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Ronaldinho e irmão admitem erro e se livram de acusação no Paraguai

Promotoria entendeu que dupla foi "enganada em sua boa fé", mas decidiu acusar outras três pessoas, entre elas um brasileiro

Por Da Redação Atualizado em 6 mar 2020, 14h24 - Publicado em 6 mar 2020, 01h10

Ronaldinho Gaúcho e seu irmão, Roberto Assis, admitiram o uso de passaportes falsos e não serão indiciados pelo Ministério Público do Paraguai, informou o jornal local ABC Color na noite desta quinta-feira, 5.

 

Os promotores consideraram que os dois “foram enganados em sua boa fé” ao admitirem o erro. Desta forma, eles foram enquadrados no que o Código Penal paraguaio chama de “critério de oportunidade”, utilizado quando suspeitos admitem uma culpa e não têm antecedentes criminais.

O MP ponderou que caberá a um juiz a decisão final. Uma audiência deve ser realizada nesta sexta-feira, 6. O promotor Frederico Delfino informou que, até a audiência, eles não podem deixar o país. Ao que tudo indica, a Promotoria paraguaia deve pedir o pagamento de uma multa ou o cumprimento de serviços sociais.

“O senhor Ronaldo Assis Moreira, mais conhecido como Ronaldinho, aportou vários dados relevantes para a investigação e atendendo a isso, foram beneficiados com uma saída processual que estará a cargo do Juizado Penal de Garantias”, disse o promotor ao ABC Color.

O Ministério Público, porém, acusou outras três pessoas: o empresário brasileiro Wilmondes Sousa Lira, acusado pela defesa de Ronaldinho como o responsável pelos passaportes falsos, María Isabel Galloso e Esperanza Apolônia Caballero, donas dos documentos que foram alteradas para os nomes do ex-jogador e seu irmão.

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Entenda o caso

Ronaldinho foi alvo de uma batida policial na noite de quarta-feira, 4, depois de usar documentos falsificados para entrar no Paraguai e se hospedar em um hotel na cidade de San Lorenzo, nos arredores da capital Assunção. A informação foi divulgada em primeira mão pela jornalista local Soledad Franco e confirmada por VEJA. O jogador chegou nesta quarta no país vizinho, onde participaria de um evento beneficente.

Em entrevista à rádio Ñandutí, o ministro do Interior do Paraguai Euclides Acevedo confirmou a ordem de prisão: “Vamos fazer cumprir a lei. Temos a informação de que ele tem documentação adulterada.” Seu irmão e empresário, Roberto Assis também possuía cédula de identidade paraguaia e um passaporte.

Ronaldinho e Assis passaram a noite na suíte presidencial do hotel Yacht y Golf Clube, a disposição dos policiais, e na manhã desta quinta-feira, 5, compareceram diante do Ministério Público paraguaio para prestar esclarecimentos.

VEJA obteve acesso ao conteúdo do boletim de ocorrência, no qual se afirma que a diligência policial foi feita a partir da “denúncia policial formulada pelo Departamento de Identificações da Polícia Nacional ao Ministério Público do Estado, referente a detenção de passaportes paraguaios presumidamente adulterados dos senhores RONALDO DE ASSIS MOREIRA e ROBERTO DE ASSIS MOREIRA no momento de ingresso dos mesmos” ao Paraguai. De acordo com o ministro Acevedo, mesmo sem encontrar o registro em sistema dos documentos apresentados na imigração, a entrada de Ronaldinho e Assis em território paraguaio foi autorizada pelos agentes do Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi.

“Nós não queremos investigar apenas a adulteração, mas também as autoridades que permitiram essa irregularidade de procedimento”, disse o ministro do Interior ao veículo paraguaio ABC Cardinal. “Obviamente as autoridades implicadas, por negligência ou por cumplicidade, não apenas serão investigadas e, uma vez comprovada sua responsabilidade, serão exemplarmente castigadas”.

Ainda de acordo com o B.O., Ronaldinho e Assis afirmaram que foram ao Paraguai por convite de Nelson Belotti, empresário brasileiro e dono do cassino Il Palazzo, nos arredores da capital Assunção. Segundo os próprios, eles foram contatados por uma entidade chamada “Fraternidade Angelical”, para a participação de uma série de eventos. De acordo com reportagem publicada pelo site de VEJA em setembro de 2019, o ex-craque do Barcelona estava proibido de deixar o Brasil por ser alvo de ação da Justiça.

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