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Se houver cancelamentos, quem serão os campeões das ligas europeias?

Uefa, ligas e clubes querem encerrar campeonatos, mas, caso não seja possível, questões como título e rebaixamentos geram impasse

Por Luiz Felipe Castro - Atualizado em 22 Apr 2020, 14h02 - Publicado em 22 Apr 2020, 13h35

Os campeonatos nacionais da Europa podem terminar sem campeões em 2020? Resposta para essa dúvida deve ser dada pela Uefa, que prometeu se posicionar oficialmente na quinta-feira 23, sobre as novas diretrizes relacionadas à suspensão dos campeonatos em razão da pandemia de coronavírus. Em seu último comunicado, a entidade que rege o futebol europeu reiterou seu desejo de finalizar todos os torneios nacionais – provavelmente com portões fechados –, mas abriu margem para cancelamentos em “casos especiais”. A Bélgica é o único país a já ter anunciado o fim de sua liga, decretando o Club Brugge, então líder, como campeão. Não se sabe, porém, se o mesmo critério seria adotado em todos os vizinhos (confira abaixo, quais clubes lideravam cada campeonato antes da paralisação). 

O desejo da Uefa de realizar os jogos restantes é compartilhado por todos os clubes, sobretudo por razões econômicas: em meio a uma crise financeira inevitável, ninguém quer ficar sem os valores de direitos de transmissão. A expectativa mais otimista é que os treinos possam ser retomados em maio e os jogos em junho. Mas o objetivo geral esbarra em recomendações das autoridades sanitárias.

Conforme PLACAR adiantou com exclusividade, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou à Uefa uma medida drástica: que as competições internacionais fiquem suspensas até o final de 2021. A informação foi negada pela entidade a jornais ingleses. Na última terça-feira 21, o primeiro ministro da Holanda, Mark Rutte, anunciou a extensão da proibição de grandes eventos no país até o dia 1º de setembro, o que fez com que a Eredivisie, liga responsável pela primeira divisão, comunicasse que pedirá o fim do torneio. O Ajax é o líder, com os mesmos 56 pontos do AZ Alkmaar, mas com vantagem nos critérios de desempate.

 

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O presidente da Uefa, Alexender Ceferin, deu a entender que, em caso de cancelamento, o mais sensato seria dar o título à equipe que liderava sua liga, ao tranquilizar publicamente os torcedores do Liverpool, que aguardam há 30 anos por um título da Premier League. Com 25 pontos de vantagem sobre o Manchester City faltando nove rodadas, o time estava muito próximo da taça. “Não vejo como o Liverpool poderia ficar sem o título”, disse Ceferin ao EkipaSN , um jornal da Eslovênia, sua terra natal. “Se não pudesse ser jogado, ainda seria necessário anunciar os resultados de alguma forma, e então os campeões deveriam ser determinados”, completou. 

Em outros países em que as diferenças entre líder e vice-líder são mínimas, o debate é mais acalorado. “Na Itália, uns defendem que o scudetto fique com a líder Juventus, outros dizem que não é justo com a Lazio, que está só um ponto atrás… É uma grande confusão, e para evitar decisões de tribunal, recursos, etc, creio que todos tentarão até o último instante recomeçar o campeonato”, afirma o jornalista local Mimmo Ferretti.

O mesmo ocorre em Portugal, onde o Porto lidera com 60 pontos, um a mais que o rival Benfica. “Aqui não se discute o cancelamento da Liga ainda. Vão levar isso até o último segundo possível”, afirma Bruno Andrade, jornalista brasileiro do jornal português A Bola. Pedro Proença, presidente da liga portuguesa, afirmou recentemente que “é fundamental que a liga portuguesa termine até 30 de junho” e que, a princípio, trabalha com dois cenários: jogos com portões fechados ou torneio para decidir o que está em jogo. Nos bastidores, o Porto tenta assegurar que seria campeão em caso de cancelamento, enquanto o Benfica usa outra cartada para tentar levar o troféu: considerar apenas o primeiro turno, do qual foi vencedor.

Na Espanha, o Barcelona também pressiona internamente para levar a taça caso não haja datas disponíveis e tem a seu favor o fato de ser o líder e campeão do primeiro turno. Há, no entanto, outros pontos importantes a serem acertados além dos eventuais campeões: a definição de vagas em competições europeias (a Uefa já havia ameaçado excluir equipes dos países cujos campeonatos não terminassem), além de rebaixamentos e acessos. Boa parte destas dúvidas devem ser respondidas nesta quinta-feira.

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Veja como está a situação das grandes ligas europeias:

Inglaterra: o Liverpool lidera com 82 pontos, 25 a mais que o vice-líder Manchester City, restando nove rodadas (dez, no caso do City). Bournemouth, Aston Villa e Norwich ocupam a zona de rebaixamento.

Espanha: o Barcelona lidera com 58 pontos, dois a mais que o vice-líder Real Madrid, restando 11 rodadas. Mallorca, Leganés e Espanyol ocupam a zona de rebaixamento.

Itália: a Juventus lidera com 63 pontos, um a mais que a vice-líder Lazio, restando 12 rodadas. Lecce, Spal e Brescia ocupam a zona de rebaixamento.

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Alemanha: o Bayern de Munique lidera com 55 pontos, quatro a mais que o vice-líder Borussia Dortmund, restando nove rodadas. Fortuna Düsseldorf, Werder Bremem e Padeborn ocupam a zona de rebaixamento

França: o PSG lidera com 68 pontos, 12 a mais que o vice-líder Olympique de Marselha, restando 11 rodadas (12, no caso do PSG). Nîmes, Amiens e Tolouse ocupam a zona de rebaixamento

Portugal: o Porto lidera com 60 pontos, um a mais que o vice-líder Benfica, restando 10 rodadas. Portimonense e Desportivo Aves ocupam a zona de rebaixamento.

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