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#TBT: 20 anos do primeiro Mundial de Clubes organizado pela Fifa

O primeiro grande título internacional corintiano completará duas décadas no próximo dia 14; relembre imagens e curiosidades daquela competição

Por Alexandre Senechal - Atualizado em 9 Jan 2020, 14h24 - Publicado em 9 Jan 2020, 12h39

O dia 14 de janeiro de 2000 ficou marcado na história do Corinthians. Com 22.000 torcedores do alvinegro paulista apoiando a equipe no Maracanã, o time dirigido por Oswaldo de Oliveira empatou sem gols com o Vasco da Gama e ficou com o título do Mundial de Clubes na disputa de pênaltis, após o craque Edmundo desperdiçar a última cobrança do adversário. A edição número 1.160 da PLACAR de fevereiro daquele ano traz a matéria “Os reis do mundo”, que conta os pormenores da conquista corintiana e mostra que o torneio, repleto de problemas de organização, teve sim importância mundial.

A emissora de TV inglesa BBC alcançou 41% de audiência com a estreia do Manchester United contra o Necaxa, do México – apesar dos índices terem sido menores nos outros dois jogos da equipe. A Televisión Española chegou a 30% no primeiro jogo do Real Madrid. Até no Japão, cerca de 3 milhões de pessoas assistiram à final entre Corinthians e Vasco, graças a presença do zagueiro Adilson Batista, ídolo do Jubilo Iwata, que fora contratado pelos paulistas na véspera do torneio.

A capa da edição 1160 de PLACAR, de fevereiro de 2000 Reprodução/Placar

“Quem disser que não é Mundial é espírito de porco”, iniciava o texto publicado sobre a competição. Ela serviu como modelo para o Mundial de Clubes da Fifa organizado ininterruptamente a partir de 2005. A entidade inclusive dá a mesma importância – e o mesmo espaço em seu site oficial – ao Corinthians de 2000, em relação a todos os outros vencedores.

É verdade que essa primeira edição foi marcada por várias polêmicas. A CBF recebeu a competição com a ideia de impressionar a entidade máxima do futebol e ganhar o direito de sediar a Copa do Mundo de 2006. O tiro saiu pela culatra. Os dois representantes europeus reclamaram muito da organização, da arbitragem e até da premiação.

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A história de que eles não deram muita bola ao torneio é exagerada, mas não é falsa. O Manchester United não queria participar do Mundial pouco mais de um mês depois de vencer o Palmeiras do Intercontinental de 1999 em Tóquio. O governo britânico, também interessado em receber a Copa de 2006, resolveu a questão politicamente com o clube. O lateral-esquerdo do Real Madrid Roberto Carlos disse anos depois, em entrevista à ESPN Brasil, que os jogadores espanhóis agiam como se estivessem de férias e só iam dormir às 5h, 6h.

Apesar de tudo isso, Alex Ferguson, então técnico do Manchester United afirmou “estar participando de uma coisa que vai se tornar grande”, como relembra a reportagem de PLACAR. E se os europeus não se esforçaram tanto, como fizeram questão de deixar claro, também não esperavam encontrar adversários tão fortes. “O Manchester jogou com a defesa em linha, suicídio contra Edmundo e Romário”, pondera o texto. Os cariocas bateram os ingleses por 3 a 1.

Corinthians e Vasco, que não tinham nada a ver com a história, foram os líderes dos grupos A e B e fizeram a decisão no dia 14 de janeiro. Sorte também da TV Bandeirantes, que tinha a exclusividade do Mundial e faturou com a final brasileira. A Globo não quis comprar os direitos da competição e viu o título corintiano ficar eternizado na voz de Luciano do Valle. De acordo com os números do Ibope, a Band ficou à frente da rival durante todo o tempo em que a bola rolava no Maracanã.

O torcedor do Corinthians se orgulha de ter conquistado o primeiro Mundial com um dos maiores times de sua história, que tinha craques como Ricardinho, Marcelinho Carioca, Edílson e Luizão. O vice-campeão Vasco não ficava atrás: contava com Felipe, Juninho Pernambucano, Edmundo e Romário. “Torneio de verão” ou não, como caçoam os rivais, o primeiro Mundial de Clubes da Fifa representou um dos últimos grandes momentos do futebol brasileiro perante o mundo.

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