Clique e assine a partir de 9,90/mês

Preço, hóquei e eleição: Rússia ainda não vive clima de Copa

Mesmo com a presença da seleção brasileira em Moscou e a menos de três meses da abertura, russos ainda não parecem entusiasmados com o Mundial

Por Tiago Leme, de Moscou - Atualizado em 22 mar 2018, 11h12 - Publicado em 22 mar 2018, 10h21

Daqui a exatamente 84 dias, também em uma quinta-feira, as seleções de Rússia e Arábia Saudita vão fazer a partida de abertura da Copa do Mundo de 2018 em Moscou, no estádio Luzhniki, no dia 14 de junho. A praticamente três meses do início da competição, porém, a capital russa não aparenta viver o clima do Mundial de futebol, mesmo com a presença da seleção brasileira na cidade.

Um dia antes do amistoso desta sexta-feira entre Brasil e Rússia, as ruas de Moscou, os principais pontos turísticos, o transporte público e moradores não davam sinais de que estamos a dois meses da Copa. O maior símbolo do Mundial 2018, praticamente o único, é o relógio de contagem regressiva instalado pela Fifa perto da Praça Vermelha.

Tabela completa de jogos da Copa do Mundo 2018

Relógio regressivo indica que faltam 84 dias para o início da Copa do Mundo na Rússia - 22/03/2018
Relógio marca 84 dias para a Copa Tiago Leme/VEJA.com

De acordo com as explicações citadas por próprios moradores da capital, os motivos para esta frieza em relação ao evento esportivo são: os altos preços dos ingressos, o desinteresse de parte da população pelo futebol em um país que o hóquei é a paixão nacional e a recente eleição presidencial vencida por Vladimir Putin.

A pergunta que eles mesmos divergem na resposta e deixam a dúvida no ar é: esse tal clima de Copa vai seguir os termômetros, deixar o inverno para trás e esquentar até junho com a chegada do verão?

Continua após a publicidade

“Nós russos não somos iguais a vocês brasileiros. Gostamos de futebol, mas nossa equipe não é boa, ainda mais sem o Alexander (Kokorin, atacante do Zenit, que machucou o joelho e está fora do Mundial). Nosso país tem alguns problemas econômicos, muita gente não pode gastar dinheiro indo a jogos de futebol, e os ingressos da Copa são caros. Aqui a maioria das pessoas gosta muito de hóquei, porque temos uma boa equipe. Eu prefiro pagar para ver um jogo de hóquei do que um de futebol, mas claro que na Copa do Mundo aqui todos vão querer assistir e as ruas vão estar mais cheias, mais animadas. Vai ser verão, e a cidade também receberá muitos turistas”, disse Yuri Stepaneko, funcionário de uma loja de telefonia celular.

Apesar do futebol também ser bastante popular na Rússia, com times como o CSKA, o Spartak Moscou e o Zenit disputando os grandes torneios europeus, o hóquei no gelo é o esporte com melhores resultados, como a medalha de ouro conquistada pela equipe masculina nos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang.

Ingressos caros e ‘ressaca’ política

O bilhete mais barato para a Copa de 2018, para jogos da primeira fase, custa 1280 rublos (equivalente a 73 reais), tarifa válida apenas para a população russa em um setor limitado dos estádios. Para os demais setores e estrangeiros, o preço mínimo é 105 dólares (341 reais). Esses valores, claro, aumentam consideravelmente nas fase seguintes e chegam até um máximo de 1.100 dólares (3.575 reais) na melhor categoria da final, ou 7040 rublos (401 reais) na categoria mais barata exclusiva para os russos, também na grande decisão do dia 15 de julho.

Por enquanto, nas ruas de Moscou, nada de cartazes, placas ou algo de destaque que chame atenção sobre o Mundial. Nem mesmo na área de desembarque do aeroporto internacional dê Sheremetyevo há indicações sobre a competição. Apenas algumas lojas de souvenirs vendem produtos que fazem alusão à Copa. Quem mais fez sucesso esses dias na capital da Rússia foi o Canarinho, mascote da seleção brasileira, que atraiu crianças e curiosos para fotos perto do Kremlin, a sede do governo russo.

Continua após a publicidade

“Nas últimas semanas o interesse das pessoas aqui na Rússia estava voltado para as eleições. Política é um assunto sério aqui. Espero que no Mundial o clima esteja mais leve, mais alegre, mais festivo, mas sinceramente não sei como vai ser. É a primeira vez que a Rússia recebe um campeonato de futebol tão importante assim. Tem muita gente que gosta, principalmente os jovens, mas tem gente que nem liga”, explicou o taxista Pavel Sorokin.

No último domingo, Putin foi reeleito presidente com recorde de 76,7% dos votos e ficará no cargo até 2024.

Nesta sexta-feira, as seleções brasileira e russa se enfrentam no estádio Luzhniki, às 13h (horário de Brasília), com expectativa de 60.000 torcedores presentes, menos do que a capacidade de 80.000 pessoas.

Entrada do Estádio Luzhniki, palco da final da Copa, e do amistoso entre Rússia e Brasil Tiago Leme/VEJA.com
Publicidade