lesões. Foi praticamente o começo de seu fim. Embalado pela conquista do Mundial de Clubes, o Corinthians gastou uma fortuna para ter o jogador, que visava mostrar serviço para tentar uma vaga na Copa de 2014. “O Pato vai voar”, foi a capa de PLACAR em fevereiro de 2013, quando Marcus Alves trazia os detalhes da negociação complexa entre os clubes e a desconfiança com a saúde física de Pato, que foi analisada durante meses pelo departamento médico do Corinthians antes de fechar a contratação.

    “Pela faixa de idade (Pato tinha 23 anos à época) e por não ter nenhuma lesão no joelho, que é a grande praga de qualquer um, é possível recuperá-lo, sim”, afirmava Joaquim Grava, médico do Corinthians, pouco mais de um anos antes do “divórcio” de Pato com o clube e empréstimo para o São Paulo. De fato, os problemas físicos ficaram para trás, mas Pato jamais conseguiu manter regularidade. Deixou o Corinthians execrado após errar um pênalti de forma displicente. Passou, sem brilho, por Chelsea, Villarreal e Tianjin Quanjian, antes de frustrar a torcida são-paulina.

    Agora, seu novo desafio deve ser o Inter, sua primeira casa. Quem sabe um retorno ao Beira-Rio e o carinho da torcida colorada não sejam o estímulo que Pato precisava para voltar a brilhar. De qualquer forma, PLACAR certamente terá mais cautela em uma eventual nova capa.

    Reportagem de 2007 destacava o surgimento de Alexandre Pato
    Reportagem de 2007 destacava o surgimento de Alexandre Pato PLACAR/Reprodução

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