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Prass: ‘Se os políticos fossem cobrados como jogadores estaríamos melhor’

Goleiro do Ceará falou sobre a crise dos salários do meio do futebol e criticou a cobrança feita aos atletas na live da iniciativa #PlacarEmCasa

Por Alexandre Senechal - Atualizado em 2 abr 2020, 13h44 - Publicado em 2 abr 2020, 13h00

O goleiro Fernando Prass participou de uma live no Instagram de PLACAR na noite de quarta-feira, 1º, e, como não poderia deixar de ser, a pandemia de coronavírus que paralisou o esporte mundial foi um dos assuntos abordados. O atleta do Ceará falou sobre medidas de solidariedade e apoio financeiro e considerou injustas as cobranças sobre atletas famosos por terem feito mais campanha em favor de participantes do reality show Big Brother Brasil do que por doações às vítimas da Covid-19.

“Vi essas manifestações, muita gente criticando Neymar e Gabigol por fazerem campanha na votação do BBB. Acho que é muita leviandade cobrar jogadores de futebol de coisas que são obrigações governamentais. No Brasil, parece que o jogador tem que resolver tudo, educação, saúde… Se pegar a lista das 100 pessoas mais ricas do Brasil, não vai ter jogador”.

“Se os políticos fossem cobrados como jogadores estaríamos numa situação bem melhor”, completou o goleiro de 41 anos, que vem usando suas redes sociais para divulgar estabelecimentos de pequenos empresários que estão sofrendo para manter seus negócios e funcionários. “Estou fazendo essa ação no Instagram, que não tem custo nenhum para mim, e tem gente que me cobra por não colocar dinheiro do meu bolso. Nem todo mundo que ajuda precisa ficar mostrando. Eu sei de muita gente que está fazendo ótimas ações e não as divulgam, até porque quando divulgam também são criticados.”

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Lembrando que não posso me responsabilizar pela qualidade do serviço, a intenção é apenas ajudar o próximo. Será um estabelecimento divulgado a cada dia, totalizando 14.

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O ídolo do Coritiba, do Vasco da Gama e do Palmeiras parabenizou os profissionais de saúde que “estão na trincheira, se sacrificando por nós” e defendeu as práticas de isolamento social. “Por que no Brasil seria diferente? Se países mais desenvolvidos como Espanha, Alemanha e Itália, estão fazendo, por que nós não faríamos? Temos a vantagem de ver mais cedo o que está acontecendo lá e temos de nos conscientizar”.

Fernando Prass é o único jogador em atividade e fazer parte da Federação Nacional dos Atletas de Futebol Profissional (Fenapaf) e tem participado ativamente das discussões com o sindicato dos clubes na negociação sobre qual deveria ser o rumo do futebol enquanto o calendário estiver parado. O goleiro disse que a proposta de redução de 25% do salário foi recusada pelos jogadores porque não houve um estudo feito sobre quais serão os impactos da paralisação nas receitas dos clubes e sobre quais seriam a ajuda das federações.

Para o arqueiro, a melhor solução foi a que vários clubes do país tomaram: manter o pagamento integral do mês de março e conceder férias aos atletas em abril, para depois retomar as conversas. “Nenhum jogador é louco de não entender o problema que o mundo está passando. O que a gente não queria é que só nós pagássemos a conta. Se todos ajudassem, ficaria mais leve para todo mundo. Nós recusamos parte da proposta e propusemos que depois das férias continuassem as discussões sobre isso”, disse.

No bate-papo, Fernando Prass também falou sobre a carreira. Ele lembrou que, apesar de torcedor do Grêmio, ia em jogos do Internacional na infância para assistir ao ídolo Taffarel. Também contou os segredos para defender cobranças de pênaltis e falou sobre os bastidores de sua saída do Palmeiras. Para assistir à conversa na íntegra, acesse nosso Instagram clicando aqui. A live estará disponível até às 20h desta quarta-feira.

Fernando Prass: ídolo com as camisas de Coritiba, Vasco da Gama, Palmeiras e Ceará Alexandre Loureiro/Alexandre Battibugli/Divulgação
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