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Suspeito de morte do jogador Daniel é preso; polícia do PR busca mais três

Empresário Edison Brittes Junior assumiu o assassinato e alegou que defendeu sua esposa de uma tentativa de estupro

O empresário Edison Brittes Junior, de 38 anos, foi preso nesta quinta-feira e admitiu ter assassinado o jogador Daniel Corrêa Freitas, achado morto no último sábado. Sua esposa e filha também foram detidas para averiguações. A Polícia Civil ainda está em busca de mais três suspeitos pelo crime, informou o delegado Amadeu Trevisan, da Delegacia de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, onde ocorreu o homicídio.

“As duas mulheres estão presas porque estiveram o tempo todo no palco do crime. Possivelmente algum tipo de auxílio devem ter dado. E estamos identificando mais essas três pessoas, porque sozinho ele (Brittes) não fez isso”, afirmou Trevisan, nesta quinta-feira.

Daniel, meia com passagens por Cruzeiro, Botafogo, São Paulo e Coritiba, entre outros clubes, foi encontrado com o pênis decepado por uma faca e cortes profundos no pescoço, numa estrada de terra na Colônia Mergulhão, em São José dos Pinhais. O crime, de motivação passional, ocorreu após uma festa de 18 anos da filha de Edison Brittes.

Segundo o delegado, ela teria convidado Daniel para a festa, que contou com cerca de dez pessoas. Na casa do empresário, Daniel teria aproveitado o estado de embriaguez da esposa de Brittes para se trancar no quarto e tirar fotos ao lado dela.

“Por volta das 8 horas da manhã, o Daniel teria sido flagrado na cama com a Cristina Regina Brittes. Ali iniciou-se o espancamento. O rapaz não tinha como reagir, porque tinham mais pessoas do sexo masculino na casa, que já estamos identificando. Ele sai do carro já desacordado e dali é levado ao local onde é encontrado morto”, relatou o delegado Trevisan.

“Sabemos até agora que o Edison estava no carro. Estamos identificando quais são as outras três pessoas que estavam com ele. Ainda não há mandado de prisão contra essas pessoas. Todas elas serão identificadas, e irão prestar contas na Justiça”, declarou o delegado, que não confirma a tentativa de estupro por parte de Daniel.

Em entrevista à RPC, o suspeito afirmou que flagrou Daniel com a esposa e, por isso, perdeu o controle: “Fiquei aterrorizado quando vi ele com a minha mulher. Eu bati muito nele. Muito, muito. Tirei ele para fora da casa, não sei se estava acordado, desacordado, se só tinha fechado o olho”.

De acordo com Claudio Dalledone, advogado de Edison Brittes, seu cliente reagiu a um suposto ato violento de Daniel. “Trata-se de um pai de família que se viu na contingência de ter de reagir a um estupro que estava ocorrendo contra a mulher dele. A mulher gritou por socorro. Ele arrombou a porta, e esse indivíduo estava em cima da mulher dele tentando estuprar essa mulher”, disse, à RPC.

O delegado não confirma. “Teremos que apurar na hora em que ouvirmos a mulher. Não sabemos se houve essa tentativa de estupro, ou se a vítima (Daniel) simplesmente se deitou na cama e tirou a fotografia”, explicou Trevisan.

As prisões temporárias têm duração de 30 dias. Um inquérito policial foi instaurado na delegacia de São José dos Pinhais, onde está sendo realizada a investigação do crime.

Possível envolvimento com crime organizado

Por fim, o delegado não descartou informações que revelariam envolvimento de Brittes com crime organizado. O empresário já possui extensa ficha criminal por porte ilegal de arma, adulteração de veículo e ameaça, ações ocorridas entre 2005 e 2018.

“Não diria que (as informações) são falsas, mas ainda não apuramos se há ligação com crime (organizado). O que interessa à Polícia Judiciária neste primeiro momento é fazer os levantamentos de local, identificar vítima e em seguida procurar os autores”, afirmou Amadeu Trevisan.

“Vamos provar que ele (Edison Brittes) realmente matou e que fez isso de uma maneira cruel e desnecessária. Quando vimos o corpo, já sabíamos que se tratava de um crime de conotação sexual e que ele não tinha feito aquilo sozinho”, concluiu.

O corpo de Daniel foi velado e sepultado na última quarta-feira, em Conselheiro Lafaiate, em Minas Gerais, cidade da família do atleta. Mineiro de Juiz de Fora, Daniel foi morto aos 24 anos. Revelado pelo Cruzeiro, o meio-campista passou por Botafogo, Coritiba e Ponte Preta, e estava emprestado pelo São Paulo ao São Bento, que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro.

Daniel, durante sua passagem pelo São Bento (São Bento/Divulgação)