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Portuguesa faz novo pedido de tombamento do Canindé

Clube paulistano tem apoio do deputado estadual Campos Machado

Por Estadão Conteúdo - 12 mar 2019, 10h39

Torcedores da Portuguesa estão fazendo mais uma tentativa de tombamento do Canindé. Com um abaixo-assinado com mais de 5.000 assinaturas, a torcida conseguiu o apoio do deputado estadual Campos Machado (PTB) para pedir ao Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental (Compresp) que o complexo Oswaldo Teixeira Duarte, formado pelo estádio do Canindé e do clube social da Portuguesa, se torne patrimônio cultural da cidade. O salão nobre, por exemplo, foi projetado por João Batista Vilanova Artigas, um dos principais nomes da arquitetura paulista, em colaboração com Carlos Cascaldi, sócio de Artigas.

Na visão dos torcedores, o tombamento significa a impossibilidade de o Canindé ser demolido, independentemente do destino do terreno. A área foi penhorada para o pagamento de dívidas trabalhistas que ultrapassam 55 milhões de dólares. São 42.000 metros quadrados que correspondem a cerca de 45% do total da sede da Lusa – o restante pertence à Prefeitura, que também já autorizou a venda dessa parte. A divisão passa pelo meio do estádio.

O Tribunal Regional do Trabalho já realizou duas tentativas de leilão, mas elas não atraíram investidores. O valor mínimo é de 70 milhões de reais. O próximo leilão está marcado para o mês de abril.

Se for tombado, o estádio não pode se transformar em um complexo hoteleiro, por exemplo, como previa o projeto revelado apresentado pelo conselheiro Antonio Carlos Castanheira com participação da Conexão 3 Desenvolvimento e Negócios, Planova Planejamento e Construções e Fernandes Arquitetura. A planta previa a construção de um hotel, um shopping, uma sede social e ainda uma nova arena para 15.000 pessoas. O custo total seria de 2 bilhões de reais.

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“O leilão pode ocorrer normalmente. Caso haja um comprador, ele teria que manter tudo como é hoje. O eventual comprador terá de respeitar o projeto original e manter principalmente a fachada e as cores”, explica Antonio Roberto Freire, líder do movimento pela preservação do Canindé e presidente da Associação Amigos do Parque da Vila Guilherme. “O tombamento do complexo é fundamental para que o clube não desapareça.” Na fase de análise do pedido, que dura dois anos, eventuais alterações precisam de anuência do Compresp.

Esse é o segundo pedido de tombamento do Canindé nos últimos anos. Em 2016, o clube entrou com um processo no Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico. O Condephaat abriu um dossiê preliminar, recebeu parte dos documentos, mas se afastou por considerar que não era sua competência a análise do pedido.

A Portuguesa encerrou a temporada com só 13 partidas no estádio do Canindé. Para gerar receita, a diretoria firmou contrato com a iniciativa privada para alugar o local, que tem recebido uma série de eventos, principalmente de música eletrônica. Uma igreja evangélica utiliza um ginásio para cultos. O clube social quase não existe mais – as piscinas foram demolidas. Na área onde havia um grande campo de futebol society está instalada uma “feira da madrugada”, área de comércio popular.

O calvário começou em 2013, com o rebaixamento do time à Série B do Campeonato Brasileiro. Hoje, a Lusa está fora de qualquer divisão do Brasileirão e é a 13ª colocada da Série A2 (equivalente à segunda divisão) do Campeonato Paulista. O time tem 11 pontos, dois a menos que o Linense, o oitavo colocado, que estaria classificado para o mata-mata.  Em 2019, só estão previstos 15 jogos oficiais no Canindé.

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