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Questão de aritmética: o 1+8 de Zamorano

Parceiro de Ronaldo na Inter de Milão, atacante chileno recorreu a um sinal de “mais” para não abandonar a camisa 9

Por Luiz Felipe Castro 14 Maio 2020, 11h15

Ronaldo Luís Nazário de Lima é apontado com frequência como o maior camisa 9 de todos os tempos. Sabe-se de um outro atacante que até concorda com a tese, mas que já bateu de frente com o Fenômeno ao ter o brasileiro como companheiro de time. E, quando foi instado a ceder, buscou uma solução “matemática”, que acabaria se tornando um memorável golaço de marketing. Tudo começou no verão europeu de 1997, quando Ronaldo,o então melhor jogador do mundo, trocou o Barcelona pela Inter de Milão. Apresentado com enorme pompa na cidade italiana, o brasileiro topou usar a camisa dos craques — a 10 —, já que a 9 pertencia ao chileno Iván Zamorano.

A situação, porém, mudou um ano mais tarde. Em 1998, o clube nerazzurro estreou sua parceria com a Nike, a mesma marca que sempre acompanhou Ronaldo — e que na época já tinha uma linha de produtos, a R9, com o número de sua grande estrela. Somou-se a isso o fato de o Fenômeno ter retornado das férias ainda abalado pela derrota na final da Copa do Mundo da França (aquela da convulsão). A Inter, então, sentiu que precisava mimar seu Bambino d’Oro e imaginou que lhe dando a camisa 9 tiraria o craque da fossa.

  • Coube ao ex-jogador italiano Sandro Mazzola, diretor esportivo e um dos maiores ídolos da história do clube, transmitir a mensagem ao temperamental “Bambam” Zamorano. “Mazzola me disse: ‘O que fazemos com o monstro? Ele está na m… Temos de animá-lo. O que acha de darmos a ele a 9?’ ”, recordou o goleador em uma emissora de TV chilena. “Perfeito, então pedi para ficar com a 99. Não podia. Aí quis juntar dois números que, somados, dessem 9. Pensei no 27 e no 18. Mazzola me disse: ‘Por que não põe um sinal de positivo, de soma?’.

    Ele mesmo ligou para o presidente Massimo Moratti para pedir autorização junto à federação.” Nascia um clássico instantâneo. O item virou peça do museu do Estádio San Siro, e até hoje há quem customize suas camisas com o 1+8 de Zamorano. Em campo, porém, o resultado foi mal: a Inter terminou a temporada da Série A na oitava posição. Ronaldo passou a maior parte do tempo machucado.

    “Houve muita confusão no vestiário, o time não jogava bem e um grupo colocava a culpa no outro”, conta o ex-jogador Zé Elias. O artilheiro do campeonato foi outro brasileiro, Amoroso, da Udinese, com 22 gols, oito a mais que o Fenômeno. Zamorano, com a 1+8, fez, adivinhe — nove gols.

    Publicado em PLACAR de abril de 2020, edição 1462

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