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#TBT: Aposta de Vadão abriu caminho para Luís Fabiano no São Paulo

Em 2001, PLACAR destacou o início meteórico do atacante reconhecido por Oswaldo Alvarez, treinador morto nesta segunda, um notório "caça-talentos"

Por Danilo Monteiro - Atualizado em 28 Maio 2020, 11h50 - Publicado em 28 Maio 2020, 11h15

O São Paulo precisava de um centroavante para a temporada de 2001, mas o recrutamento não foi tão complicado. Isto porque o técnico Oswaldo Alvarez, o Vadão, famoso por apostar em promessas, só precisou ouvir o nome do jovem Luís Fabiano em uma reunião para decidir. “É ele”, cravou o treinador. Em 15 de maio de 2001, PLACAR exibia a reportagem “Loucura, loucura, loucura”, assinada por Arnaldo Ribeiro, que detalhou como foi a chegada do jogador no Morumbi.

“Precisávamos de um jogador de área, de um goleador e fizemos uma reunião para tratar disso. Pensamos no Viola, mas ele era inviável. Aí, tocaram no nome do Fabiano e disseram que ele estava querendo voltar ao Brasil. Eu disse: ‘É ele'”, contou Vadão.

O perfil sobre a chegada de Luís Fabiano PLACAR/Reprodução

Luis Fabiano estava “encostado” há meses no Rennes, da França, não conseguiu se acostumar. Aos 20 anos, atraiu o interesse de Corinthians e Palmeiras quando queria retornar ao Brasil, mas foi escolhido por Vadão, que teve sucesso nos dois times de Campinas e conhecia Luis Fabiano, destaque da Ponte Preta antes de ir à Europa. Mal os dois sabiam que aquela decisão mudaria a história do São Paulo e do próprio atacante, que despontou e virou ídolo do clube. Hoje, 19 anos depois, o “Fabuloso” é o terceiro maior artilheiro da história do time tricolor.

Com Kaká na capa (ainda conhecido como “Cacá”), a revista-pôster do São Paulo campeão em 2001 PLACAR/Reprodução

Morto na última segunda-feira 25, vítima de câncer no fígado, o técnico de 63 anos tinha como característica marcante a revelação de novos talentos para o futebol. Em 1992, Vadão montou o “Carrossel Caipira” do Mogi Mirim – analogia à lendária seleção holandesa de 1974 –, mostrando ao mundo Rivaldo, campeão do mundo com a seleção em 2002 e eleito o melhor jogador do mundo em 1999. Em 2001, Alvarez revelou outra promessa que viria a alcançar o topo do futebol mundial: ele bancou a estreia de Kaká na final do Torneio Rio-São Paulo daquele ano. A coragem deu certo e o jovem marcou os dois gols da vitória do São Paulo sobre o Botafogo.

Apesar desse cartão de visitas, Vadão não teve tantas chances nos maiores times do Brasil. Ele se notabilizou como o “Mister Dérbi”, por nunca ter perdido um clássico em Campinas em suas cinco passagens pelo Guarani e quatro pela Ponte Preta. Na última fase da carreira, liderou a seleção feminina do Brasil na Copa do Mundo de 2015 e nos Jogos do Rio, em 2016. Alvarez foi demitido logo após a Olimpíada, mas foi readmitido no cargo em 2017 e conduziu o time de Marta, Cristiane e companhia no Mundial de 2019. O Brasil perdeu para a favorita França nas oitavas de final, mas o treinador não escapou das críticas. Em seu último ato na seleção, Vadão fez questão de participar da apresentação de sua sucessora, a sueca Pia Sundhage.

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