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Quem é Luka Romero, o mais recente nome a ser apontado como o ‘novo Messi’

Meia canhoto de 1,65 m estreou em La Liga com apenas 15 anos de idade; mexicano de nascimento e radicado na Espanha, a promessa elegeu jogar pela Argentina

Por Luiz Felipe Castro - Atualizado em 26 Jun 2020, 21h43 - Publicado em 26 Jun 2020, 17h44

Ele nasceu em 2004, ano em que Lionel Messi estreou profissionalmente, e já é apontado como possível sucessor do craque do Barcelona. Luka Romero, mexicano de nascimento e argentino de coração, vem ganhando manchetes em todo o mundo depois de ter estreado no Campeonato Espanhol, jogando pelo Mallorca, contra ninguém menos que o líder Real Madrid, na última terça-feira 23. Com apenas 15 anos e 219 dias, ele se tornou o mais jovem atleta a debutar em La Liga e já causou furor suficiente para entrar na já extensa lista de potenciais “novos Messis”.

A comparação não se dá apenas pelo corte de cabelo ou pela baixa estatura (1,65 metro). Canhoto e habilidoso, Romero, de fato, tem estilo de jogo e trejeitos muito semelhantes ao gênio do Barcelona. Contra o Real Madrid, na derrota por 2 a 0 no estádio Alfredo Di Stéfano, deu apenas uma pequena amostra de seu talento, ao entrar já nos minutos finais. Rapidamente, porém, vídeos de seus gols e dribles nas categorias de base ganharam destaque nas redes sociais e, sobretudo, na imprensa argentina.

Luka Romero vem de uma família de jogadores de Buenos Aires. Nasceu em Durango, no México, onde seu pai Diego Romero atuava, e com apenas três anos se mudou para a Espanha. Desde criança, chamava a atenção pela capacidade de sua perna esquerda. “Você não imagina como ele já batia na bola aos seis anos. As pessoas olhavam e pensavam que era um anão”, contou o avô, Pepe Romero, um veterano descobridor de talentos do clube argentino Quilmes, ao diário Olé.

Ainda criança, Luka começou a jogar pela equipe do Saint Jordi, de Ibiza. Nesta mesma época, chegou a fazer testes em La Masia, a famosa categoria de base do Barcelona que revelou nomes como Pep Guardiola, Xavi, Iniesta e o próprio Messi. Passou, mas como tinha menos de dez anos e vivia longe, sua família preferiu mantê-lo nas Ilhas Baleares. Se juntou, então, ao time do Mallorca, onde sempre foi tratado como uma joia.

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Assim como Messi, Luka Romero teve a chance de atuar pela seleção espanhola (e também pela mexicana), mas optou pela pátria de seus familiares. No ano passado, estreou pela seleção argentina no Sul-Americano sub-15, na qual terminou com o vice-campeonato, perdendo para o Brasil. “É um jogador técnico, de bom controle de bola, bom passe, chuta bem, dribla bem. É um garoto que lê muito bem as partidas”, resumiu Alejandro Saggese, treinador da seleção juvenil.

‘Novos Messis’ que decepcionaram

Bojan, do Barcelona, Dybala na Juventus e Defederico no Corinthians Jasper Juinen/Chris Ricco/Getty/Renato Pizzuto/Placar

Comparar jovens talentos com craques consagrados é uma cruel, porém irresistível mania em todos os países. Quantas vezes não ouvimos falar de um “novo Pelé” ou “novo Neymar” por aqui? O próprio Messi surgiu como um “novo Maradona” antes de corresponder e talvez até superar as expectativas. As projeções de possíveis sucessores do astro argentino do Barcelona, no entanto, já terminaram em enormes frustrações e, inclusive, acabaram atrapalhando alguns atletas.

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O mais célebre talvez seja o catalão Bojan Krikic, hoje com 29 anos e atuando pelo Montreal Impact, do Canadá. Ele era uma estrela das categorias de base do Barcelona quando foi promovido ao time profissional em 2007. Bastou a fama de artilheiro da base e certa semelhança física com Messi para que as comparações surgissem. Bojan, porém, rodou por vários clubes (como Roma, Milan, Ajax e Stoke City) sem jamais conseguir corresponder. “Começaram a me chamar de ‘novo Messi’ e eu não podia fazer nada a respeito. Ia nos lugares e não era Bojan, eu era uma nova estrela, um futuro Messi. Se jogasse bem, não era o suficiente, porque eu precisava ser como o melhor do mundo”, desabafou, em entrevista à BBC Sport, no ano passado.

Outro que também sofre com as comparações é Paulo Dybala, da Juventus. Ainda que tenha uma carreira de sucesso em um gigante europeu, o atacante canhoto de 26 anos não conseguiu obter tanto protagonismo na seleção argentina e causou polêmica ao dizer que tinha dificuldades para jogar com Messi, pois seus estilos de jogo eram muito semelhantes. Com a fala desastrada, acabou colocando ainda mais pressão em si mesmo.

Um outro recordado ‘novo Messi’ teve passagem frustrante pelo Brasil. O meia Matías Defederico chegou ao Corinthians em 2010 com status de joia do futebol sul-americano. O jogador revelado pelo Huracán, que custou 10 milhões de reais (à época um valor bem alto), não rendeu em São Paulo nem em lugar nenhum. Passou por clubes de Índia, Equador, Arábia Saudita, Grécia, entre outros, e, aos 30 anos, está afastado do futebol.

Ainda no Brasil, ficou famoso um questionamento feito pelo jornalista gaúcho Wianey Carlet, em 2009: “Taison ou Messi? Só o tempo dirá” virou meme, mas é mais um exemplo de como as comparações precoces podem ser injustas e equivocadas. O norueguês Matin Odegaard, hoje na Real Sociedad, o paraguaio Juan Iturbe, do Pumas, e espanhol Gerard Deulofeu, do Watford, também já sofreram com a alcunha. Será Luka Romero o tão aguardado herdeiro?

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