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Por que as gerações de Zico e Pelé não ganharam a Copa América

Brasil ficou 40 anos, entre 1949 e 1989, sem conquistar principal torneio de seleções da América do Sul, deixando ídolos do time sem o troféu

A seleção brasileira é a maior campeã das Copas do Mundo com cinco taças, mas não conseguiu repetir essa hegemonia na Copa América, nem mesmo em seus períodos mais gloriosos. O Uruguai é o maior campeão do torneio continental (15 troféus), seguido por Argentina (14). O Brasil é apenas o terceiro, com oito taças, e ficou 40 anos na seca, entre 1949 e 1989. Isso significa que nem o Rei Pelé, presente no tri mundial (1958, 1962 e 1970) nem a incrível geração das décadas de 70 e 80, que teve Zico, Falcão, Sócrates e outros craques, conseguiram levantar a taça que será disputada no Brasil a partir desta sexta, 14. Há, no entanto, algumas explicações para este estranho jejum.

Já nesta época, a Copa América tinha uma importância secundária no calendário da seleção. Pelé e Zico, por exemplo, só disputaram o torneio uma vez cada. O Rei do Futebol, inclusive, foi artilheiro na Argentina com apenas 18 anos, mas o Brasil, então o atual campeão do mundo, terminou a competição com o vice-campeonato de forma invicta.

Nos anos seguintes à Era Pelé, a seleção enviou times alternativos ou sequer foi disputar o torneio. Já Zico, jogou a Copa América em 1979, com um formato diferente, e não voltou mais. Naquele período, jogadores que atuavam fora do país não vinham disputar a competição sul-americana. Zico, por exemplo, ficou de fora do torneio de 1983, quando atuava pela Udinese. Confira, abaixo, como foram as participações do Brasil no torneio nas eras Zico e Pelé.

Veja a tabela completa da Copa América

Era Pelé

1959 – Campeonato Sul-Americano (na Argentina)

Campeão: Argentina
Brasil: Vice-campeão
Participantes: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai

Foi a primeira Copa América de Pelé, um ano depois do título mundial de 1958, na Suécia. O astro de 18 anos foi o artilheiro do torneio, com oito gols. Todas as partidas foram disputadas no estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires, e as sete equipes se enfrentaram em turno único. O Brasil terminou invicto, mas foi vice-campeão por ter empatado uma partida a mais que a campeã Argentina, que venceu todos os adversários, menos o Brasil, com quem empatou por 1 a 1. O time de Pelé também venceu todos os outros adversários, menos o Peru, com quem empatou por 2 a 2, ficando com o vice-campeonato. Essa foi a única Copa América na época de Pelé. O time ainda contava com o goleiro Gylmar, e outros campeões do mundo, como Mauro, Djalma Santos, Bellini, Didi, Zagallo, Zito e Garrincha.

1959 – Campeonato Sul-Americano (no Equador)

Campeão: Uruguai
Brasil: terceiro colocado
Participantes: Argentina, Brasil, Equador, Paraguai e Uruguai

Em uma edição “extra” e menos badalada, o Brasil foi representado pela seleção pernambucana. Cinco seleções se enfrentaram entre si, e o Uruguai foi campeão com três vitórias e um empate. O Brasil venceu Paraguai e Equador, mas acabou derrotado para Argentina e Uruguai.

1963 – Campeonato Sul-Americano (na Bolívia)

Campeão: Bolívia
Brasil: quarto colocado
Participantes: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai

O torneio foi disputado na altitude de Cochabamba e La Paz. O Brasil foi representado por um time alternativo e teve sua pior participação no período, com derrotas para Argentina, Bolívia e Paraguai e um empate com o Equador.

1967 – Campeonato Sul-Americano (no Uruguai)

Campeão: Uruguai
Brasil: não participou
Participantes: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela.

Por divergências com a organização, o Brasil não participou da última Copa América no formato de todos contra todos, assim como o Peru. Chile, Colômbia, Equador e Paraguai se enfrentaram em uma fase preliminar. Chile e Paraguai se classificaram para se juntarem a Argentina, Bolívia, Uruguai e Venezuela.

Era Zico

1975 – Copa América (sem sede fixa)

Campeão: Peru
Brasil: terceiro colocado
Participantes: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela

Zico ainda não participou desse torneio, que serviu como uma espécie de transição de gerações. Raul, Nelinho, Dirceu Lopes e Reinaldo foram alguns dos que representaram o Brasil no torneio, que foi disputado com jogos em casa e fora. Na primeira fase, o Brasil se classificou com quatro vitórias contra Argentina e Venezuela. Na semifinal, o time foi eliminado com derrota de 3 a 1 para o Peru, no Mineirão, e vitória por 2 a 0, em Lima. Como marcou menos gols na casa do adversário, o time caiu diante do Peru, campeão daquele ano.

1979 – Copa América (sem sede fixa)

Campeão: Paraguai
Brasil: terceiro colocado
Participantes: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela

Foi a primeira Copa América de Zico. Time tinha Leão, Júnior, Oscar, Roberto Dinamite, Falcão e Sócrates. Na primeira fase, o Brasil venceu Bolívia e Argentina em casa, empatou com a Argentina fora e perdeu para a Bolívia em La Paz. Conseguiu a primeira posição da chave para enfrentar o Paraguai. Em Assunção, derrota por 2 a 1. No Maracanã, o empate por 2 a 2 tirou o Brasil da decisão. Expulso contra a Argentina na última rodada da primeira fase, em Buenos Aires, Zico não disputou a fase semifinal.

1983 – Copa América (sem sede fixa)

Campeão: Uruguai
Brasil: vice-campeão
Participantes: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela

Zico não participou do torneio em 1983 por estar jogando na Europa, mas ídolos de sua geração, como Sócrates, Leão, Renato Gaúcho, Roberto Dinamite e Júnior estiveram na equipe. Na primeira fase, a seleção venceu as duas partidas contra o Equador, empatou com a Argentina no Maracanã e perdeu em Buenos Aires, com gol do hoje técnico do Peru, Ricardo Gareca. Apesar do resultado negativo, se classificou, graças a dois empates dos argentinos contra o equatorianos. Na semifinal, o Brasil superou o Paraguai pelo gol fora de casa: empate em 1 a 1 em Assunção e empate sem gols em Uberlândia. Na decisão, contra o Uruguai, derrota por 2 a 0 em Montevidéu e empate por 1 a 1 na Fonte Nova.

1987 – Copa América (na Argentina)

Campeão: Uruguai
Brasil: Eliminado na primeira fase
Participantes: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela

A Copa América voltou a ter sede única em 1987 e o Brasil teve sua pior participação na história, com direito a goleada sofrida diante do Chile. Jogando em Córdoba, o Brasil venceu a Venezuela por 5 a 0, mas foi derrotado pelos chilenos por 4 a 0, ficando com a segunda colocação na chave e eliminação precoce. Time tinha Careca, Müller, Ricardo Rocha, Romário e Raí no elenco.

 

Comentários

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  1. Luiz Pegorer

    Brasil dos mitos. Eu vivi todo este período e mesmo criança já percebia que Pelé tinha muito de propaganda. Me lembro que o Tostão nos empolgava em casa, mas sua carreira de jogador vencedor foi truncada. Um investimento para construir um mito que logo foi protagonista de comerciais de chuteiras, etc. Tal como as outras principais administradoras de marketing, como a de Roberto Carlos tinha estratégias éticas positivas (que Rita Lee entendeu e seguiu) como de não divulgar cigarros.

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  2. Luiz Pegorer

    Em tempo ao meu comentário: O grande craque e boa pinta de todos os tempos do futebol brasileiro que joga mais e diverte quem assiste, foi o Garrincha. Bom aqueles tempos em que o jogador abraçava um time e normalmente se aposentava nele ou no máximo em um segundo.

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  3. ALUISIO DE ALMEIDA ANDRIOLLI

    A geração de Zico não só não ganhou a copa américa, como também não ganhou nenhuma copa do mundo, infelizmente, apesar da alta qualidade técnica dos times de 82 e 86. As seleção de hoje está a rios de distância dessa geração de craques. Quem é Neymar que vive se machucando? Ou então caindo e reclamando sempre.Já está com 28 anos, quase um trintão e ainda se comportando como um menino mimado, daqui a pouco a carreira termina e é por isso que vai ser lembrado. Está muito longe do profissionalismo de um Zico ou um Sócrates. De Pelé, então, há um abismo de distância ( um jogador fantástico, que fez mais de mil gols na carreira). Garrincha então, era talentozíssimo, infelizmente com a carreira prejudicada pelo alcoolismo, mas um craque eterno, enfim. Hoje estamos muito longe disso tudo, com “ídolos” que só querem baladas e redes sociais.Pobre futebol brasileiro atual.

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