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Superliga: como ‘clube dos ricos’ pretende peitar Uefa e mudar o futebol

Criado por 12 equipes importantes com o objetivo de substituir a Liga dos Campeões, novo torneio foi anunciado e gerou revolta em entidades e torcedores

Por Da Redação Atualizado em 19 abr 2021, 14h35 - Publicado em 19 abr 2021, 09h36

Caiu como uma bomba no futebol europeu o anúncio, no início da noite de domingo 18, feito por doze importantes clubes do continente sobre a criação de uma Superliga, modelo próprio de competição lançado pelo grupo que pretende fazer oposição a da Liga dos Campeões da Europa, organizada pela Uefa. A mudança atingiria diretamente toda a estrutura do maior centro do futebol mundial.

A criação do torneio parte de seis clubes da Inglaterra – Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester City, Manchester United e Tottenham –, três da Espanha – Atlético de Madrid, Barcelona e Real Madrid –, além de três da Itália – Inter de Milão, Juventus e Milan. Outros três participantes fixos eram aguardados para a temporada inaugural: Bayern de Munique, Borussia Dortmund e Paris Saint-Germain. O Dortmund, no entanto, anunciou nesta segunda-feira, 19, que tanto ele como o rival Bayern não farão parte do acordo, enquanto o clube francês ainda não se pronunciou.

A superliga não contaria com rebaixamento ou qualificação. Os 15 clubes fundadores teriam sempre vaga garantida no torneio, independentemente do que realizarem em cada uma das ligas locais. O novo torneio ainda teria espaço para mais cinco vagas destinadas a clubes menores. O torneio seria disputado em dois grupos de dez equipes. Os três primeiros colocados e mais dois times que disputariam um playoff entre os 4ºs e 5ºs colocados, disputariam o mata-mata, a partir das quartas de final, em jogo único.

O grupo é presidido por Florentino Pérez, presidente reeleito do Real Madrid, que afirmou que buscará um entendimento com a Uefa em conversas. A criação da competição, na visão dos clubes fundadores, traria uma série de impactos econômicos positivos. “A formação da Super Liga vem em um momento no qual a pandemia global acelerou a instabilidade no modelo econômico atual do futebol europeu. Além disso, por anos os clubes fundadores têm tido o objetivo de melhorar a qualidade e intensidade das competições europeias a cada temporada, e de criar um formato para que os principais clubes e jogadores possam competir com regularidade”, dizem os clubes, em parte do anúncio.

De acordo com a BBC, além das receitas iniciais destinadas a cada um dos participantes, a Superliga ainda contaria com “pagamentos de solidariedade ilimitados”, que podem crescer de acordo com receitas da competição.  Há expectativa para que sejam superiores a 10 bilhões de euros (66 bilhões de reais) no total. O banco americano JP Morgan seria responsável por um financiamento de 5,3 bilhões de euros (35 bilhões de reais) para o torneio e os 12 clubes fundadores teriam direito a 3,5 bilhões de euros (23 bilhões de reais).

  • Rejeição e ameaças

    O anúncio, desde o início, já encontra forte rejeição e desencadeou uma batalha nos bastidores, que pode, em breve, se transformar na maior guerra política da história do futebol. A Premier League, responsável pelo futebol inglês, condenou o conceito e enviou carta aos 20 clubes membros alertando-os a não participar. Outras federações tomaram caminho similar.

    A Uefa, por sua vez, classificou a proposta fechada pelos clubes como um “projeto cínico” e avisou que  aqueles que aderirem à nova liga podem ser excluídos tanto de competições nacionais e até desfiliados de suas federações. Outras consequências podem ser o impedimento que jogadores defendam suas seleções.

    No Twitter, o presidente de La Liga, Javier Tebas, desabafou. “Finalmente os gurus de PowerPoint da Super Liga estão deixando a escuridão das 5h da manhã nos bares, intoxicados de egoísmo e falta de solidariedade. A Uefa, as Ligas Europeias e a La Liga têm se preparado, e eles terão a sua resposta”, disse o gestor da liga espanhola.

    O executivo Christian Seifert, da Bundesliga, da Alemanha, classificou como irresponsável e que o avanço do projeto pode trazer danos irreparáveis às ligas. Outro a se manifestar foi o meio-campista espanhol Ander Herrera, do Paris Saint-Germain, dizendo que o projeto é para que “ricos roubem o que povo criou”.

    “Sou apaixonado pelo futebol do povo, pelo futebol dos torcedores, do sonho de ver a equipe do meu coração competindo contra os grandes. Se essa super liga europeia avançar, esses sonhos vão acabar. Vão acabar as ilusões dos torcedores de times que não são gigantes de poderem ganhar em campo e disputar as melhores competições”, afirmou. “Amo o futebol e não posso ficar calado diante disso. Acredito em uma Champions League melhorada, mas não que os ricos roubem o que o povo criou, que não é outra coisa senão o esporte mais bonito do planeta”, continuou.

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    Até mesmo o primeiro-ministro britânico Boris Johnson se posicionou, antes mesmo do anúncio oficial, deixando claro que o assunto extrapola a esfera esportiva. “Os planos para uma Superliga Europeia seriam muito prejudiciais para o futebol e apoiamos as autoridades do futebol na sua ação. Eles atacariam a essência do jogo nacional e preocupariam os torcedores de todo o país. Os clubes envolvidos devem responder aos seus fãs e à comunidade futebolística em geral antes de tomar qualquer outra medida”, escreveu Johnson. 

    Logo pela manhã desta segunda-feira, 19, torcedores do Liverpool, clube que se orgulha de suas origens humildes e relação com o povo local, posicionaram faixas nos arredores do estádio Anfield com dizeres contrários a participação do clube na Superliga: “Vergonha” e “RIP Liverpool FC”, eram alguns deles. 

    Apesar da nova informação, ainda não há, até o momento, qualquer certeza de que o anúncio já prejudica a atual edição da Liga dos Campeões, que está nas semifinais. Entre os quatro classificados, três clubes estão diretamente envolvidos na criação do torneio rival – Real Madrid, Chelsea e Manchester City –, sendo somente o Paris Saint-Germain sem aderir ao novo torneio.

    Ainda não há certezas sobre uma data para início, os clubes fundadores dizem que acontecerá “assim que for praticável”. A projeção, no entanto, é para agosto de 2021.

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