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Por que a Islândia virou um sucesso no futebol — e fora dos gramados

Como foi possível ao país de cerca de 330 000 habitantes montar uma boa seleção, em um lugar inóspito, com frio, neve e ventos gelados de setembro a maio

Por Fábio Altman, de Moscou Atualizado em 22 jun 2018, 08h15 - Publicado em 22 jun 2018, 06h00
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Sabe da última que andam contando por aí? Um em cada 337 686 cidadãos da Islândia já defendeu um pênalti de Messi. A piada singrou as redes sociais desde que Hannes Halldórsson, o diretor de cinema e de comerciais que joga futebol nas horas vagas, voou para a direita e impediu que a Argentina fizesse o segundo gol, no Estádio Spartak, em Moscou. O empate por 1 a 1 foi celebrado como um feito mítico, heroico, digno de Espártaco, de um minúsculo país insular do Atlântico Norte afeito a sagas milenares — só não foi mais comemorado que a façanha de ter alcançado as quartas de final da Eurocopa de 2016, quando o mundo descobriu o “hu”, o divertido e imponente canto dos torcedores que, pontuado por palmas, vai se acelerando animadamente até chegar ao ápice.

SAGA –  Hannes Halldórsson defende o pênalti batido por Lionel Messi Matthias Hangst/Getty Images

E então, hu, veio o futebol. E uma vez mais a Islândia celebrou o que mais gosta de fazer, quando é para se mostrar ao mundo: enaltecer sua reduzida dimensão. “Os islandeses sofrem de uma afasia numérica”, diz a especialista em inteligência artificial e militante política Heida Helgadóttir, ou simplesmente Heida, porque todos são conhecidos pelo primeiro nome (Helgadóttir é o patronímico). “Temos a certeza de vir de um país com 3 milhões de pessoas, e ninguém nos dissuade disso.” Para o presidente Gudni Thorlacius Jóhannesson, “o que nos faz fortes é nossa pequenez”.

  • Até 2016, a Islândia era conhecida, para além de sua geografia vulcânica, pela cantora Björk e por ter sediado, em Reikjavik, a capital, dois encontros históricos: em 1972, quando houve a disputa do campeonato mundial de xadrez entre o americano Bobby Fischer e o soviético Boris Spassky; e em 1986, quando Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev se reuniram para começar a sepultar a Guerra Fria. Também houve a quebradeira econômica de 2008 e, mais recentemente, o anúncio de que todos os habitantes foram submetidos a um projeto de compilação do genoma, um feito extraordinário — e de promessas para a medicina, atalho para a descoberta de propensões a determinadas doenças —, mas razoavelmente simples, dada a homogeneidade genética de uma população que pouco saiu de onde sempre esteve.

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