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#TBT: A relação de amor e ódio do Brasil com Galvão Bueno

Há 20 anos, PLACAR tentava responder uma dúvida ainda atual: muitos dizem que não suportam o locutor da TV Globo, mas continuam assistindo. Qual o mistério?

Por Alexandre Senechal - 30 jan 2020, 15h41

Se você nunca reclamou de algum comentário de Galvão Bueno durante uma transmissão na TV Globo, você não deve gostar de esportes. Ao mesmo tempo, as transmissões sem ele também não têm graça nenhuma, não é mesmo? A “voz do futebol”, como classificou a capa da edição 1166 de PLACAR, lançada em agosto de 2000, já passava pelo dilema há 20 anos. Como o narrador mais marcante do Brasil, o profissional dividia – e ainda divide – opiniões: se ele é tão odiado assim, porque as pessoas continuam acompanhando os jogos pelo canal?

PLACAR acompanhou um dia de trabalho de Galvão e revelou o “estrelismo” do locutor número 1 do país. Não no sentido pejorativo, mas em relação ao perfeccionismo que exigia no serviço. Os funcionários da Globo contaram sobre como ele cobrava que tudo estivesse em ordem. Senão, era bronca na certa. “Ainda vou brigar com uns três ou quatro antes do jogo”, dizia tranquilamente o narrador antes da vitória da seleção brasileira sobre a Argentina por 3 a 1, em jogo das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2002.

Galvão havia acabado de renovar o contrato com a Globo até 2006. “Depois disso pretendo descansar um pouco”, dizia, achando que hoje já estaria bem longe dos microfones. A estimativa é que as cifras girassem entre os 3 milhões de reais anuais, salário acima do que recebiam os principais diretores da emissora carioca. “Não falo sobre isso, nem se é mais, ou se é menos”, esquivava-se o locutor.

A relação de amor e ódio do torcedor com ele se comprovou em pesquisa feita no site de PLACAR na época. Na eleição do pior narrador, Galvão venceu disparado com 47,6% dos votos. Porém, foi o segundo mais votado como o melhor por 24,7% do público, praticamente empatado com o líder Luciano do Valle, então funcionário da TV Bandeirantes, que teve 25,5% dos votos.

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A prova de seu sucesso vinha de outros números. A Globo teve 44 pontos de média no Ibope durante o clássico sul-americano. A Band, com Luciano do Valle, mal passou dos sete. Para efeito de comparação, a novela Laços de Família, campeã de audiência do canal carioca em 2000 marcava 42 pontos de média. A final de Roland Garros daquele anos, com Guga no auge e exclusiva da Bandeirantes, chegou aos 20.

A reportagem ainda traz curiosidades da vida de Galvão Bueno, do início da relação com a ainda namorada Desirée, a esperança em ter um filho piloto de Formula 1 e a amizade com Vanderlei Luxemburgo, que era o técnico da seleção brasileira. A entrevista na íntegra está disponível aqui.

 

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