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Racismo contra jogador do Valencia gera revolta na liga espanhola

Chamado de 'negro de m...', Diakhaby deixou o campo contra o Cadiz e recebeu apoio de seus companheiros; Valencia pede por investigação sobre o caso

Por Da Redação Atualizado em 9 abr 2021, 19h39 - Publicado em 5 abr 2021, 10h41

O árbitro espanhol David Medié Jimenez relatou em súmula uma ofensa racial na partida entre Cádiz e Valencia, no último domingo, 4, válida pela 29ª rodada de La Liga, o Campeonato Espanhol. De acordo com o documento, o zagueiro Juan Cala, do Cádiz, teria chamado o também defensor Mouctar Diakhaby, do Valencia, de “negro de m…”. O jogo ficou marcado pelo abandono de campo do jogador francês, seguido pela mesma manifestação de seus companheiros de equipes.

“Aos 29 do 1º tempo, interrompi a partida devido a um confronto entre jogadores das duas equipes. O jogador nº 12 do Valencia, Mouctar Diakhaby, após levar cartão amarelo por discutir com um adversário, me disse: ‘Ele me chamou de negro de m…’, em referência ao jogador nº 16 do Cádiz, Juan Cala. Este fato não foi ouvido por nenhum integrante da equipe de arbitragem”, registrou Jimenez.

Os jogadores do Valência saem de campo, durante o jogo da Liga da Primeira Divisão, contra o Cádiz, no estádio Ramón de Carranza -
Zagueiro não retornou após confusão, sendo substituído por Guillemón – Román Ríos/EFE

Assim como Diakhaby, todos os jogadores do Valencia se dirigiram ao vestiário, mas, posteriormente, acabaram retornando a campo após 24 minutos de paralisação. O jogador foi o único que não voltou, sendo substituído por Guillemón. Cala, acusado de proferir as ofensas, seguiu no jogo. O Cádiz acabou marcando mais um gol e venceu o confronto por 2 a 1.

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Após o jogo, o técnico do Valencia, Javi Garcia, disse que o jogador foi muito afetado pelos acontecimentos. “Não quero nem repetir as palavras exatas que Cala disse a Diakhaby, porque não fui o protagonista da ação, mas ele disse um insulto racista. Quando ocorreu o insulto, dissemos ao árbitro que deixaríamos a partida. Nos vestiários, nos disseram que, se não voltássemos, seríamos punidos. Falamos, então, com Diakhaby, e ele nos disse que não estava em condições de jogar, mas que nós poderíamos voltar”, disse.

O clube de também publicou uma série de posicionamentos favoráveis ao atleta. O primeiro deles, minutos após o término da partida, foi um comunicado citando dez tópicos relacionados ao tema “não ao racismo”. Entre eles, questionando a medida do árbitro, que ainda aplicou um cartão amarelo ao jogador após as reclamações, e pedindo por uma investigação da federação espanhola sobre o caso. O Valencia também explicou que não obrigou os atletas a voltarem a campo.

Depois, em sua conta no Twitter, também republicou uma série de mensagens de apoio ao jogador, uma delas do também defensor Eliaquim Mangala. “Eu conheço Diakhaby bem, ele não teria deixado a partida sem uma razão”. O capitão da equipe, José Gaya afirmou que todos apoiaram a decisão “em todo o momento”. A última manifestação foi do presidente Anil Murthy, que disse fez um pronunciamento ao lado do atleta. “O Valencia vai até o fim no apoio ao seu atleta e contra o racismo”.

Clubes como o Milan, da Itália, e o Vasco também prestaram apoio ao jogador.  O clube italiano também desejou forças ao zagueiro colombiano Davinson Sánchez, do Tottenham, que denunciou nesta segunda-feira ter sido alvo de insultos raciais após o empate por 2 a 2 de sua equipe com o Newscastle, no domingo.

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