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Preso há dois anos, ex-presidente do Barcelona ataca Romário

Em prisão preventiva, Sandro Rosell afirmou que nunca pagou comissões ilegais a Ricardo Teixeira e se disse perseguido por Romário por questões pessoais

O empresário espanhol Sandro Rosell está a 637 dias preso em seu país, acusado de lavagem de dinheiro e cobrança ilegal de comissões em transações envolvendo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Nesta quarta-feira, o ex-presidente do Barcelona concedeu entrevista à ràdio RAC1, na qual voltou a jurar inocência, falou sobre as dificuldades vividas na prisão – e também das regalias, como assistir aos jogos do Barça – e fez duros ataques a Romário, que liderava investigações contra Rosell e o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, no Senado.

Rosell, de 54 anos considera irregular a sua prisão preventiva imposta pela juíza do Tribunal Nacional, Carmen Lamela, em operação conhecida como “Jules Rimet”. A Justiça espanhola não o autoriza a responder em liberdade por considerar que há risco de fuga.

“Estou indignado, passei por todos os estados: dúvida, surpresa, indignação…E ainda hoje para meus advogados isso é surreal. Minha família está triste e indignada”, desabafou. “Para mim, o pior é ficar longe dos meus pais, me roubaram dois anos de vida com eles quando eles mais necessitam (…) Embargaram todo o meu patrimônio, não tenho dinheiro fora aqui, não pude pagar um único pão para minha mulher. Ela está aguentando tudo como uma campeã”.

Rosell foi preso em maio de 2017, após investigações nos Estados Unidos sobre seu envolvimento em contratos de suas empresas com a CBF. O FBI o acusa de ter desviado cerca de 15 milhões de dólares para contas secretas de Ricardo Teixeira, então presidente da CBF, de quem Rosell era amigo próximo. O cartola brasileiro segue em liberdade. 

“Nunca paguei nenhuma comissão a Ricardo Teixeira. Se tivesse pagado tampouco aconteceria nada, porque é algo legalizado no Brasil, mas insisto que não paguei nenhuma comissão”, alega Rosell. Ao se defender, citou acordos da CBF com a Traffic, empresa então presidida pelo brasileiro J. Hawilla, morto em 2018, um dos principais delatores do escândalo de corrupção da Fifa, deflagrado em 2015.

“Em 2006, uma empresa chamada ISE contactou minha empresa, Uptrend, para comprar os direitos de transmissão da seleção brasileira, entre outra. O Brasil tinha acordo com outra empresa, a Traffic, que pagava 650.000 dólares por amistoso. Recomendei que a ISE oferecesse 800.000, mas a Traffic igualou a oferta. Então disse a ISE que confiasse em mim e que oferecessem 1,15 milhão de dólares, que lucrariam o dobro. Finalmente, a Traffic não igualou a oferta e os direitos foram para  a ISE, que acabou ganhando não o dobro, mas o triplo. E nós, da Uptrend, tínhamos 20% deste benefício.”

Problemas pessoais com Romário

Rosell, que foi representante da Nike no Brasil e mantém ligações antigas com a CBF, ainda rebateu acusações de Romário, que, como senador, comandou uma comissão para investigar as irregularidades envolvendo a entidade. O ex-atacante afirmou em uma CPI que Rosell e Teixeira faturaram dinheiro ilegal com a realização de amistosos. “Romário mentiu (…) O fez porque quer ser presidente da CBF e porque, em 2002, depois que Scolari o deixou fora da Copa, veio me pedir para fechar um acordo de patrocínio de embaixador da Nike e eu disse que não. Mais tarde, quando eu era presidente do Barcelona, pediu que eu contratasse seu filho para o Barça B. Disse aos treinadores que avaliassem Romarinho e me disseram que ele não tinha nível para isso. Quando disse a Romário que não, ele se irritou comigo.”

Na prisão, se exercita e assiste ao Barça

Rosell contou à RAC1 que se mantém ativo na prisão. “Pela manhã, faço muito esporte. Recebo cartas e respondo todas, de quem conheço e de quem não. Escrevo notas, quem sabe um dia eu escreva um livro. Jogo xadrez, converso com as pessoas”, contou. Disse ainda que tem acesso aos jogos de futebol na televisão e considera que o Barcelona precisa de reforços.

“Vejo o Barça muito bem, seguimos sendo os melhores (…) mas tem que se reforçar em duas ou três posições. Sempre pensei que é todas as posições têm de estar ‘dobradas’ (com um reserva à altura), e hoje eu contrataria um lateral-esquerdo, um centroavante e talvez um lateral-direito potente.” Rosell presidiu o Barça de 2010 a 2014, quando renunciou após denúncias de corrupção envolvendo a transferência de Neymar.